SEMINÁRIO AQUECE DISCUSSÃO SOBRE INCLUSÃO SOCIAL NA FACULDADE DE MEDICINA

Expositores mostram que a inclusão social no ensino superior pode acontecer de diferentes formas, através de programas, sistema de cotas ou reserva de vagas

Fotos: Frederico Faria/ACS-Medicina

Professor Mauro Braga fala sobre a expansão dos cursos noturnos na UFMG



A Faculdade de Medicina da UFMG recebeu ontem o seminário “Universidade e inclusão social: experiência e imaginação”, promovido pela UFMG, que começou no dia 22 e será concluído hoje, no Campus Pampulha.

O tema das exposições na Faculdade de Medicina foi “Experiências brasileiras: construção de alternativas”, e teve seu início pela manhã, com o professor José Jorge de Carvalho falando sobre a importância da inclusão social na docência. Maria Cristina Motta, da USP, relatou suas experiências de inclusão na Universidade e, também pela manhã, o pró-reitor de graduação da UFMG, Mauro Mendes Braga, apresentou trabalho realizado junto com a professora Maria do Carmo Peixoto, sobre a política de expansão dos cursos noturnos da Instituição.

Na parte da tarde, outros três expositores: Leandro Russovski Tessler, Jocélio Teles dos Santos e Sônia Wanderley, respectivamente das universidades Estadual de Campinas, Federal da Bahia e Estadual do Rio de Janeiro.


O vice-diretor da Medicina Tarcizo Nunes, destacou a importância do debate

O professor Leandro Tessler foi o primeiro a expor suas experiências com a implantação de projetos voltados para a inclusão. Ele contou que na Unicamp o PAAIS (Programa de Ação Afirmativa e Inclusão Social) foi implantado em 2005, visando aumentar a diversidade naquela universidade. Segundo ele, o PAAIS foi o primeiro programa de ação afirmativa sem cotas do Brasil. O programa destina 30 pontos a mais no final da última fase do vestibular para quem é do ensino público, e 10 pontos extras para quem, além de ser do ensino publico se autodeclarar negro. Em ambos os casos, o candidato deve dizer que quer participar do programa.

Tessler falou também que o resultado da implantação do programa foi excelente, e que as três metas propostas foram atingidas: propiciar a inclusão social, a autonomia universitária e quebrar a idéia de que o aluno que entra na Universidade pelo programa não consegue manter bom desempenho acadêmico. Segundo ele, em 33 dos 56 cursos da Unicamp os beneficiários do PAAIS tiveram melhor desempenho do que os egressos de escolas particulares.

O sistema de cotas implantado em 2004 na UFBA também obteve sucesso, garante Jocélio Santos. Segundo ele, 43% das vagas são destinadas para estudantes que tenham cursado o ensino médio e mais uma série do ensino fundamental em colégios da rede pública. Dessas vagas, 85% são destinadas para negros e pardos e 15% para brancos. São ainda destinadas duas vagas para índios e duas para a sociedade quilombola.


Representantes de movimentos sociais se manifestaram a favor de cotas raciais

De acordo com o professor, na Bahia, de 2003 para 2005, houve um aumento de 54% de inscrições para o vestibular de negros e pardos. Ele afirma que o discurso de que haveria preconceito explícito nas salas, baixa no nível dos alunos e que os cotistas não acompanhariam o curso, não se confirmou. Ainda segundo o professor o índice de evasão de quem entra pelo sistema de cotas é menor do que o índice dos não cotistas.

Para falar da experiência da UERJ, Sonia Wanderley voltou a exaltar o resultado positivo do sistema de reservas de vagas que vem sendo estudado e testado em sua universidade. Ela conta que no principio foram registradas muitas falhas. Com a lei 4151/2003, houve a reserva de um percentual mínimo de 45% das vagas - sendo 20% para estudantes de rede publica de ensino, 20% para negros e pardos e 5% para pessoas com deficiência e integrantes de minorias étnicas (índios).

Após as apresentações, o coordenador da Comissão Permanente de Vestibular (Copeve/UFMG), Marcus Vinícius de Freitas, debateu com os palestrantes os temas polêmicos identificados por ele e apresentou alguns dados da UFMG. Ele destacou, por exemplo, questões como o racismo e os caminhos da UFMG ao longo dos anos na busca por um maior acesso ao ensino superior, implantação de mais cursos noturnos, adoção de política de isenção de taxas e manutenção do aluno no curso.

Obstáculos

Leandro Tessler: "Ações afirmativas elevaram o rendimento acadêmico da Unicamp, ao contrário do que se ponderava"

Os três sistemas de inclusão social apresentados são diferentes, com metodologia e prática distintas. Isso, segundo o professor Tessler, é positivo. Para ele, a aprovação de um projeto de lei unificado para todas as universidades poderia não funcionar, considerando-se o perfil e o público de cada universidade. “O que é bom para a Unicamp pode não ser para a UFMG”, declarou.

Ele chamou a atenção para a necessidade de que o processo seletivo não seja instrumento de exclusão social e de que as universidades discutam o seu vestibular. Reunir o público interessado na UFBA foi um dos principais desafios de Santos, quando iniciou seu grupo de pesquisa. Segundo ele, houve debates para os quais não compareceram ninguém.

Mas, se o debate não aconteceu no ambiente acadêmico, se deslocou para o ambiente virtual. A partir da iniciativa de um professor da universidade, que mandou um e-mail sobre o assunto para o corpo docente, parabenizando a iniciativa da pesquisa, diversas respostas, com os mais diferentes pontos de vista, circularam pela rede. O debate durou dois meses e seu avanço possibilitou a implantação do sistema.

Para Sônia Wanderley, um dos principais problemas encontrados é a definição da cor do candidato pelo sistema de auto declaração, em um país onde há tanta diversidade. Ela afirma que houve resistência por parte da UERJ em aceitar esse método, mas acredita que essa seja a melhor forma: “ser negro no país deixou de ser questão de cor para ser questão de identificação”, finaliza.

Leia +
- Programação
- Começa seminário de Inclusão Social
- Seminário de Inclusão Social discute experiências internacionais
- Discurso do Reitor sobre o assunto

Redação: Mariana Pires – Estudante de Comunicação Social 

Assessoria de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG.
(31) 3248 9953. (31) 3248 9651. acs@medicina.ufmg.br

 

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