15 de março de 2007
VLAHOV: SAÚDE PÚBLICA SERÁ PROBLEMA
DE TODO MUNDO
Pesquisador americano afirma ser mais saudável se dedicar
à mudança do ambiente do que ao comportamento individual
Fotos: Marcus Vinícius - ACS / FM
Viver em cidades acarreta problemas de saúde específicos. Portanto, exige políticas públicas de saúde também específicas. A conclusão, aparentemente simples, advém de uma constatação bem menos intuitiva: fatores além do indivíduo, como o bairro em que mora e os serviços de saúde aos quais tem acesso, são mais importantes que elementos como alimentação, exercícios, e histórico de doenças na família.
Estas são as idéias centrais da conferência Cities and Health (Cidades e Saúde), realizada ontem, 14, na Faculdade de Medicina da UFMG pelo epidemiologista americano David Vlahov. O cientista delineou diferenças entre o rural e o urbano, mapeou o crescimento das cidades no mundo, e demonstrou que, em termos de saúde, a vida nas cidades é “dramaticamente diferente da vida rural”.
Vlahov, que é PhD em Epidemiologia pela Johns Hopkins e Diretor do Centro de Estudos Epidemiológicos Urbanos da Academia de Medicina de Nova Iorque, está em visita a UFMG a convite do Observatório de Saúde Pública da FM, por meio da Cátedra Criminalidade, Violência e Políticas Públicas do IEAT (Instituto de Estudos Avançados Transdisciplinares da UFMG), patrocinada pela Fundação Ford.
Dentre os momentos mais marcantes da conferência, destaca-se a informação, por exemplo, de que em várias regiões o consumo de álcool e drogas é menor nas cidades do que em zonas rurais. E que, em muitas outras, a AIDS está se tornando cada vez menos um problema urbano e cada vez mais um problema rural.
UM PROBLEMA PRESENTE – 2007 é o ano em que, pela primeira vez na História, mais de 50% da população mundial vive em cidades.
Vlahov expôs que em Nova Iorque determinadas áreas apresentam os piores indicadores de saúde da cidade em várias questões diferentes, as quais, em princípio não parecem estar relacionadas.
Conclusão semelhante teve estudo feito em Belo Horizonte, coordenado pela professora Waleska Caiaffa (turma de 1980), da coordenação do Observatório de Saúde Urbana da UFMG, que demonstra a concentração de índices mais altos de vários problemas de saúde - como hospitalização por asma, gravidez na adolescência, homicídios, dengue, e leishmaniose visceral, aparentemente não-relacionados - em determinadas áreas da cidade.
MORAR BEM FAZ BEM – “O que a ciência precisa é de uma sólida abordagem teórica para enfrentar os problemas de saúde urbana, coisa que ainda não existe. Pensar saúde nas cidades requer uma forma diferente de encarar seus problemas”, declarou Vlahov.
O ambiente urbano é a chave. “Não basta dizer às pessoas: ‘ vão caminhar’”, explicou Vlahov, se não existirem locais seguros e acessíveis para que as pessoas caminhem. De fato, não se trata nem mesmo de uma questão de desigualdade de renda.
O epidemiologista deu um exemplo: duas pessoas com o mesmo salário, morando em bairros diferentes. Suas condições de saúde serão diferentes, simplesmente por causa do ambiente em que moram – aí incluindo fatores como transporte, barulho, clima, densidade populacional, redes sociais e criminalidade.
Para o conferencista, os meios de comunicação difundem a idéia de que boa saúde esteja associada apenas a boa alimentação e hábitos saudáveis, como o de se exercitar e o de não fumar. Chegou a hora de reconhecer que saúde é mais do que isso.
A conferência foi transmitida para a internet, ao vivo ( streaming), e também gravada digitalmente, pelo Núcleo de Telessaúde da Faculdade de Medicina da UFMG.
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Redação: Cedê Silva – Estudante de Jornalismo
Assessoria de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG.
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