16 de março de 2007
SEGURANÇA EM PRÉDIOS ALTOS É
QUESTÃO DE SAÚDE PÚBLICA
Saúde & Cultura de março trouxe Robyn Gherson para falar de
seus estudos sobre a importância de planos de emergência
com base no 11 de setembro de 2001
Fotos : Marcus Vinicius dos Santos / ACS FM UFMG
Saúde pública não é questão apenas de serviços de saúde, tampouco um problema exclusivo dos profissionais da área. Na verdade, se você está lendo isto dentro de um prédio com dez andares ou mais – seja seu local de trabalho ou sua casa - sua saúde pode depender de medidas simples, mas nas quais pouco se pensa.
Esta é a lição da palestra Desastres Contemporâneos: Lições Aprendidas do World Trade Center, realizada nesta sexta-feira, 16, na Faculdade de Medicina da UFMG, pela pesquisadora nova-iorquina Robyn Gershon, professora de Ciências Sociomédicas Clínicas da Escola de Saúde Pública da Universidade de Colúmbia.
Gershon chefia um grupo de pesquisa que tem por objetivo “determinar os fatores individuais, organizacionais e estruturais associados com a evacuação do World Trade Center em 11 de setembro de 2001, de forma a reduzir o risco individual em futuras emergências em prédios altos [dez ou mais andares]”. Explica-se.
A pesquisadora demonstrou que em situações de emergência – não apenas ataques terroristas, mas também eventos comuns no Brasil, como incêndios e enchentes – há basicamente dois impactos sobre a saúde: ferimentos e traumas, no curto prazo; e problemas de saúde de longo prazo, boa parte deles associados à saúde mental.
“Reduzir esses impactos negativos é uma questão de saúde pública, especialmente em metrópoles como Belo Horizonte, onde o número de pessoas que moram e/ou trabalham em prédios altos é muito grande”, afirma a pesquisadora.
Ela ensina que para elaborar planos de emergência adequados é necessário analisar os prédios considerando três grupos de fatores: os individuais (o comportamento das pessoas), os organizacionais (a forma em que se distribui responsabilidades e liderança no ambiente de trabalho), e os estruturais (as características do prédio em si).
Segundo ela, o atentado à bomba ao World Trade Center em 1993 promoveu impacto positivo sobre a situação de segurança do prédio, o que certamente contribuiu para reduzir as mortes do 11 de setembro de 2001.
Um incêndio na cidade de Chicago despertou a necessidade de planos de emergência em prédios. No ano seguinte, houve incêndio em outro prédio, desta vez sem mortes.
DEFESA CIVIL – Três membros da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil estiveram presentes na palestra. O secretário-executivo da corporação, Tenente-Coronel Alexandre Lucas Alves, citou exemplo do desastre em Miraí; medidas tomadas após o desastre salvaram vidas numa enchente posterior.
“Há diversos estudos sobre o World Trade Center, mas esta palestra abordou o assunto de forma bastante didática e com vocabulário bem simples, permitindo que todos os presentes se conscientizassem da necessidade da prevenção de acidentes. Dados de comportamentos ideais para nos prevenirmos e, sobretudo, sabermos como nos comportarmos em um desastre. Foi fantástico”, declarou o Tenente-Coronel, que se prontificou para futuras parcerias com a UFMG.
A realização de treinos de evacuação tem ainda importante papel de inserção social. Pessoas com dificuldade de locomoção e deficientes físicos demoram mais tempo para sair dos prédios em situações de emergência.
A palestra integrou a programação do Saúde & Cultura e dos Seminários de Saúde Coletiva, do Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública, ambos com periodicidade mensal e entrada franca. A promoção é fruto de parceria entre Faculdade de Medicina, Escola de Enfermagem e Hospital das Clinicas, com apoio da Reitoria da UFMG, do IEAT e do Observatório de Saúde Urbana.
Leia também:
Desastres Contemporâneos - Lições aprendidas do World Trade Center (12 de março)


Redação: Cedê Silva – Estudante de Jornalismo
Assessoria de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG.
(31) 3248 9651. divulga@medicina.ufmg.br
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