| página 1 de 2  Esplenectomia Subtotal  Prof. Andy Petroianu Professor Titular do Departamento de Cirurgia da Faculdade de Medicina da UFMG A esplenectomia subtotal preservando o pólo superior vascularizado pelos vasos esplenogástricos tem sido realizada, desde 1984, em 86 pacientes tratados de hipertensão porta esquistossomática (67 casos), trauma esplênico grave (12 casos), metaplasia mielóide devido a mielofibrose (3 casos), doença de Gaucher (3 casos) e cistoadenoma de cauda pancreática (1 caso). Nos casos de hipertensão porta, a esplenectomia subtotal foi combinada com anastomose esplenorrenal centralizada (22 casos) ou desconexão porta-varizes (45 casos). O tratamento do cistoadenoma pancreático combinou a esplenectomia subtotal com pancreatectomia distal. Nenhum desses pacientes teve qualquer complicação relacionada à esplenectomia subtotal. A realização da esplenectomia subtotal seguiu as etapas seguintes. A cavidade abdominal pode ser aberta através de laparotomia mediana, paramediana medial esquerda ou transversa esquerda. A artéria esplênica é ligada no espaço retrogástrico. O baço é deslocado gentilmente para cima e seus ligamentos são seccionados com eletrocautério. Os vasos polares inferiores e o hilo esplênico são ligados e seccionados. Deve-se ter cuidado para se preservarem os vasos esplenogástricos que mantém a vitalidade do pólo superior. O baço é cortado no limite entre a cor normal da parte superior e a escura do restante do órgão (Figura 1a). A secção em cunha preserva uma quantidade maior de cápsula nas partes anterior e posterior do remanescente esplênico (Figura 1b). O sangramento proveniente de vasos maiores do parênquima pode ser coibido com sutura de fio de categute cromado 3-0 ou 4-0, montado em agulha de 5 cm. O sangramento menor é estagnado através de uma sutura contínua do parênquima, utilizando-se fio de categute 0 cromado. Uma segunda sutura contínua com fio de categute 2-0 cromado aproxima os dois retalhos de cápsula (Figura 1c). O coto esplênico é recolocado em seu leito e fixado com um ponto de categute cromado 3-0. A perda sangüínea é usualmente mínima e transfusões de sangue são raramente necessárias. Durante o pós-operatório, os doentes foram seguidos com exames hematológicos, imunológicos e imaginológicos (Figura 2). Nossas pesquisas mostraram que o remanescente esplênico não modifica as suas dimensões com o passar do tempo. todas as funções esplênicas são preservadas desde o segundo dia pós-operatório. Os quadros imunológico e hematológico permanecem normais. As vantagens desse procedimento são: - a preservação das funções esplênicas quando a parte distal do baço deve ser removida devido a traumas, cistos, tumores, etc.
- a preservação de uma parte funcional do baço quando é necessário ligar ou remover o pedículo esplênico;
- a manutenção de uma parte do baço sem o risco de seu crescimento, em presença de doenças que induzem ao aumento esplênico mesmo após esplenectomias parciais, quando se preserva o pedículo esplênico, como na mielofibrose e doença de Gaucher.
>> Página 2: Figuras, com legendas explicativas  REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: 1-Petroianu A. Esplenectomia subtotal e anastomose esplenorrenal proximal para o tratamento da hipertensão portal. Rev Bras Cir 1983; 73: 101-4. 2- Petroianu A. Treatment of portal hypertension by subtotal splenectomy and central splenorenal shunt. Postgrad Med J 1988; 64: 38-41. 3- Petroianu A, Ferreira VLM, Barbosa AJA. Morphology and viability of the spleen after subtotal splenectomy. Braz J Med Biol Res 1989; 22: 491-5. 4- Petroianu A. Splenic viability after segmental devascularization. Rev Paul Med 1992; 110: 39-41. 5- Petroianu A. Avaliação imaginológica da esplenectomia subtotal e anastomose esplenorrenal centralizada para o tratamento da hipertensão portal esquistossomática. Rev Méd Minas Gerais 1993; 3: 106-8. 6- Petroianu A. Subtotal splenectomy and portal-variceal disconnection in the treatment of portal hypertension. Canad J Surg 1993; 36: 251-4. 7- Petroianu A. Esplenectomia subtotal preservando o pólo superior suprido pelos vasos esplenogástricos. Rev Col Bras Cir 1994; 21: 21-6. 8- Petroianu A, Petroianu S. Anatomy of splenogastric vessels in patients with schistosomal portal hypertension. Clin Anat 1994; 7: 80-3. 9- Petroianu A. Treatment of cystadenoma of the pancreatic tail by distal pancreatectomy and subtotal splenectomy. Dig. Surg. 1995; 12: 259-61. 10- Petroianu A, Barbosa AJA. Splenic preservation based on preserved histology and phagocytic function using upper short gastric vessels. Am J Surg 1995; 170: 702. 11- Petroianu A. Subtotal splenectomy in Gaucher’s disease. Eur J Surg1996; 162: 511-3 12- Petroianu A. Subtotal splenectomy for treatment of patients with myelofibrosis and myeloid metaplasia. Int Surg 1996; 81: 177-9. 13- Petroianu A, Antunes LJ. Immune responses to surgical treatments of hepatosplenic schistosomiasis mansoni. J Int Med Res 1997; no prelo. 14- Petroianu A, Silva RG, Simal CJR et al. Late postoperative follow-up of patients submitted to subtotal splenectomy. Am Surg 1997; no prelo. 15- Petroianu A, Petroianu, LPG. A twelve-year-follow-up of subtotal splenctomy and central splenorenal shunt for treatment of schistosomatic portal hypertension. Rev Hosp São Paulo Esc Paul Med UNIFESP 1997; no prelo. |