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Protocolo de Profilaxia Pré e Pós-Exposição Ocupacional ao HIV
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Prof. J. R. Lambertucci
Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da UFMG

 


Importância do Tema

Durante o curso médico, até 40% dos alunos sofrem algum acidente profissional com materiais perfuro-cortantes e correm o risco de adquirir doenças infecciosas. Estima-se que o risco de adquirir o HIV nos acidentes com agulha encontra-se em torno de 0,3% (em cada mil acidentes com material biológico contendo o HIV, três se contaminarão). Para efeito de comparação vale lembrar que o risco de contaminação pelo vírus da hepatite C, para o mesmo tipo de exposição, aproxima-se de 3% e o risco para infecção com o vírus da hepatite B, de 30%.
 

Exposição ao HIV

Técnicos de laboratório, enfermeiras e clínicos constituem o grupo com maior número de casos documentados. A maioria dos casos ocorreu por exposição cutânea ao sangue de indivíduos portadores do vírus.

  Protocolo de Profilaxia da Exposição ao HIV 

 

Precauções Universais:

  • Usar luvas, quando em contato com sangue, fluidos corporais, mucosas, lesões cutâneas abertas.
  • Usar luvas ao manusear materiais contaminados com sangue e fluidos corporais.
  • Usar luvas durante procedimentos invasivos e punções venosas.
  • Trocar de luvas para examinar outro paciente.
  • Usar máscaras e óculos protetores ao realizar procedimentos que podem gerar gotículas de líqüidos corporais (sangue ou fluidos).
  • Usar avental longo para procedimentos invasivos.
  • Lavar as mãos e a pele imediatamente e cuidadosamente após contato com sangue e líquidos corporais.
  • Não reencapar agulhas, curvá-las ou manipular jamais!
  • Os objetos perfuro-cortantes devem ser depositados em lixeiras adequadas fabricadas com material resistente.
  • Ressuscitação boca a boca deve ser evitada. Material próprio para ressuscitação deve estar disponível.
  • Os profissionais de saúde com lesões cutâneas secretantes ou exsudativas devem evitar contato com o paciente.

 

Fluidos corporais infectantes
Não infectantes*
Sangue Fezes
Tecidos Secreção nasal
Líquor Escaro
Líquido sinovial Suor
Líquido ascítico Lágrimas
Líquido pericárdico Urina
Líquido amniótico Vômitos
Sêmem Saliva
Secreções vaginais

  *Desde que não contaminados com sangue

OBS: Em caso de contaminação, espremer o local e lavar durante 10 minutos com água e sabão.

 

Protocolo de Profilaxia da Doença, Pós-exposição ao HIV

 

Início: tão cedo quanto possível ou até 72 horas após a exposição conhecida ou potencial ao HIV.

Duração: 4 SEMANAS

  • USO INT.
    RETROVIR (ZIDOVUDINA, 100 mg) ..................... 180 COMPRIMIDOS.
    Tomar 2 comprimidos 3 vezes ao dia.
  • USO INT.
    EPIVIR (LAMIVUDINE, 150 mg).............................. 60 COMPRIMIDOS.
    Tomar 1 comprimidos 2 vezes ao dia.
  • USO INT.
    CRIXIVAN (INDINAVIR, 400 mg) ............................ 180 COMPRIDOS.
    Tomar 2 comprimidos 3 vezes ao dia.

Onde encontrar os medicamentos:
Hospital Orestes Diniz – (031) 273-5626

Exames Antes do Tratamento:

  • Exame clínico
  • Hemograma completo
  • Provas de função hepática
  • Amilase e lipase séricas
  • Testes de função renal
  • Urina rotina

Acompanhamento

Repetir os exames a cada 2 semanas enquanto estiver recebendo os medicamentos. Repetir com 6 semanas, 6 meses e 12 meses.

Testes para HIV

Logo após o contato (excluir contato anterior com o HIV), 6 meses e 12 meses após o contato. Antígeno para HIV, PCR-RNA e cultura se há sintomas de infecção aguda em indivíduo soronegativo.


E-mail: Prof. J. R. Lambertucci

Referências bibliográficas

Gerberding JL (1996). Prophylaxis for occupational exposure to HIV. Annals of Internal Medicine 126: 497-501.

Henderson DK (1997). Postexposure treatment of HIV – taking some risks for satefy’s sake. New England Journal of Medicine 337: 1542-1543.

 

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