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Marisa Lages Ribeiro Jorge Andrade Pinto
O que são doenças alérgicas? Doenças alérgicas ocorrem em indivíduos que apresentam sensibilidade exagerada a determinados antígenos. A capacidade de produzir imunoglobulina E (IgE) frente a estímulos antigênicos ambientais é o que diferencia o indivíduo alérgico do não alérgico. Sua ocorrência é bastante comum, acometendo 20 a 25% da população, e tem aumentado nas últimas décadas. Hereditariedade e fatores ambientais estão envolvidos na gênese das doenças alérgicas. Filhos de pais alérgicos têm 60 a 70% de chance de desenvolver alergias, se apenas um dos pais é alérgico as chances são de 30 a 35%. A exposição ambiental a alergenos é determinante na forma de apresentação, época de aparecimento e gravidade dos sintomas alérgicos. Como a alergia se manifesta? A alergia manifesta-se de forma e graus variados de acordo com o orgão acometido e com a sensibilidade do indivíduo. O paciente pode apresentar manifestações cutâneas como prurido, eczema, urticária e angioedema; nasais como crises de espirros, prurido, rinorréia e obstrução; oculares como prurido, hiperemia e lacrimejamento; pulmonares como tosse, sibilância e dispnéia; digestivos como náuseas, vômitos e diarréia; e até sintomas gerais graves hipotensão, anafilaxia e morte. Qual a importância de se diagnosticar a alergia? Uma vez identificada a sensibilidade a determinado antígeno, medidas de prevenção ou redução da exposição a este antígeno influenciam a época de aparecimento e gravidade dos sintomas alérgicos. Sabe-se também que quanto mais precoce for instituído o tratamento apropriado, melhor será a sua resposta. Qual a melhor forma de identificar a alergia? Os testes cutâneos de puntura (prick testes) são a forma mais simples, eficaz, rápida e barata no diagnóstico de doenças alérgicas. Através deles é detectada IgE antígeno-específica que se encontra ligada à superfície de mastócitos teciduais. Entretanto, para que seu significado clínico tenha valor é fundamental que ele seja feito por profissional treinado, utilizando técnica correta. Além disto o paciente deve certificar-se que o extrato é purificado, de boa qualidade e tenha sua potência estabelecida de acordo com padrões internacionais em unidades alergênicas (allergen units -- AU), evitando-se extratos caseiros, impuros e de baixa qualidade técnica. Os testes cutâneos podem ser realizado em qualquer faixa etária. Porém sua sensibilidade é reduzida em crianças menores de 2 anos e adultos idosos. Além dos antígenos específicos escolhidos de acordo com o quadro clínico do paciente, a utilização de controle negativo (diluente) e controle positivo (histamina) reduz as chances de resultados falsos e facilita a interpretação. Particularmente importante é a interpretação de testes com antígenos alimentares que devem ter correlação clínica a fim de evitarmos restrições dietéticas injustificadas. Em outras palavras, teste alérgico positivo para alimento não implica necessariamente em sintomatologia clínica. A dosagem de IgE específica no sangue, através do método RAST ou modificações, é útil em casos selecionados tais como crianças pequenas, pacientes com dermatoses extensas ou em uso de antihistamínicos. Quem devemos procurar? Pacientes com manifestações alérgicas leves podem ser acompanhados pelo pediatra ou clínico geral. Entretanto, para esclarecimeto diagnóstico, acompanhamento de casos complexos e tratamento específico, os pacientes devem ser encaminhados ao especialista. Profissionais habilitados devem ter recebido treinamento formal em instituições credenciadas e possuirem o Título de Especialista conferido pela Sociedade Brasileira de Alergia e Imunopatologia. Profissionais de outras áreas como otorrinolaringologistas, dermatologistas e pediatras devem abster-se da realização de testes cutâneos e aplicação de imunoterapia. Quais as formas de tratamento utilizadas na alergia? A prevenção, evitando-se o contato com os possíveis agentes desencadeantes, deve ser o objetivo primário do tratamento. Entretanto, quando por motivos diversos, não for possível afastar o agente, e a sintomatologia do paciente for significativa devemos lançar mão de medicamentos capazes de causar alívio dos sintomas avaliando-se sempre seus possíveis efeitos adversos. Em resumo dispomos das seguintes categorias de medicação:
Quando está indicado o tratamento com vacinas? A imunoterapia, injeção subcutânea de concentrações progressivas de extratos alergênicos, está indicada em casos de rinite, asma, conjuntivite alérgica e reações a picada de himenópteros (abelha, vespa e marimbondo) quando o tratamento medicamentoso e medidas ambientais não são suficientes para o controle dos sintomas. Entretanto tem sido utilizada de forma abusiva eem indicações discutíveis, apenas onerando o tratamento do paciente sem oferecer real benefício clínico. É importante ressaltar a grande variação dos preços praticados e a utilização de extratos alergênicos de baixa qualidade em nosso meio. Da mesma forma que o teste alérgico, a imunoterapia deve ser realizada por profissional capacitado, utilizando técnica e material de ótima qualidade, por um período mínimo de 3 anos, e em local apropriado para tratar possíveis reações adversas associadas à aplicação. O que não deve ser feito? Existem algumas práticas controversas adotadas no manejo de doenças alérgicas, que falharam em apresentar eficácia clínica em estudos controlados. Entre elas citam-se a utilização de vacinas antibacterianas nos casos de furunculose; vacinas para candidíase recorrente; vacinas autógenas (preparadas a partir de material do próprio indivíduo); vacinas para alimentos; vacinas orais; recomendação de corte curto de cabelo; banhos frios e outras.
Resumo Doenças alérgicas são patologias frequentes na população pediátrica com componente hereditário e ambiental associados, têm amplo espectro de manifestações e devem ser tratadas com seriedade por profissional habilitado. É importante que a classe médica e a população conheçam o que são consideradas as boas práticas da especialidade e rejeitem as práticas controversas e desprovidas de suporte científico. Nunca é demais enfatizar que o objetivo de qualquer intervenção médica deve ser uma melhor qualidade de vida do paciente, alcançada da maneira mais simples e eficaz disponível. Com este objetivo, o Comitê de Alergologia e Imunologia da Sociedade Mineira de Pediatria pretende divulgar as boas práticas da especialidade en\m publicações voltadas para a população e a classe médica e coloca-se à disposição para quaisquer dúvidas e sugestões.
Comitê de Alergologia e Imunologia da SMP:
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