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Prof.a Ana Cristina Simões e Silva
>> Hipernatremia
I. Desvios da Concentração de Sódio A hipernatremia deve ser tratada quando a [Na+] > 160 mEq/l. A correção da hipernatremia crônica (> 12 h de instalação) deve durar, no mínimo, dois dias, não excedendo a taxa de queda de 0.7 mEq/l/h na [Na+] a fim de evitar o aparecimento de edema cerebral. Nesses casos o paciente é abordado da seguinte forma:
Somente a hipernatremia aguda (poucas horas) sintomática ou com sódio sérico acima de 180 mEq/l deve ser tratada rapidamente. Nesses casos especiais alguns autores recomendam o uso de SGI 5% num volume capaz de reduzir a [Na+] até 170 mEq/l. O volume de SGI 5% a ser usado é calculado a partir do déficit de água livre (DAL):
Na prática, pode ser estabelecido que será necessária a infusão de 4 ml/Kg de SGI 5% para cada 1 mEq/l que se queira reduzir na concentração de sódio. A hiponatremia deve ser abordada mais atentamente quando [Na+] < 120 mEq/l. A abordagem terapêutica dependerá da intensidade, da volemia do paciente e do tempo de instalação do distúrbio (agudo > 24 a 48 horas ou crônico). A correção rápida da hiponatremia (< 12 horas) é benéfica quando diante de um quadro de edema cerebral agudo, porém há o risco do aparecimento da "mielinólise pontina central". Recomendações para o tratamento:
Método de correção rápida da hiponatremia:
Fórmula para o cálculo da necessidade de sódio: Necessidade de Na+ = (Na+ desejado - Na+ dosado) x Água Corporal Total
II. Desvios da Concentração Sérica de Potássio É definida pela [K+] sérico > 5.5 mEq/l na criança maior e > 6.0 mEq/l no RN, geralmente indicando um aumento no K+ corporal ou apenas um desvio do íon do IC para o EC. A hipercalemia resulta, então, da redistribuição do K+ entre os compartimentos, dos aportes exógeno ou endógeno aumentados associados à excreção renal inadequada. Da mesma forma que para a hipocalemia, deve-se buscar o tratamento etiológico do distúrbio, não se esquecendo de avaliar fatores que interferem com a distribuição e excreção do K+. Na hipernatremia é indispensável a realização do ECG. A presença de anormalidades ao ECG é uma indicação para a terapêutica imediata. As medidas terapêuticas de emergência podem ser divididas em 3 categorias: 1. Reverter os efeitos da hipercalemia sobre as membranas celulares: Uso de infusão EV de Cálcio na dose de 0.5 a 1.0 ml/kg de Gluconato de Cálcio 10% a ser infundido em 5 min e podendo ser repetido em 5-10 min. O efeito é imediato e dura 30 a 60 minutos. 2. Aumentar o desvio de K+ do EC para o IC: Uso de glicose na dose de 0.5 a 1.0 g/kg EV por 15 a 30 min. ou solução polarizante, glicose + insulina (1 U/cada 3 g de glicose). O efeito se inicia em 30 minutos e dura aproximadamente 4 a 6 horas. Uso de NaHCO3 na dose de 1-2 mEq/Kg EV em 5-10 min. de infusão. O efeito se inicia em 5-10 min. e dura aproximadamente 2 horas, podendo-se repetir a infusão. Os agonistas de receptores beta 2 adrenérgicos têm sido recentemente utilizados tanto por via inalatória quanto por via endovenosa, nas mesmas doses recomendadas para o tratamento do broncoespasmo. Deve-se, no entanto, atentar para os seguintes aspectos: o uso por via inalatória produz efeitos mal controlados sobre a concentração de K+ e a via endovenosa é bastante arritmogênica. Portanto, essas drogas não devem ser usadas como medida isolada no tratamento da hipercalemia. 3. Remover o K+ do corpo: Com a função renal preservada: uso de diuréticos de alça. Com a função renal comprometida: uso de resinas de troca de K+ a nível do TGI, como o Sorcal que troca K+ por Ca+2, que pode ser iniciado na dose 0.5-1.0 g/Kg/dose em 3-6 doses diárias e terapêuticas dialíticas (hemodiálise e diálise peritoneal).
A escolha da forma de repor o K+ irá depender da magnitude do déficit. Deve-se sempre ter em mente o tratamento etiológico do distúrbio. É necessário também abordar fatores complicantes (distúrbios ácido-básicos, doenças renais) associados que possam interferir com a distribuição e a excreção do K+. Assim:
Observações: a) Os valores utilizados acima para definir a gravidade dos distúrbios do potássio são válidos para crianças acima de dois anos, pois, para recém-nascidos e lactentes, as concentrações séricas de potássio são mais elevadas, como pode ser visto no quadro abaixo:
b) Convém destacar que o K+ não deve ser diluído em soluções glicosadas ou ricas em Na+, recomendando-se, de preferência, a diluição em ABD. Pois, ao se utilizar soluções glicolisadas, produz-se a liberação de insulina e a entrada de K+ para o interior da célula. Quando o K+ é diluído numa solução rica em sódio, desencadeia-se um aumento da excreção renal de K+ com o aumento das [Na+] que chegam aos túbulos distais dos rins.
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