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Gripe Aviária, a epidemia do século XXI
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Cássio da Cunha Ibiapina*, Antonio Carlos de Castro Toledo Jr.**, Renata Marcos Bedran***
* Professor do Departamento de Pediatria da Universidade Federal de Minas Gerais
**Presidente da Sociedade Mineira de Infectologia. Professor do curso de medicina da Unifenas- BH, Doutorando em Medicina Tropical da Universidade Federal do Triângulo Mineiro
***Aluna do curso de medicina da Universidade Federal de Minas Gerais

A primeira epidemia de gripe aviária, conhecida popularmente como gripe do frango, foi registrada em Hong Kong em 1997. Na época, 18 pessoas foram hospitalizadas, sendo que seis dessas morreram. Embora não transmissível por contato entre pessoas, aproximadamente 1,5 milhão de frangos foram sacrificados para prevenção da disseminação do vírus. O vírus da gripe aviária é semelhante ao vírus da gripe humana, conhecido como Influenza. A origem do nome vem da expressão italiana “influenza di freddo” (influência do frio), devido ao fato da doença ser muito comum no inverno. A gripe humana foi responsável por uma das pandemias (epidemia que atinge mais um continente) de mais mortais que se tem registro na história da humanidade, que ficou conhecida como Gripe Espanhola. Entre 1918 e 1919, estima-se que de 40 a 100 milhões de pessoas morreram em todo o mundo devido à gripe. Ocorreram outras duas pandemias de gripe no século passado a Gripe Asiática, em 1957-58, e a Gripe de Hong-Kong, em 1968-69. Nenhuma tão devastadora como a de 1918-19. A gripe é transmitida através do contato próximo entre as pessoas, principalmente por gotículas de saliva. Sua disseminação é rápida e ela ocorre principalmente no inverno, quando as pessoas estão mais próximas e os ambientes ficam mais fechados (com menos circulação de ar), o que facilita a transmissão.

Qual a relação entre a gripe aviária e a gripe humana?

            A gripe aviária é transmitida facilmente entre aves de diferentes espécies, podendo acometer aves migratórias, o que facilita sua disseminação entre diferentes continentes e dificulta seu controle. A transmissão do vírus aviário para o homem é rara e geralmente ocorre apenas em casos de contato próximo e freqüente com o animal doente. Apesar da dificuldade de transmissão, a gripe aviária é grave em seres humanos, apresentando alta taxa de letalidade. Entre dezembro de 2003 e fevereiro de 2006 foram registrados pela Organização Mundial de Saúde 169 casos de gripe aviária em seres humanos, com 91 óbitos. Os países com casos confirmados são: Camboja, China, Indonésia, Iraque, Tailândia, Turquia e Vietnã. No entanto, já foram identificadas aves infectadas em vários outros países, incluindo Itália, Bulgária, Romênia e Ucrânia.
            A grande preocupação da Organização Mundial de Saúde é que ocorra alguma mutação no vírus aviário, que permita que ele se torne facilmente transmissível entre seres humanos. Isto pode ocorrer através de três mecanismos diferentes. O primeiro é a adaptação do vírus aviário ao homem através de uma espécie intermediária, como o porco. O segundo é a troca de material genético entre o vírus humano e o aviário. Para isto, seria necessário que um homem fosse infectado pelos dois tipos de vírus ao mesmo tempo. O último mecanismo é a ocorrência de uma mutação genética no vírus aviário. Este último parece ter sido o que ocorreu com a Gripe Espanhola, de acordo com estudos publicados no final de 2005. Para que qualquer uma dessas alterações ocorra, é necessário o contato constante do vírus aviário com o homem, que vem ocorrendo desde dezembro de 2003. É importante destacar que é impossível prever se alguma dessas alterações vai ocorrer e quando ocorrerá. Entretanto, enquanto o homem estiver exposto à gripe aviária, existirá risco de adaptação da doença a ele e de uma pandemia de gripe aviária em seres humanos.

Medidas de controle

            As principais medidas de controle da gripe aviária são: o sacrifício das aves doentes ou possivelmente contaminadas e a prevenção do contato de aves migratórias com aves de criação. No caso de acometimento de seres humanos, existem dias opções: a profilaxia medicamentosa das pessoas que foram potencialmente expostas ao vírus e a vacinação. No entanto, o processo de desenvolvimento da vacina pode ser lento (2 a 6 meses), o que limita sua utilização na prática.

            Até o presente momento, não há registro de casos de gripe aviária no Brasil. O Ministério da Saúde traçou plano emergencial de controle da gripe aviária, caso ocorra uma pandemia da doença. Este plano inclui a instalação de uma rede sentinela de vigilância, laboratórios capacitados para diagnóstico da doença e vigilância de aves migratórias, entre outras. Existe também a possibilidade de produção da vacina no Brasil. Essas medidas brasileiras somam-se ao esforço de todo mundo em conter a expansão da gripe aviária, prevenindo assim uma pandemia em seres humanos.

 

Saiba mais detalhes sobre a gripe
1. Ibiapina CC, Costa GA, Faria AC. Influenza A aviária (H5N1) - a gripe do frango. J Bras Pneumol. 2005; 31(5):436-44.
2-  Toledo Jr. ACC. Pragas e Epidemias. Histórias de Doenças Infecciosas. Belo Horizonte: Editora Folium, 2006.
3- Ministério da Saúde do Brasil – www.saude.gov.br/svs
4- Organização Mundial de Saúde – www.who.int
5 – Centros de Controle de doença – www.cdc.gov

 

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