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PEDICULOSE:
RESISTÊNCIA OU TRATAMENTO INADEQUADO?

Cláudia
Márcia de Resende Silva
Médica Dermatologista do HC-UFMG - Mestre em Dermatologia
Profª
Luciana Baptista Pereira
Professora Assistente da Dermatologia - Faculdade de Medicina - UFMG
Prof.
Bernardo Gontijo
Professor Adjunto da Dermatologia - Faculdade de Medicina - UFMG
A
pediculose é muito prevalente, principalmente nos escolares.
Nos últimos anos, o surgimento de resistência aos produtos
comumente utilizados no tratamento (lindano, piretrinas, piretróides
entre outros) tem sido muito discutido. Considera-se como resistência
ou falha de tratamento o encontro do piolho vivo 24 horas após
um tratamento adequado.
Entretanto,
a principal causa de falha no tratamento não é a resistência
aos produtos e sim o tratamento incorreto. Dentre as causas de tratamento
inadequado estão: ausência de aderência ao tratamento;
o uso impróprio do produto; a não retirada das lêndeas
viáveis e o uso de produtos fora da validade.
Para
que o tratamento seja considerado eficaz, o pediculicida deve ser aplicado
cuidadosamente e em volume adequado em duas ocasiões diferentes,
com uma semana de intervalo entre as mesmas. O pediculicida mais recomendado
é a permetrina 1%. O uso de pente fino, de preferência
de metal, deve ser incentivado neste intervalo e até uma semana
após o tratamento completo.
Os
cabelos devem estar limpos e secos quando da aplicação
do pediculicida. O uso do produto nos cabelos molhados reduz a eficácia
do tratamento. A presença de água nos cabelos ocasiona
a diluição do produto e também desencadeia o fechamento
reflexo do aparelho respiratório do inseto reduzindo a penetração
do inseticida em seu organismo. Orienta-se evitar o uso de xampus com
condicionadores (2 em 1) antes da aplicação do produto.
O condicionador cria uma película nos fios, interferindo na ligação
do pediculicida aos mesmos, o que acarretará em uma redução
no efeito residual do produto.
Quantidades
insuficientes são outro problema, principalmente em cabelos grandes
e crespos. Dar especial atenção às regiões
occipitais e retroauriculares durante a aplicação do pediculicida.
Deve-se deixar o produto no cabelo por 10 a 20 minutos, enxaguar e não
lavá-los mais nas próximas 24 horas. Como nenhum produto
elimina totalmente as lêndeas, estas devem ser retiradas e o tratamento
repetido após uma semana da primeira aplicação.
Para facilitar a retirada das lêndeas pode-se molhar os cabelos
em uma solução de água com vinagre (diluição
1:1).
Os
contatos devem ser examinados e tratados, para evitar o risco de reinfestação.
Recomenda-se o tratamento profilático das crianças que
dormem no mesmo quarto. Desaconselha-se a exclusão da escola.
Os pais devem ser notificados e o tratamento realizado antes do retorno
escolar no dia seguinte. Os colegas de sala devem ser examinados e tratados
se infestados. As roupas podem ser lavadas em água quente e os
pentes e escovas colocados em imersão em água quente ou
lavados com os xampus de pediculicida, apesar de não serem fontes
importantes de contaminação.
A
detecção de piolhos vivos após 24 horas de um tratamento
adequado sugere resistência ao tratamento. O tratamento deverá
ser repetido com um pediculicida diferente do utilizado. Outra opção
é o uso da permetrina mais concentrada (5%) e por um período
mais prolongado (por uma noite). A ivermectina surgiu como opção
para os casos resistentes. Recomenda-se duas doses de 200 mg/kg cada,
por via oral, com intervalo de uma semana entre elas.
Bibliografia
Witkowski JA, Parish
LC. Pediculosis and resistence: the perennial problem. Clinics
in Dermatology 2002;20(1):87-92.
American Academy
of Pediatrics. Pediculosis Capitis. In: Pickering LK, ed. 2000 Red Book:
Report of the Committee on Infectious Diseases. 25th ed. Elk Grove Village,
IL; American Academy of Pediatrics; 2000:427-29.
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