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SAÚDE DA FAMÍLIA

Claudia
Regina Lindgren Alves
Professora
assistente, membro do Grupo de Pediatria Social
Representante do Departamento de Pediatria no Curso de Especialização
em Saúde da Família-UFMG
Desde
de sua implantação em 1994, o Programa de Saúde
da Família (PSF) tem sido a pauta de inúmeras discussões
em diversos fóruns por todo o país. Discute-se desde seus
princípios até sua estruturação nos municípios,
passando pela composição das equipes, capacitação
dos profissionais, formas de financiamento, regularização
trabalhista e uma imensa lista de temas. Debatem profissionais, gestores,
especialistas, catedráticos, técnicos e população.
Polêmico
por natureza, o PSF surge com a perspectiva de mudança de paradigmas
no trato com a saúde pública, que, longe de tratar-se
de "uma medicina pobre para os pobres", representa um passo
a mais na consolidação dos princípios básicos
do Sistema Único de Saúde (SUS) - universalização,
descentralização, integralidade, eqüidade e participação
social. Tem como principal objetivo reorganizar a atenção
básica a partir de um novo processo de trabalho comprometido
com a solução dos principais problemas de saúde
da população, através de ações de
caráter individual ou coletivo, voltadas para a promoção
da saúde, a prevenção de agravos, o tratamento
e a reabilitação. Esse novo modelo assistencial cria as
condições necessárias para um sistema de saúde
centrado na qualidade de vida das pessoas e do meio ambiente.
O programa
tem como princípios:
 "-
integralidade e hierarquização - a Unidade de Saúde
da Família está inserida no primeiro nível de ações
e serviços do sistema local de assistência, denominado
atenção básica. Deve estar vinculada à rede
de serviços, de forma que se garanta atenção integral
aos indivíduos e famílias e a referência/contra-referência
para clínicas e serviços de maior complexidade, sempre
que o estado de saúde da pessoa assim exigir;
 -
territorialização e cadastramento da clientela - a Unidade
de Saúde da Família trabalha com território de
abrangência definido e é responsável pelo cadastramento
e o acompanhamento da população vinculada (adscrita) a
esta área;
 -
equipe multiprofissional - cada equipe do PSF é composta, no
mínimo, por um médico, um enfermeiro, um auxiliar de enfermagem
e de quatro a seis agentes comunitários de saúde (ACS).
Outros profissionais - a exemplo de dentistas, assistentes sociais e
psicólogos - poderão ser incorporados às equipes
ou formar equipes de apoio, de acordo com as necessidades e possibilidades
locais" (www.saude.gov.br - agosto/2002).
Cada
equipe de saúde da família (ESF) deve estar capacitada
para:
 ·
conhecer a realidade das famílias pelas quais é responsável;
 ·
identificar os principais problemas de saúde e situações
de risco a que a população está exposta;
 ·
elaborar um plano local para o enfrentamento dos determinantes do processo
saúde/doença, com a participação da comunidade;
 ·
prestar assistência integral de forma contínua e racional
no nível do cuidado primário;
 ·
desenvolver ações educativas e intersetoriais.
Até
outubro de 2002, haviam sido implantadas 2.181 equipes de Saúde
da Família em Minas Gerais, o que corresponde a uma cobertura
de 40,7% da população do Estado. No Brasil, 75,3% dos
municípios tinham pelo menos uma ESF funcionando e as 16.192
equipes assistiam a aproximadamente 28,4% da população,
o que representa 56 milhões de indivíduos (www.saude.gov.br
- abril/2003).
O
Programa de Saúde da Família da Prefeitura Municipal de
Belo Horizonte -BHVIDA - está sendo implantado desde de fevereiro
de 2002 e tem como objetivo a reorganização de todo o
sistema de saúde a partir da atenção básica.
As ESF estão sendo estruturadas prioritariamente nas áreas
de elevado risco de adoecer e morrer, o que corresponde a uma cobertura
de aproximadamente 500.000 habitantes do município.
O
novo modelo assistencial traz desafios importantes não só
para os gestores, mas também para as universidades, no que diz
respeito à formação de recursos humanos adequados
a essa proposta de trabalho. Essa demanda exige que a graduação
e a pós-graduação das "profissões da
saúde" sejam repensadas. Exige também o estímulo
à educação permanente como forma de aperfeiçoamento
dos profissionais e do próprio programa.
O
Grupo de Pediatria Social tem se empenhado em refletir sobre o papel
do Departamento de Pediatria (PED) da UFMG neste novo cenário.
Entendemos que nosso compromisso primordial deva ser com a qualidade
da assistência prestada à criança e ao adolescente.
Com essa preocupação, estamos desenvolvendo projetos de
ensino e pesquisa que possam ajudar a estabelecer não só
os conteúdos de saúde da criança e do adolescente
prioritários e indispensáveis à formação
do médico de família, mas também metodologias de
ensino capazes de estimular práticas inovadoras no cuidado da
saúde.
Enquanto
espaço privilegiado de produção de conhecimentos,
é preciso que o PED reforce sua tradição de pesquisa
voltada para a solução dos problemas de saúde da
população infanto-juvenil, contribuindo com o aprimoramento
da estratégia de Saúde da Família. Alguns grupos
de especialidades do PED já têm dado sua valiosa contribuição
na capacitação de médicos da família. Nossa
contribuição poderá ir além disso, na medida
em que pudermos gerar conhecimentos necessários ao exercício
pleno, responsável e resolutivo da atenção básica
à saúde.
As
discussões sobre o PSF certamente estão longe de terminar
e é muito saudável que assim seja. Os resultados ainda
não sabemos quais serão, mas nosso envolvimento pode fazer
toda diferença!!
Bibliografia
ARRUDA, B.K.G. (org.).
A educação profissional em saúde e a realidade
social. Recife: Instituto Materno-infantil de Pernanbuco (IMIP), Ministério
da Saúde, 2001. 318p.
BELO HORIZONTE.
SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE. BHVIDA - promoção
de saúde e organização dos serviços. Belo
Horizonte. Secretaria Municipal de Saúde, 2000. (mimeo).
BRASIL.MINISTÉRIO
DA SAÚDE. SECRETARIA DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE.
COORDENAÇÃO DE SAÚDE DA COMUNIDADE. Saúde
da Família: uma estratégia para a reorientação
do modelo assistencial. Brasília.
Ministério da Saúde, 1998. 2 ed. 36p.
CORDEIRO, H. Os
desafios do ensino das profissões da saúde diante das
mudanças do modelo assistencial: contribuição para
além dos pólos de capacitação em saúde
da família. Divulgação em saúde para debate,
n.21, p. 36-43, 2000.
www.saude.gov.br/saudedafamilia
- abril/2003
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