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Caso 18

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Paciente do sexo masculino, 12 anos, com história de dor na face lateral do joelho, iniciada há duas semanas.

De acordo com a história clínica e as imagens, o diagnóstico mais provável é:

a) Cisto Ósseo Aneurismático

25%

b) Displasia Fibrosa

25%

c) Osteoblastoma

25%

d) Osteossarcoma

25%
 

 

Análise da Imagem

Radiografia em AP do terço proximal da perna esquerda de paciente jovem (com a fise aberta) evidenciando lesão expansiva de aspecto lítico, que promove afilamento e insufla a cortical da fíbula proximal, sem sinais de esclerose óssea circunjacente. Apresenta aspecto em “bolha de sabão”. Identifica-se pequena área de fratura no aspecto medial da lesão.

Ressonância Magnética em vários planos da anatomia, nas ponderações T1 e T2, com e sem supressão de gordura, mostrando lesão expansiva de aspecto multiloculado, insuflativa, afilando a cortical, com múltiplos níveis líquido-líquido que contem material hemático em seu interior, associada a sinais de edema nos tecidos moles adjacentes e fratura patológica medial.

Diagnóstico

LETRA A: Resposta certa. De acordo com a idade, queixa do paciente e características radiológicas da lesão (bordas bem definidas, sem esclerose, aspecto insuflativo, presença de nível líquido-líquido e aparência de “bolhas de sabão”) o diagnóstico mais provável é cisto ósseo aneurismático.

LETRA B: Displasia fibrosa é uma lesão benigna, na qual o osso é substituído por tecido conjuntivo. É mais comum na adolescência e no sexo masculino. Pode acometer um osso ou vários ossos (respectivamente forma monostótica e poliostótica), tem preferência pelo fêmur distal, tíbia, arcos costais e crânio. A maioria dos pacientes é assintomática, porém podem ocorrer dor e edema localizados. À radiografia simples, observa-se lesão que compromete predominantemente a diáfise, com aspecto de “vidro despolido”

LETRA C: Osteoblastoma é um tumor benigno, raro, mais comum em homens na segunda década de vida. Os pacientes relatam dor crônica localizada, que respondem pouco aos antiinflamatórios não-esteróides. À radiografia, observa-se lesão radiotransparente, arredondada, de limites bem definidos e usualmente maior que dois cm de diâmetro. Frequentemente, é necessário complementação com exames de imagem mais complexos, como Ressonância Magnética ou Tomografia Computadorizada, para melhor caracterização da lesão.

LETRA D: O osteossarcoma é um tumor maligno primário dos ossos, raro, mais comum no sexo masculino, na adolescência. A maioria dos pacientes queixa dor localizada, com duração de meses associada a aumento de partes moles. Tem preferência por metáfises de ossos longos, como fêmur distal, tíbia proximal e úmero proximal. Radiologicamente, a lesão tem aspecto destrutivo, com aparência agressiva, limites mal definidos, com zona de transição larga, observando-se, em geral, calcificações amorfas em seu interior, relacionadas à presença de matriz osteóide. No caso em questão, a lesão se apresenta com limites bem definidos, aspecto insuflativo e ausência de massa de partes moles associada, o que torna esse diagnóstico pouco provável.

Discussão do Caso

Cisto Ósseo Aneurismático é uma lesão osteolítica, benigna, expansiva, constituída por espaços cheios de sangue. Pode acometer qualquer parte do esqueleto, sendo mais comum em ossos longos e coluna vertebral. Em muitos casos, tem crescimento rápido com destruição do osso. Pode ser primário ou secundário a uma lesão preexistente. Quando primária, tem seu início em uma malformação arteriovenosa do osso e sua pressão hemodinâmica estabelece o cisto. O termo cisto ósseo aneurismático traz confusões, pois a lesão não é um aneurisma verdadeiro, nem um cisto verdadeiro, visto que não há revestimento epitelial.

É mais comum ocorrer em adolescentes do sexo feminino. Tipicamente causa dor localizada, pode se apresentar com fraturas patológicas, claudicação e edema à medida que a lesão aumenta de tamanho. Lesões na coluna vertebral podem causar sintomas neurológicos devido à compressão de raízes nervosas.

A radiografia simples é o melhor exame para avaliação inicial de tumores ósseos, estabelecendo o diagnóstico com alta acurácia na maioria dos casos. Em cerca de 80 a 90% dos casos, tumores benignos podem ser diagnosticados apenas com a avaliação das características à radiografia convencional e pelos dados  epidemiológicos, como a faixa etária do paciente. No caso analisado, as características radiológicas que permitem a caracterização de cisto ósseo aneurismático são: lesão bem delimitada, de aspecto lítico, expansiva e insuflativa. As lesões são circunscritas e adquirem a aparência de “bolhas de sabão”, que são secundárias à persistência das trabéculas ósseas, além de se observar níveis fluidos. O tratamento consiste na excisão, curetagem e enxerto ósseo do cisto. Cauterização química ou crioterapia podem ser necessárias em alguns casos.

Aspectos relevantes

- É uma lesão vascular expansiva benigna.

- 90% ocorrem em indivíduos menores de 20 anos, com a fise aberta.

- Apresenta-se como dor ou edema localizado.

- Acomete preferencialmente a coluna vertebral, fêmur e tíbia.

- O diagnóstico diferencial é feito principalmente com osteoblastoma, displasia fibrosa e osteossarcoma.

Referências

1. www.uptodate.com - Overview of benign bone tumors in children and adolescents.

2. www.uptodate.com - Osteosarcoma: epidemiology, pathogenesis, clinical presentation, diagnosis, and histology.

3. Silva EDO, Gomes ACA, Raimundo RC, et AL. Cisto Ósseo Aneurismático: Relato de Caso e Revisão da Literatura, Rev. Cir. Traumatol. Buco-Maxilo-Fac., 2007; 7:9-18.

Responsável

Marianna Amaral Pedroso - aluna do 11º período de Medicina da FM-UFMG. E-mail: nana_medicina[arroba]yahoo.com.br

Orientadora

Profa. Luciana Costa Silva, Professora-Assistente do Departamento de Propedêutica Complementar, Faculdade de Medicina da UFMG. E-mail: costaluciana[arroba]ufmg.br

 

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