Metade dos exames de tireóide podem ser falso-negativos

Publicado em Divulgação científica
02 de setembro de 2010

Pesquisa comprova que existem problemas na metodologia atualmente usada para identificar nódulos palpáveis na glândula tireóide. Exame citológico é a principal referência de médicos para determinar indicação de cirurgia tireoidiana

Entre 4% e 7% das pessoas possui nódulos tireoidianos palpáveis e até 70% da população geral brasileira pode apresentar algum tipo de nódulo na glândula tireóide identificado ao exame de Ultrassom do pescoço.

O problema é que o exame citológico de Punção Aspirativa com Agulha Fina (Paaf), não é tão eficiente como se pensa. Comumente indicado por endocrinologistas, o exame é aplicado para orientar a necessidade de enfrentar uma mesa cirúrgica por causa de problemas na glândula tireóide.

O alerta foi feito pelo cirurgião de cabeça e pescoço Orlando Barreto Zocratto (Foto), em sua pesquisa de doutorado em Medicina na área de gastroenterologia, pela UFMG.

Comumente indicado por endocrinologistas, o exame é aplicado para orientar a necessidade de enfrentar uma mesa cirúrgica por causa de problemas na glândula tireóide.

Ele comprovou que, independentemente da experiência profissional do examinador, os resultados apresentaram taxas elevadas de falso-negativos. Isto significa que o paciente tem o câncer de tireóide, mas o resultado da Paaf foi de ausência de tumor.

“Além da história clínica, do exame físico e de outros procedimentos complementares, tais como o ultrassom e exames de sangue, os médicos acreditam muito na Paaf”, observa Zocratto. “Os examinadores parecem estar usando critérios subjetivos no ato da análise”.

O estudo

Zocratto comparou, de várias formas, 74 exames realizados por dois especialistas. Um recém-formado, que realiza 40 exames por ano, e outro com 25 anos de profissão, que realiza cerca de 500 exames anuais.

Os resultados do estudo mostraram que o índice de falso-negativo é alto: de 25% a 50% do total de exames realizados. De todas as amostras analisadas, 17 continham tumores malignos.

Porém, apenas 4 a 6 foram identificados pela Paaf, independentemente da experiência do examinador. Portanto, um número elevado de pacientes pode ter seu tumor não identificado e,

em consequencia disso, não tratado.

Método

“Tivemos uma grande preocupação com o método. Precavemos todos os problemas imagináveis.

Por exemplo, os patologistas não conheciam um ao outro e nem sabiam que analisariam o mesmo material seis meses depois”, esclarece o autor. Depois, os resultados foram comparados de variadas formas.

As comparações permitiram evidenciar que, mesmo depois de seis meses, existe grande repetição dos resultados emitidos por um mesmo examinador. Quando houve discordância entre dois

resultados do mesmo examinador a percentagem da variação foi insignificante.

Por outro lado, além do alto número de diagnósticos equivocados, a comparação entre os resultados encontrados pelo profissional mais jovem e pelo mais experiente foi muito diferente. “Isso é grave, uma vez que estamos falando de um paciente que vai ou não ser operado a partir desse laudo”, destaca o cirurgião.

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SERVIÇO
Título: Estudo citológico da glândula tireóide: comparação (intra e interexaminador) dos resultados com o exame histológico das peças cirúrgicas
Programa: Pós-graduação em medicina – Area de concentração em Gastroenterologia
Nível: Doutorado
Autor: Orlando Barreto Zocratto
Banca Examinadora:
Prof. Paulo Roberto Savassi Rocha/ Orientador – UFMG
Prof. Alfredo José Afonso Barbosa – UFMG
Prof. Marcelo Dias Sanches – UFMG
Prof. Fausto Edmundo Lima Pereira – UFES
Prof. Marcelo Militão Abrantes – Faculdade de Medicina de Barbacena
Data da defesa: Julho de 2010
Assessoria de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG
jornalismo@medicina.ufmg.br




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