Carne vermelha e ovos aumentam o colesterol?
Cardiologista rebate afirmações a respeito de alimentos tidos como heróis ou vilões do controle do colesterol.
28 de novembro de 2025 - alimentação, Cardiologia, Clinica médica, colesterol, Nutrição
Há muito se discute o papel de alimentos como ovos fritos e carne vermelha no controle do colesterol. Não é incomum ouvirmos afirmações como “se você quer abaixar o colesterol, pare de comer ovos”. Segundo o professor do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da UFMG e convidado do Saúde com Ciência, Bruno Nascimento, a realidade não é tão simples.
“Não existe uma mágica. Se você não faz uma mudança global no seu estilo de vida, na sua alimentação, você não tem um único alimento que vai resolver os seus problemas, reduzir o seu colesterol”, explica o professor. De acordo com ele, afirmações como essa são feitas de forma descontrolada e sem a adequada curadoria de conhecimento. Ele continua, reforçando que a informação científica é de suma importância, que sua divulgação é necessária, mas que uma tradução adequada para o público leigo precisa ser feita.
“A gente não trabalha tanto hoje com uma restrição total de certo tipo de alimento. A grande chave é a moderação, você ter um balanço calórico dentro da sua alimentação que não te faça ganhar peso; ou que você mantenha seu peso, se ele já for adequado dentro desse índice de massa corporal de até 25; ou que você tenha um déficit calórico global para você perder peso”.
Professor Bruno Nascimento
Segundo o professor, várias estratégias já foram pensadas em termos de dieta para o controle do colesterol. “O jejum intermitente já foi avaliado em diversos estudos. Dietas com a utilização específica de certos nutrientes, dietas só de proteínas, dietas com restrição total de carboidratos, por exemplo, ou uma dieta muito ricas em vegetais ou em folhas”, exemplifica.
No entanto, segundo Bruno Nascimento, todas as experiências apontam para o mesmo fator: no fim, o resultado depende do balanço calórico favorável para o objetivo procurado, seja a perda, o ganho ou a manutenção do peso.
Papel das proteínas animais
“Não existe uma clara vantagem de um tipo de carne sobre o outro: a carne de frango sobre a carne do peixe ou sobre a carne do boi. Depende muito do conteúdo de gordura daquele corte ou aquela peça e a forma como ela é preparada”, afirma o professor. Ainda segundo ele, não há como oferecer uma resposta simples para um problema complexo.
Ainda assim, ele diz que é perfeitamente possível a inclusão de qualquer tipo de carne em uma dieta sem que ela afete negativamente o balanço calórico desejado ou os níveis de colesterol do indivíduo. Basta apenas que certos cuidados sejam tomados.
“Se você quer comer, por exemplo, carne vermelha, você escolhe cortes menos gordurosos, você prepara de uma forma que a gordura não se acumule e, principalmente, se globalmente, você consegue controlar seu balanço de nutrientes, isso vai sim promover uma melhora da sua saúde cardiovascular”, reforça o professor. Ele finaliza, lembrando que, fora isso, não adianta procurarmos um único alimento que seja o mocinho ou o vilão do seu histórico de colesterol.
Ouça o podcast na íntegra:
Saúde com Ciência

No programa de rádio Saúde com Ciência desta semana, conversamos sobre o colesterol. Discutimos a existência de predisposição genética, o possível papel dos alimentos e quais as formas de controle. Além disso, abordamos a epidemiologia e as políticas públicas em torno do colesterol.
O Saúde com Ciência é produzido pelo Centro de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG e tem a proposta de informar e tirar dúvidas da população sobre temas da saúde. Ouça na Rádio UFMG Educativa (104,5 FM) de segunda a quinta-feira, às 7h15, no programa Bom Dia UFMG. Também é possível ouvir o programa pelas principais plataformas de podcasts.