Aumentar a cobertura vacinal é chave para impedir o retorno do sarampo

Brasil é considerado livre do sarampo desde 2024. Casos isolados não significam o retorno da doença, mas alertam para a necessidade de manter proteção.


02 de outubro de 2026 - , , , ,


Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), até setembro de 2026, o continente americano já somava 47.459 casos de sarampo no ano, com 44 deles resultando em óbito. O Ministério da Saúde confirmou, na mesma ocasião, 42 casos confirmados da doença no Brasil. Para a professora do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da UFMG e convidada do Saúde com Ciência, Lilian Diniz, aumentar a cobertura vacinal é de suma importância para impedir que o sarampo volte a circular de forma endêmica no país.

“A cobertura vacinal em Minas Gerais tem sido boa para a primeira dose. O ideal é que se tenha uma cobertura de 95%, pelo menos, para que a gente tenha uma tranquilidade em relação a reduzir a circulação do vírus”, explica a professora Lilian. Ainda segundo ela, a cobertura no estado para a primeira dose da vacina contra o sarampo está entre 92 e 93%. Já os dados mais recentes da segunda dose apontam uma cobertura entre 82 e 83%. “Não é o ideal. São coberturas altas, mas não é o que a gente gostaria. E não é o ideal para que a gente tenha uma situação confortável”, explica.

Quem precisa de mais de uma dose?

Ainda segundo Lilian, não são todos que precisam tomar uma segunda dose. Normalmente, a vacina é aplicada a partir de um ano de idade. De um a 29 anos, são aplicadas duas doses. Entre os 29 e os 59, apenas uma dose é necessária.

“Acima dos 59, não é necessário, porque entende-se que a população acima de 59 anos já teve contato com o vírus na infância e que ela já está imunizada. E por que essa diferença de doses? Por causa da história de provável contato dentro dessas faixas etárias, por isso essa indicação de número de doses”.

Professora Lilian Diniz

A professora segue, explicando que existe ainda a possibilidade de uma terceira dose, que foi aplicada esse ano no estado de São Paulo em 2026 como um reforço, uma forma de bloqueio em situações de surtos que pode ser aplicada a partir dos seis meses de idade. Esse reforço pode também ser aplicado em adultos que estejam em situação de exposição a surtos do sarampo e que não tenham certeza do seu estado de imunização contra a doença.

No Brasil, dos 42 casos confirmados de sarampo entre janeiro e setembro de 2026, 36 foram identificados no estado de São Paulo. Em resposta, um mutirão de vacinação foi organizado para evitar a transmissão interna e conter a circulação da doença.

Ouça o podcast na íntegra:

Saúde com Ciência

No programa de rádio Saúde com Ciência desta semana, conversaremos sobre o sarampo no Brasil em 2026. Abordaremos os casos confirmados em diferentes estados do Brasil e o estado da vigilância em Minas Gerais. Além disso, falaremos sobre a vacina contra o sarampo, como saber se sua imunização está em dia e quanto tempo esperar após a vacina antes de viajar.

O Saúde com Ciência é produzido pelo Centro de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG e tem a proposta de informar e tirar dúvidas da população sobre temas da saúde. Ouça na Rádio UFMG Educativa (104,5 FM) de segunda a quinta-feira, às 7h15, no programa Bom Dia UFMG. Também é possível ouvir o programa pelas principais plataformas de podcasts.