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Águas de enchentes podem transbordar hepatite A

Primeiros sintomas podem levar de 15 a 30 dias para manifestarem


10 de fevereiro de 2020 - , , ,


*Antônio Paiva

As fortes chuvas e enchentes que acometem diversas regiões do país neste início de ano acendem alerta também para problemas com a saúde. Entre eles, o contágio por hepatite A e outros vírus e bactérias que podem ser contraídos em contato com águas de enchentes e alimentos contaminados por essas águas. Pelo alto risco de contaminação, algumas cidades, principalmente de Minas, realizam mutirões para vacinar moradores contra esse tipo de hepatite.

O infectologista e professor do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da UFMG, Mateus Westin, explica que a contaminação por meio das águas das inundações se deve ao transbordamento do esgoto. Isso porque as pessoas que estão na fase aguda da infecção por hepatite A apresentam viremia, que é a presença do vírus da doença no sangue. Por conta disso, o vírus é eliminado nas fezes dos pacientes infectados, contaminando a rede de esgoto.

“E aí, na medida em que as enchentes fazem com que a rede de esgoto extravase junto com as inundações, as pessoas passam a ter contato com esses vírus a partir das águas de enchente” completa Westin.

O professor também alerta para qualquer contato, seja profissional ou doméstico, com a rede de esgoto, como córregos não tratados e lixões, que também são fontes de infecção por hepatite A. A ingestão de alimentos contaminados pelas águas das inundações também podem ser uma maneira de contrair a enfermidade, que é transmitida via fecal-oral.

Como saber?

A doença ganhou esse nome por causa da afinidade do vírus com o fígado. A hepatite A causa uma inflamação nesse órgão e, consequentemente, sintomas gastrointestinais gerais. “É uma doença febril aguda, então a pessoa vai ter febre, mal-estar geral, dores pelo corpo e, em geral, é acompanhado de náuseas e vômito”, aponta  Mateus Westin.

Além disso, a doença vem acompanhada de outros sintomas como dificuldade digestiva, podendo ou não ter diarreia. Em casos mais raros, o indivíduo infectado pode ficar com a pele amarelada, o que é chamado de icterícia.

Porém, na maioria dos casos, a pessoa com a infecção ou não apresenta nenhum sintoma ou eles são leves e acabam passando despercebidos e entendidos como uma virose qualquer.

Além disso, os inícios dos primeiros sinais e sintomas clínicos podem demorar de 15 a 30 dias para aparecerem.

Por isso, mesmo tendo passado alguns dias desde o contato com a água contaminada, é preciso considerar essa doença caso alguns sintomas e sinais se manifestem. A Unidade Básica de Saúde (UBS) deve ser procurada para o diagnóstico e tratamento, que inclui repouso e não ingestão de bebidas alcoólicas.

Prevenções

A hepatite A é transmitida por meio de condições precárias de saneamento básico, higiene pessoal e dos alimentos, assim como através de relações desprotegidas. Assim, além da vacinação, a melhoria das condições de saneamento, cuidados básicos de higiene e o uso de preservativos são medidas de prevenções contra o vírus.

Fique atento a outras doenças e acidentes

As chuvas intensas durante o verão também contribuem para o aumento de outras doenças. Entre elas, a giardíase e a leptospirose se destacam. Outro problema causado pelas tempestades é a maior incidência de animais peçonhentos em residências, uma vez que as casas se tornam um abrigo para esses animais.


Para saber mais, ouça o Saúde com Ciência desta semana, que aborda questões de saúde que envolvem as chuvas e inundações nesse período.

Programação da semana
:: Causas das enchentes e prevenção
:: Hepatite A
:: Leptospirose
:: Animais peçonhentos
:: Giardíase

Sobre o Programa de Rádio

O   Saúde com Ciência é produzido pelo Centro de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG e tem a proposta de informar e tirar dúvidas da população sobre temas da saúde. Ouça na Rádio UFMG Educativa (104,5 FM) de segunda a sexta-feira, às 5h, 8h e 18h. Também é possível ouvir o programa pelo serviço de streaming Spotify



*estagiária de Jornalismo
edição: Karla Scarmigliat