Aves participam do ciclo da febre do Nilo Ocidental
Animais infectados têm papel na incubação e propagação da arbovirose.
29 de outubro de 2026 - arbovirose, Infectologia, nilo, saúde com ciência, zoonose

A febre do Nilo Ocidental é uma arbovirose transmitida por mosquitos do gênero Culex. O inseto é infectado pelo vírus ao picar animais que já estejam encubando a doença, sobretudo aves e equinos, e passa a infectar humanos picados posteriormente. É o que explica o professor do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da UFMG e convidado do Saúde com Ciência, Unaí Tupinambás.
Ele afirma que, diferente das aves, o ser humano não possui capacidade de amplificar o vírus por conta própria, e esse é um dos fatores atenuantes que fazem com que a doença tenha uma menor capacidade de proliferação se comparada a outras arboviroses. Além disso, Unaí explica também que a febre do Nilo Ocidental não é contagiosa entre humanos, seja através de contato próximo, tosse ou gotículas de saliva.
Por isso, o professor diz que as aves têm um papel de destaque em espalhar a doença. “As aves se contaminam em outro território, chegam até aqui de forma migratória, e aí o mosquito Culex pica aquela ave e mora perto de domicílios. É aí que começa o processo de epidemia”, desenvolve o professor. Por isso, o monitoramento da febre do Nilo Ocidental, que não é uma doença comum no país, está atrelado ao movimento das aves e sua carga viral.
“O governo brasileiro tem um papel fundamental, sim. A gente não só monitora essas arboviroses, mas também a H5N1, a gripe aviária. A gente vê uma monitoração importante no Brasil, no território nacional, porque é outro vírus, não é uma arbovirose, mas é um vírus que nos preocupa. Ele pode, se conseguir passar para o ser humano, a gente pode ter um problema. Felizmente, se isso acontecer, já temos engatilhadas as vacinas contra esse vírus, mas com certeza ambas essas monitorações já estão sendo feitas pelo governo brasileiro”.
Professor Unaí Tupinambás
Já por parte da população, as estratégias de prevenção são as mesmas para arboviroses como a dengue ou a chikungunya:
- Evite água parada, colocando areia em pratos de plantas ou lave-os semanalmente com água e sabão.
- Guarde garrafas, baldes e outros recipientes sempre virados com a boca para baixo.
- Mantenha caixas d’água e reservatórios sempre tampados e vedados.
- Limpe calhas e canaletas de escoamento para que não acumulem água da chuva.
- Guarde pneus em locais secos e cobertos.
- Faça uso de repelentes aprovados pela Anvisa. Considere a instalação de telas de proteção e mosquiteiros.
Em 2026, o Ministério da Saúde confirmou quatro casos da febre do Nilo Ocidental no Brasil. Dois casos foram identificados no estado de São Paulo, e outros dois em Santa Catarina, onde um deles evoluiu para óbito. Um possível quinto caso segue em investigação no estado do Piauí.
O primeiro caso confirmado da doença no Brasil aconteceu em 2014, no Piauí. O estado também foi o primeiro a notificar um óbito em decorrência da febre do Nilo Ocidental no país, que ocorreu em 2017.
Ouça o podcast na íntegra:
Saúde com Ciência

No programa de rádio Saúde com Ciência desta semana, conversaremos sobre a febre do Nilo Ocidental. Discutiremos as características da doença, seu diagnóstico e tratamento. Além disso, comentaremos também o papel do aquecimento global e da globalização na proliferação da doença para fora do continente africano.
O Saúde com Ciência é produzido pelo Centro de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG e tem a proposta de informar e tirar dúvidas da população sobre temas da saúde. Ouça na Rádio UFMG Educativa (104,5 FM) de segunda a quinta-feira, às 7h15, no programa Bom Dia UFMG. Também é possível ouvir o programa pelas principais plataformas de podcasts.