Calor extremo expõe desigualdades e ameaça a saúde

Estresse térmico pode agravar doenças e afetar principalmente idosos, crianças e pessoas em situação de maior vulnerabilidade.


18 de setembro de 2026 - , ,


* Deise Amaral

O calor extremo, além de causar danos à natureza, afeta diretamente a saúde. Em períodos como esses, o corpo precisa trabalhar mais para manter sua temperatura. Quando essa capacidade de adaptação é ultrapassada, o desconforto pode evoluir para um quadro de estresse térmico. É o que explica a professora do Departamento de Saúde Preventiva e Social da Faculdade de Medicina da UFMG e convidada do Saúde com Ciência, Waleska Caiaffa.

Para controlar a temperatura, o organismo aumenta a circulação sanguínea e a produção de suor, perdendo água e sais minerais. Quando esse esforço se prolonga, pode sobrecarregar o coração, os rins e o sistema respiratório. A desidratação, por exemplo, pode favorecer descompensações cardiovasculares e renais, enquanto o calor associado à baixa umidade e à poluição pode agravar doenças respiratórias, explica a professora.

Mas os impactos do calor não são os mesmos para todos. Alguns grupos podem ser mais vulneráveis, como idosos, crianças, gestantes e pessoas com doenças crônicas, seja pela maior dificuldade de regular a temperatura corporal, seja pela presença de condições que tornam o organismo mais sensível às altas temperaturas.

A vulnerabilidade não é apenas biológica. As condições sociais também determinam o quanto uma pessoa consegue se proteger do calor. Regiões mais pobres e densamente ocupadas tendem a ter menos áreas verdes e maior retenção de calor, enquanto o acesso a recursos como ambientes climatizados pode ser limitado. Assim, medidas de proteção que parecem simples nem sempre estão disponíveis para todos.

Por isso, enfrentar o calor extremo vai além de evitar a exposição ao sol. Manter-se hidratado, procurar ambientes mais frescos e reduzir atividades físicas nos horários de maior temperatura são medidas importantes. Mas, em determinadas condições, até recursos comuns, como o ventilador, podem não ser suficientes ou não produzir o efeito esperado.

“Quando o ambiente está muito quente e seco, movimentar o ar muito quente, além de não resfriar o organismo, pode aumentar o estresse térmico. A gente fica dentro de um ambiente em que você tem o ar ventilado, mas o ar é muito quente, e isso pode aumentar tremendamente o estresse térmico. Isso vale muito para idosos e crianças. Então, molhar a pele, procurar um ambiente mais fresco, reduzir a exposição, são muito mais eficazes do que, muitas vezes, procurar um ventilador”.

Professora Waleska Caiaffa

Ouça o podcast na íntegra:

Saúde com Ciência

No programa de rádio Saúde com Ciência desta semana, conversaremos sobre a saúde no calor extremo. Abordaremos aspectos como sinais de alerta de riscos à saúde, o impacto das diferenças socioeconômicas e da vulnerabilidade social nos efeitos do calor, além de oferecer recomendações sobre como cuidar do corpo em períodos de calor elevado.

Saúde com Ciência é produzido pelo Centro de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG e tem a proposta de informar e tirar dúvidas da população sobre temas da saúde. Ouça na Rádio UFMG Educativa (104,5 FM) de segunda a quinta-feira, às 7h15, no programa Bom Dia UFMG. Também é possível ouvir o programa pelas principais plataformas de podcasts.

* Deise Amaral – estagiária do Centro de Comunicação

Edição: Alexandre Bueno