Diagnóstico precoce da sífilis previne agravos da infecção

A testagem regular e o tratamento precoce são fundamentais para interromper a transmissão da sífilis e evitar complicações graves da infecção.


29 de maio de 2026


Para muitas pessoas, falar sobre Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), como a sífilis, ainda é um grande tabu — e o silêncio sobre o tema pode ter consequências graves. É o que afirma o professor do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da UFMG e convidado da semana no Saúde com Ciência, Matheus Westin.

De acordo com ele, a sífilis possui alta capacidade de transmissão entre as ISTs. O contágio pode ocorrer por meio de relações sexuais, mas também pelo contato direto com lesões causadas pela infecção, como em um beijo, por exemplo.

A transmissão também pode ocorrer durante a gestação, quando a bactéria causadora da doença passa da mãe para o filho. Nesse caso, a realização do pré-natal é fundamental para o diagnóstico e, consequentemente, para o tratamento precoce, evitando que a sífilis se torne congênita e cause agravos maiores, como a má formação do embrião.

“Se a gente tivesse uma concepção de sociedade que não enxergasse o sexo como tabu, e as ISTs decorrentes do sexo como algo inevitável de acontecer na vida das pessoas, talvez as pessoas testassem mais, com mais tranquilidade e leveza. Interrompendo a cadeia da sífilis adquirida, a gente automaticamente interromperia a cadeia da sífilis gestacional e congênita.”
— Matheus Westin

Os sintomas da sífilis incluem pequenas lesões e úlceras localizadas na região por onde a bactéria penetra no organismo, muitas vezes sem causar dor. Se não tratada, a infecção pode evoluir, espalhando lesões pelo corpo, como ferimentos e manchas, além de causar queda de cabelo e febre.

Em geral, as lesões desaparecem depois de certo tempo. Assim, antes mesmo de a pessoa infectada procurar assistência médica, os sintomas somem e fica a impressão de que o problema foi resolvido. Porém, mesmo sem manifestar sinais visíveis, a sífilis continua se espalhando pela corrente sanguínea. “Ao longo dos anos, ela pode evoluir para uma fase terciária, em que pode causar lesões muito graves no coração, no sistema nervoso central e no cérebro”, explica o professor.

Dessa forma, o especialista reforça a testagem como principal forma de prevenção e controle da sífilis. Atualmente, o teste está disponível gratuitamente pelo SUS em qualquer unidade básica de saúde e é totalmente sigiloso. Sem tabus e sem estigmas, basta solicitar o exame: os anticorpos são analisados no sangue de forma simples e rápida, com resultados em menos de 30 minutos.

O professor explica que, caso o resultado seja negativo, é importante continuar realizando testes de ISTs regularmente ao longo da vida. Caso o resultado seja positivo, a recomendação é buscar tratamento adequado e seguir as orientações médicas.

O tratamento é totalmente medicamentoso e, nos estágios iniciais, consiste em uma ou, no máximo, duas doses de benzetacil. Ainda assim, a importância da testagem contínua permanece. “Quem teve sífilis uma vez não desenvolve uma imunidade protetora ao longo da vida. A pessoa pode adquirir sífilis inúmeras vezes”, destaca.

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