Educação na vida adulta melhora a memória e o raciocínio mesmo após décadas de analfabetismo, indica pesquisa
15 de junho de 2026
Um estudo desenvolvido na Faculdade de Medicina da UFMG, em parceria com a Faculdade de Educação (FAE), aponta que nunca é tarde para aprender — e que a alfabetização na vida adulta ou na velhice pode trazer benefícios importantes para a saúde cognitiva. A pesquisa foi conduzida pelo psicólogo e pesquisador João Victor de Faria Rocha, mestre em Saúde do Adulto pela UFMG, doutorando em Neurociência Translacional pela UFRJ e integrante do Grupo de Pesquisa em Neurologia Cognitiva e do Comportamento da UFMG.
O estudo investigou como a educação pode impactar a memória, o raciocínio e o funcionamento cerebral de adultos e idoso analfabetos.
A pesquisa surgiu de um cenário preocupante: ainda não existe cura ou tratamento capaz de interromper o avanço das demências, como a doença de Alzheimer. “Não existe ainda nenhum tratamento que cure essas condições ou mesmo que modifique de forma significativa o curso da doença. Então, temos muito interesse em descobrir como preveni-la, ” afirma João.
Segundo o pesquisador, no Brasil e em outros países da América Latina, a baixa escolaridade é um dos principais fatores de risco modificáveis para demência. Estudos anteriores já indicam que ampliar o acesso à educação básica poderia reduzir significativamente os casos da doença. No entanto, a maior parte dessas evidências se concentra na escolarização durante a infância e juventude.
O estudo buscou responder uma questão ainda pouco explorada: aprender a ler e escrever depois dos 40 anos também pode beneficiar o cérebro?
Os resultados reforçam o potencial da educação tardia não apenas como ferramenta de inclusão social, mas também como estratégia de promoção da saúde cerebral e possível prevenção de demências.