Educação sexual ajuda a prevenir a gravidez na adolescência
A falta de informação e o acesso desigual aos métodos contraceptivos limitam as escolhas dos adolescentes sobre a própria vida reprodutiva.
09 de outubro de 2026 - Ginecologia, Gravidez, gravidez na adolescência, saúde com ciência

A adolescência é uma fase de curiosidade e descobertas, inclusive sobre a vida sexual. Embora o assunto ainda seja pouco discutido em muitas famílias, o diálogo é fundamental para conscientizar os jovens sobre as responsabilidades envolvidas em uma relação sexual e as formas de prevenir uma gravidez não planejada. É o que afirma Flávia Ribeiro, professora do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina da UFMG e convidada da semana no Saúde com Ciência.
A educação sexual vai além do conhecimento sobre o próprio corpo. Ela também incentiva o protagonismo de meninos e meninas nas decisões sobre a própria vida reprodutiva. Com isso, os adolescentes podem compreender melhor suas escolhas, identificar o momento em que se sentem preparados para iniciar a vida sexual e conhecer os cuidados necessários para se proteger.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), programas de educação sexual de qualidade podem contribuir para que adolescentes adiem a primeira relação sexual e, quando iniciam a vida sexual, adotem medidas de proteção, como o uso de preservativos e contraceptivos.
No entanto, a prevenção da gravidez na adolescência também depende de fatores sociais e econômicos. A desigualdade social e a falta de acesso à informação e aos métodos contraceptivos dificultam o planejamento reprodutivo. Em contextos de maior vulnerabilidade, essas barreiras podem se somar às dificuldades de acesso à educação e aos serviços de saúde, limitando as possibilidades de escolha dos adolescentes.
“Esse conhecimento permite que a gravidez seja uma escolha e não uma consequência não programada de um ato realizado sem muita responsabilidade ou pensamento. É importante, inclusive, a gente entender esse contexto para saber o quanto a escolaridade também é um fator determinante. Porque se a gente estiver falando de uma população que tem um baixo letramento, provavelmente vai haver também dificuldade de entendimento desses métodos. Uma população que tem dificuldade de acesso a esses métodos tem dificuldade de acesso a essas instruções”, explica a professora.
Por isso, a prevenção da gravidez na adolescência exige mais do que informação: é preciso garantir acesso à educação sexual, aos métodos contraceptivos e aos serviços de saúde. Ao compreender as possibilidades de planejamento reprodutivo e os cuidados necessários, os jovens podem exercer sua autonomia e tomar decisões mais conscientes sobre o próprio corpo e o futuro.
Ouça o podcast na íntegra:
Saúde com Ciência

No programa de rádio Saúde com Ciência desta semana, conversamos sobre a gravidez não planejada na adolescência. Abordaremos os desafios sociais e econômicos que afetam a prevenção e o acolhimento de mães e pais adolescentes. Além disso, entenderemos a importância da educação sexual para a prevenção da gravidez na adolescência.
O Saúde com Ciência é produzido pelo Centro de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG e tem a proposta de informar e tirar dúvidas da população sobre temas da saúde. Ouça na Rádio UFMG Educativa (104,5 FM) de segunda a quinta-feira, às 7h15, no programa Bom Dia UFMG. Também é possível ouvir o programa pelas principais plataformas de podcasts.