Especialista explica importância dos cuidados paliativos e perigo dos mitos sobre a assistência

Saúde com Ciência desta semana mostra como os cuidados paliativos proporcionam maior qualidade de vida aos pacientes


03 de outubro de 2022 - , ,


Os cuidados paliativos – prestados a pacientes com doenças graves que possuem riscos de levá-los ao óbito – são cercados por mitos, os quais podem gerar receio nessas pessoas e nos familiares. Um exemplo de informação não verdadeira a respeito do tema é de que essa assistência teria início apenas nos últimos momentos de vida do paciente, quando não haveria mais alternativas para o tratamento.

Ao contrário do que se pensa, esses cuidados devem começar a partir do diagnóstico de uma doença grave, quando é realizado um plano de cuidado individualizado, focado na melhora de sintomas.

Outro mito comum é sobre o uso da morfina, de que esse medicamento aceleraria o óbito. “São mitos, infelizmente, muito perigosos. A morfina controla dor, falta de ar. Ela não acelera óbito das pessoas”, ressalta o geriatra e professor do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da UFMG, Marco Túlio Cintra, convidado do Saúde com Ciência desta semana.

Por isso, a informação é aliada na desconstrução de ideias não verdadeiras sobre o assunto e possibilita que mais pacientes se beneficiem e tenham uma melhor qualidade de vida.  

“Estamos falando de um cuidado integral à pessoa, uma assistência humanizada e que está voltada à qualidade de vida. Então, os cuidados paliativos são fundamentais para uma assistência de valor, de qualidade e que permita dignidade para as pessoas”, ressalta o professor.

O plano de cuidados

Esses cuidados paliativos são feitos a partir de um plano de cuidados, organizado por uma equipe multiprofissional em conjunto com o paciente. O professor ressalta que a assistência é centrada na pessoa, respeitando as vontades dela.

“O plano de cuidados não é imutável. Ao longo da evolução [da doença], situações clínicas diferentes vão acontecer. O que o paciente pensava sobre aquela situação pode modificar conforme a vivência dele e também da sua família. Então, esse plano de cuidados pode ser alterado”, explica Marco Túlio.

Não existe um plano de cuidados idêntico para todos os pacientes. Ele deve ser individualizado, pois depende da situação clínica daquela pessoa, dos sintomas e das prioridades que são estabelecidas junto a ela. Por isso, é essencial que o paciente saiba sobre sua situação clínica para que ele possa ser ouvido e ter os cuidados voltados para as suas vontades.

“Tomara que quem seja assistido por uma equipe de cuidado paliativo um dia se cure daquela situação e possa ficar mais tempo entre nós, vivendo com qualidade de vida e entre seus entes queridos. Mas, se isso não for possível, que ela tenha assistência com qualidade de vida até o último dia da vida dela”, conclui.

Saúde com Ciência

O programa de rádio Saúde com Ciência desta semana vai explicar o que são os cuidados paliativos e mostrar a importância deles para melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

Saúde com Ciência é produzido pelo Centro de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG e tem a proposta de informar e tirar dúvidas da população sobre temas da saúde. Ouça na Rádio UFMG Educativa (104,5 FM) de segunda a sexta-feira, às 5h, 8h e 18h. Também é possível ouvir o programa pelas principais plataformas de podcasts.


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