Acesso interno

Especialistas analisam desigualdade na distribuição de vacinas e erros na política externa

Debate está no novo episódio do ‘Outra estação’ da Rádio UFMG Educativa.


16 de abril de 2021 - , , , ,


Dez países concentram cerca de 60% por cento das vacinas aplicadas contra a covid-19 no mundo
Acesso da população a vacinas evidencia desigualdades entre os países. Foto: Anna Shvets / Pexels

Apenas dez países concentram cerca de 60% das vacinas aplicadas contra a covid-19 no mundo. Os números, atualizados diariamente, estão no Global Change Data Lab, do Reino Unido, e evidenciam as desigualdades entre as nações. A demanda pelo produto é maior do que a disponibilidade, e países com mais recursos financeiros e capacidade de fabricação de vacinas usam o imunizante para expandir sua influência geopolítica no tabuleiro global. 

Assim, ganha força a chamada “diplomacia da vacina”. Mas, no momento em que as relações internacionais são mais necessárias do que nunca, o Brasil passou a ser visto como um pária. A política externa desastrosa e a má condução interna em relação à pandemia arranham a imagem do país no exterior.

O modo como a pandemia afeta as relações de forças entre os países e a situação brasileira diante desse cenário são discutidos no novo episódio do programa Outra estação, da Rádio UFMG Educativa.

Foram ouvidos o professor Ulysses Panisset, do Departamento de Medicina Preventiva e Social da Faculdade de Medicina da UFMG, o professor emérito e diretor do Centro de Relações Internacionais em Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Paulo Buss, também membro da Academia Nacional de Medicina, e os docentes Bernardo Campolina e Gilberto Libânio, do Departamento de Ciências Econômicas e do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (Cedeplar) da UFMG.

No primeiro bloco, são apresentadas as desigualdades na distribuição das vacinas ao redor do globo. Enquanto na África, continente com a menor taxa de vacinação, apenas uma dose foi aplicada para cada 100 habitantes, os Estados Unidos já contam com doses suficientes para imunizar 400 milhões de pessoas, 70 milhões a mais do que a população total do país. 

No segundo bloco, os especialistas abordam os efeitos da geopolítica da vacina para o Brasil e os erros da política externa que deixam o país em posição de desvantagem na compra de imunizantes. Entre eles, a quebra de pontes diplomáticas promovida por Ernesto Araújo ao longo dos mais de dois anos em que esteve à frente do Ministério das Relações Exteriores.

O agora ex-ministro chegou a publicar um artigo em que chamava o novo coronavírus de “comunavírus”, numa ofensa explícita à China, onde o novo vírus foi identificado. Críticas às vacinas chinesas foram feitas também por outros ministros e pelo próprio presidente da República.  

Para saber mais

Monitoramento da vacinação contra a covid-19 no mundo (New York Times)
Dados da vacinação por país (Universidade de Oxford)
Site da vacina Sputnik V, com número de doses aplicadas e parcerias fechadas com países
Site da Covaxin
Site da Sinopharm
Artigo O lugar do Brasil na fila da vacina, de Dawisson Belém Lopes, publicado no Portal UFMG

Produção

O episódio 63 do programa Outra estação é apresentado por Alicianne Gonçalves. A produção é de Paula Alkmim, Alicianne Gonçalves e Beatriz Kalil. Os trabalhos técnicos são de Breno Rodrigues. A coordenação de jornalismo é de Paula Alkmim. 

Em sua segunda temporada, o Outra estação vai ao ar quinzenalmente, às quintas-feiras, às 18h, com reprise às sextas, às 7h30. Em cada episódio, o programa aborda um tema de interesse social. Todos os programas estão disponíveis nos aplicativos de podcast, como o Spotify.Rádio UFMG EducativaPrograma Outra Estação.


(Centro de Comunicação da UFMG)