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Faculdade se ilumina de laranja em apoio à campanha para prevenção de queimaduras

Campanha “Junho Laranja” alerta para riscos de queimaduras com álcool.


09 de junho de 2021 - , , , , ,


Faculdade de Medicina e outros 15 locais no estado recebem iluminação laranja em alusão ao “Junho Laranja”. Foto: Gustavo Pontello/Instagram @gustavo_pontello.

Importante aliado na prevenção do novo coronavírus, o uso do álcool líquido e em gel tem protagonizado o aumento de casos de queimaduras durante a pandemia. Para se ter uma ideia, nos primeiros quatro meses deste ano, mais de 40% das internações graves por queimaduras no Hospital João XXIII foram por uso incorreto dessa substância. Por isso, a Faculdade de Medicina da UFMG adere à campanha “Junho Laranja”, promovida pela Sociedade Brasileira de Queimados (SBQ), e ilumina sua fachada com a cor laranja para conscientizar sobre a prevenção desse tipo de acidente.

Além da Faculdade, outros 15 locais em Minas Gerais receberam a luz característica em apoio ao mês, como a Associação Médica de Minas Gerais, Hospital João XIII e Mineirão. Neste ano, o tema da campanha é “Álcool e fogo: mantenha distanciamento” para alertar, justamente, sobre cuidados com o uso de álcool na pandemia.

“Com a pandemia, o álcool foi levado para dentro de casa, presente em qualquer ambiente e altura, o que impactou no aumento de queimaduras”, observa a vice-presidente da regional da SBQ de Minas Gerais e coordenadora da Unidade de Tratamento de Queimados do Hospital João XXIII, Kelly Danielle de Araújo.

Ela conta que buscou a Faculdade de Medicina para adesão à campanha e foi prontamente atendida pela Diretoria da Instituição.

Álcool e fogo: mantenha distanciamento

A venda do álcool líquido 70%, vetada desde 2002, foi flexibilizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) com o início da pandemia por ajudar no combate ao vírus. Mas por ser um produto altamente inflamável, é preciso ter muito cuidado com o seu manuseio e armazenamento. O mesmo vale para a versão em gel, que representa um perigo invisível, uma vez que sua chama pode ser imperceptível ao “olho nu”.

“Imagina o seguinte cenário: uma pessoa chega do mercado, passa álcool em gel e vai cozinhar.  É muito provável que ocorra um acidente”, exemplifica a professora do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da UFMG, Romina Aparecida dos Santos Gomes, que é medica pediatra e intensivista.

Ela também orienta a deixar o álcool fora do alcance das crianças, distante da cozinha e, se for guardar no carro, manter em local seguro, longe de fontes de calor. E para a higienização das mãos, o uso é indicado quando não existe acesso à lavagem com água e sabão. “Quando está na rua, vai fazer uma compra, é importantíssimo, mas estando em casa, é preferível lavar as mãos com água e sabão”, frisa Romina.

O Hospital João XXIII, integrado à rede da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), em Belo Horizonte, recebeu 138 pacientes vítimas de queimaduras nos quatro primeiros meses deste ano, sendo 40 por causadas por álcool. Já na UTI de queimados, nesse mesmo intervalo de tempo, 17 das 41 admissões foram por acidentes envolvendo a substância. (Com Fhemig)

Crianças correm mais risco

A maioria dos acidentes com queimaduras acontecem no ambiente doméstico e as crianças estão entre as principais vítimas, representando cerca de 30% dos 150 mil casos anuais de internações por queimaduras, de acordo com a SBQ. Acidentes com líquidos superaquecidos são as principais causas de queimaduras nessa faixa etária.

E neste período de pandemia, os pequenos podem estar ainda mais suscetíveis: “eles estão mais presos, com problemas de ansiedade e irritabilidade, o que contribui para o aumento de acidentes”, alerta a professora. Além disso, com o parquinho de diversão e recreio escolar dentro de casa por causa das medidas restritivas de combate ao vírus, a supervisão das crianças ficou ainda mais difícil.

Por isso, é importante redobrar os cuidados. Confira algumas dicas a seguir:

  • Como a cozinha é um dos principais locais de acidentes, a criança não deve frequentá-la sem a supervisão de um adulto.
  • Cozinhar, de preferência, nas bocas de trás do fogão e com os cabos das panelas voltados para dentro.
  • Usar protetores de fogão como um cuidado a mais e evitar preparar alimentos com a criança no colo.
  • Durante o banho do bebê, verificar a temperatura da banheira antes, por toda a sua extensão, para ter certeza de que não há nenhum ponto quente.
  • Não deixar as crianças brincarem por perto quando você estiver passando roupa ou utilizando outro aparelho que produza calor, como secador de cabelo.
  • Verificar o estado das instalações elétricas e deixar protetores de tomadas para evitar que a criança coloque objetos.
  • Manter inflamáveis, como fósforo, isqueiro e álcoo,l fora do alcance das crianças, assim como os produtos de limpeza.
  • Manter a criança longe da churrasqueira, não utilizar álcool para acender o fogo e nem deixar garrafas de álcool ou de outros combustíveis perto.

Veja mais dicas no site do Observaped da Faculdade de Medicina da UFMG.

Mais da metade das queimaduras atendidas no Hospital João XXIII, considerando tanto os casos graves quanto os que nem sempre exigem internação, são causadas por contato com líquidos muito quentes – as chamadas escaldaduras. Em 2020, dos 1.537 atendimentos a queimados na unidade, 922 foram em decorrência desse tipo de acidente. Desse total, 181 foram com crianças de 0 a 11 anos. (Com Fhemig)

O que fazer em caso de queimadura

Cada caso precisa ser analisado, pois vai depender da superfície, profundidade, local da queimadura e idade da vítima. Mas na dúvida, a recomendação é para buscar atendimento médico.

A aplicação de produtos no local queimado deve ser evitada, pois pode provocar reação alérgica, agravar a lesão, além de o produto precisar ser removido da pele. Por isso, a orientação é lavar com água corrente em temperatura ambiente até que a área queimada seja resfriada.

Também não se deve estourar bolhas no caso de queimaduras de segunda grau, pois pode aumentar risco de infecções.