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Internacionalização: “Temos muito que aprender, mas também muito a ensinar”

Confira entrevista sobre as experiências de intercâmbio acadêmico na Faculdade, com o professor Luís Felipe Ravic de Miranda.


02 de abril de 2020 - , ,


Foto: NASA/Joel Kowsky

Experiências de intercâmbio acadêmico e cultural representam grandes oportunidades de crescimento para alunos e pesquisadores. Em um ambiente diferente, com novas pessoas e costumes, imprevistos podem acontecer. Para os estudantes da Faculdade de Medicina da UFMG, este é o momento para colocar valores em prática e superar qualquer desafio.

Para explicar um pouco mais sobre esses processos de internacionalização, conversamos com o professor Luís Felipe Ravic de Miranda, do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da UFMG. Em fevereiro deste ano, ele liderou a Jornada Acadêmica entre Brasil, Portugal e Espanha, que selecionou dez alunos da Faculdade para o intercâmbio.

Como as experiencias de intercâmbio acadêmico e cultural podem contribuir na formação dos alunos?

A experiência de um programa de intercâmbio em outros países é muito enriquecedora. Do ponto de vista acadêmico, os estudantes podem aprender o método de ensino aplicado em outras Universidades, tanto teórico como prático e comparar a metodologia utilizada lá fora com a que aplicamos na UFMG, por exemplo.

“Em geral, os alunos voltam mais maduros, felizes por terem adquirido experiência fora e com amizades que fizeram no período de intercâmbio”

Do ponto de vista cultural, é muito interessante conhecer e melhorar o domínio de outra língua, se não são países de língua portuguesa, conhecer a cultura de outros povos e sua história, que sempre nos edifica muito como pessoas.

Além do envio de professores e estudantes ao exterior, qual a importância de também receber alunos e pesquisadores estrangeiros na Faculdade?

É de vital importância que o intercâmbio seja bilateral. Temos muito que aprender, mas também temos muito a ensinar. No que tange à experiência prática, penso que os alunos de Graduação em Medicina na Europa têm um curso predominantemente teórico. Em alguns países, começam a examinar pacientes praticamente no último ano do curso. Também temos pesquisadores de ponta no Brasil, pesquisas que são importantes para a nossa realidade. Sempre quando há intercâmbio e abertura para o aprendizado, enxergamos pontos de vistas que talvez estivessem ocultos a nós, no nosso país.

Como processos de internacionalização podem colaborar no reconhecimento da Faculdade no cenário internacional?

Quando o aluno que vai para fora é aplicado nos estudos e mostra desenvoltura para comunicar aos professores e alunos dos outros países o que fazemos na UFMG, eles levam uma imagem muito positiva e despertam nos outros o interesse de conhecer a nossa Instituição – tanto no âmbito estrito da graduação, como nas atividades que se desenvolvem em torno da Universidade, como Ligas, projetos de pesquisas, de extensão, entre outros. No âmbito da Faculdade de Medicina, penso que o que mais atrai os alunos de fora é a parte prática que temos. Por exemplo, um aluno do quinto período da UFMG, já faz anamnese e o exame físico do paciente, sob a supervisão do professor e isto lhes enriquece, além de lhes dar desenvoltura e autonomia e melhorar o raciocínio clínico.

Quais os principais desafios que devem ser vencidos para que oportunidades como esta sejam mais bem aproveitadas?

Que haja facilidade de ir e vir, que a Universidade consiga abrigar os alunos de fora, que consigamos compatibilizar os curricula vitae de ambas Universidades e que se crie um fluxo em que os alunos de fora possam ter acesso ao mesmo aprendizado que tem um aluno da UFMG. Em se tratando da Medicina, que consigam enxergar os pacientes como os alunos daqui.

Em fevereiro deste ano, ocorreu a “Jornada Acadêmica entre Brasil, Portugal e Espanha”. Quais foram os principais objetivos da experiência?

Apresentação dos alunos durante jornada na Universidade de Lisboa. Foto: Acervo pessoal.

O primeiro objetivo seria conhecer aspectos do curso de Medicina em Lisboa e ter uma agenda cultural bilateral. Os alunos daqui puderam cursar durante uma semana uma disciplina optativa que eles mesmo escolheram, seguindo a mesma rotina dos estudantes portugueses. Em seguida, houve uma apresentação, em que puderam falar das atividades que fazem na UFMG, como a participação em ligas, projetos, etc. Por fim, houve uma agenda cultural, onde falamos da cultura mineira e eles nos levaram a conhecer pontos turísticos e históricos de Lisboa.

Na Espanha foram duas atividades: uma visita a um Centro de cuidados paliativos em Madrid, chamado Laguna e em Pamplona, uma visita à Universidade de Navarra, onde conhecemos o Campus, o Hospital, o Centro de pesquisas avançadas e nos ofereceram um almoço. Fomos muito bem recebidos em ambas Instituições. A Jornada teve também como objetivo incrementar o intercâmbio entre universidades e ampliar essa oportunidade para novas Universidades. Penso que é um trabalho lento, mas muito importante.

Grupo de alunos da Faculdade de Medicina e equipe do Núcleo de Cooperação Internacional. Foto: Acervo pessoal.