Modelos 3D produzidos pela Faculdade de Medicina ajudam a preparar crianças para exames de imagem
Protótipos de ressonância magnética e tomografia computadorizada serão utilizados na Unidade de Diagnóstico por Imagem do Hospital das Clínicas para tornar o atendimento pediátrico mais acessível e humanizado.
28 de agosto de 2026 - Ações de ensino, pesquisa e extensão, Ressonância Magnética, Tomografia computadorizada

Uma ressonância magnética ou uma tomografia computadorizada pode ser uma experiência desafiadora para crianças, especialmente para aquelas com transtorno do espectro autista (TEA) ou que necessitam de atendimento especializado. Para contribuir com a preparação desses pacientes, a Faculdade de Medicina da UFMG desenvolveu modelos em impressão 3D que reproduzem os equipamentos e permitem simular os exames de forma lúdica.
A iniciativa integra ações de ensino, pesquisa e extensão da Faculdade de Medicina da UFMG e reúne diferentes parceiros na produção dos modelos. O projeto “Assistência na radiologia: aproximando as vivências da universidade, do hospital público e da comunidade” (Aproxima Radio-UFMG), desenvolvido na Unidade de Diagnóstico por Imagem (UDI), atua em parceria com o projeto de pesquisa, ensino e extensão “LAPIAS-RADIO: produção de materiais didáticos, insumos, controle de qualidade e dosimetria na radiologia” e com o Laboratório de Prototipagem e Modelagem 3D para Aplicação na Área da Saúde (LAPIAS Labsim/FM/UFMG). A produção também contou com a participação de estudantes da Iniciação Científica Júnior (IC-Jr), do Centro Federal de Educação Tecnológica (CEFET-MG), que contribuíram com seus conhecimentos técnicos para o desenvolvimento dos protótipos.
Foram produzidos um modelo de ressonância magnética e um de tomografia computadorizada, acompanhados de bonecos também confeccionados em impressão 3D. Homem-Aranha, Olaf, Roblox e Hello Kitty foram escolhidos para representar os pacientes durante a simulação dos exames.
Os protótipos foram entregues à Unidade de Diagnóstico por Imagem do Hospital das Clínicas da UFMG (UDI/HC-UFMG), na tarde de ontem, dia 27 de agosto. A proposta é que os profissionais do setor utilizem os modelos quando necessário para explicar às crianças como funciona o exame, permitindo que elas conheçam previamente o equipamento e compreendam as etapas do procedimento.
Segundo a professora do Departamento de Anatomia e Imagem da Faculdade de Medicina da UFMG, Críssia Fontainha, a iniciativa surgiu a partir do contato com trabalhos desenvolvidos por estudantes relacionados ao atendimento de pessoas com TEA e da identificação de outras experiências que utilizavam modelos reduzidos de equipamentos de diagnóstico por imagem.
“Eu já tinha visto isso porque tive alguns alunos de TCC que trabalhavam com autismo. A partir desses projetos, conhecemos outras iniciativas e modelos pequenos de equipamentos”, explica.
A equipe decidiu desenvolver seus próprios modelos e acrescentar à proposta elementos do universo infantil. “Resolvemos desenvolver a nossa ideia e dar um lado mais lúdico para ela, justamente com os bonequinhos de super-heróis e personagens de referência das crianças. Porque, querendo ou não, esses personagens trazem uma identificação”, afirma a professora.
Preparação para o exame
Segundo a professora, a utilização dos protótipos busca reduzir o medo e a ansiedade do ambiente desconhecido, o tamanho dos aparelhos, os ruídos e o tempo prolongado em um espaço fechado. A estratégia pode ser especialmente relevante para a ressonância magnética, exame no qual o paciente permanece por mais tempo dentro de um espaço fechado.
Apesar de a tomografia apresentar menos casos de fobia, o exame também faz parte da rotina de muitas crianças em tratamento de saúde. “Hoje, a tomografia é o braço direito da oncologia. Muitas crianças que fazem tratamento radioterápico precisam fazer tomografias para planejamento”, destaca.
Nesse contexto, a professora ressalta a importância de tornar o ambiente e os procedimentos de saúde mais acolhedores. “Há toda uma forma de você reduzir esse medo, esse ambiente duro que a gente sabe que é frio, da área da saúde, e trazer um olhar mais humanizado”, afirma Críssia.
A estratégia de utilizar referências do universo infantil para facilitar a compreensão dos procedimentos também encontra respaldo em experiências relatadas à professora. Uma mãe de uma criança com TEA contou a Críssia que conseguiu ajudá-la a enfrentar um procedimento cirúrgico utilizando a história de um super-herói como referência.
“Ela contou a história do Homem de Ferro e, a partir daquela referência, ele teve coragem de fazer a cirurgia que precisava. Usar essas referências lúdicas ajuda a criança a perder o medo de fazer o exame, ter menos desistências e facilitar todo o processo”, relata.
Integração entre universidade e hospital
De acordo com a professora Críssia, a equipe da UDI utiliza brinquedos e outros objetos recebidos por doação para estabelecer uma interação mais próxima com as crianças. “Quando levamos a ideia para o pessoal do HC, eles acharam maravilhoso, porque já têm alguns brinquedos para poder interagir com as crianças. Só que, agora, eles vão ter realmente um modelo idêntico ao real”, conta.
A produção dos protótipos foi resultado de um trabalho coletivo, que envolveu desde a busca por modelos de referência até o desenvolvimento da identidade visual dos equipamentos. Elementos associados ao LAPIAS, como as abelhas presentes na logomarca do laboratório, também foram incorporados aos modelos.
A iniciativa mostra, na prática, como a integração entre ensino, pesquisa e extensão pode gerar soluções voltadas às necessidades do atendimento em saúde. Nesse caso, a impressão 3D é utilizada não apenas para reproduzir equipamentos, mas também como recurso de comunicação e acolhimento, ajudando a transformar uma experiência potencialmente assustadora em algo mais compreensível para o público infantil.





