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Não é só sobre próstata. Homem deve se atentar a saúde para além da prevenção ao câncer

Eles vivem em média sete anos a menos que as mulheres no Brasil e ainda são os que menos procuram os serviços de saúde. Médico chama a atenção para que o cuidado dos homens seja permanente e que não se restrinja ao câncer de próstata


24 de novembro de 2021 - , , , ,


A cada 7 minutos um novo caso de câncer de próstata é descoberto no Brasil e a cada 40 minutos um homem morre por essa causa. Os números mostram a gravidade e a importância de campanhas como a do Novembro Azul que chama a atenção para este que é o segundo tipo de tumor mais frequente na população masculina, principalmente por ter medidas de prevenção disponíveis e a possibilidade de cura se for diagnosticado previamente. Mas, não é só de câncer de próstata que o homem adoece.

O urologista e professor e professor do Departamento de Cirurgia da Faculdade de Medicina da UFMG, Daniel Xavier Lima, afirma que, inclusive, a própria próstata pode manifestar outro problema, chamado hiperplasia prostática, um aumento da glândula, o que está associado ao envelhecimento e que pode causar dificuldade em urinar. Também há a prevalência de doenças cardíacas em homens, assim como diabetes, alguns outros tipos de câncer, abuso de álcool e outras substâncias, as mortes violentas e suicídio.

Uma outra questão é o câncer de pênis. Este tipo está associado com a higiene e medidas simples de lavar corretamente o órgão com água e sabão podem ser suficientes para a prevenção da doença. Por isso a importância de conscientizar sobre os cuidados gerais, já que os homens costumam negligenciar a atenção à saúde e buscar os serviços apenas quando o problema já está instalado.

Mas, o professor Daniel alerta aos homens que o cuidado deve ser permanente. Pois quando aguardam a manifestação de sintomas para procurar o médico, pode encontrar uma doença já em estágio avançado e com redução na possibilidade de cura, como ocorre com o câncer de próstata.

“Eles não sabem que ao se negligenciarem estão contribuindo para a maior mortalidade de praticamente todas as causas do sexo masculino em relação ao feminino”

O urologista aponta que as mulheres são mais conscientes sobre o autocuidado, o que faz com homens não costumem se consultar, mas que essa não é uma realidade apenas do Brasil, até porque muitos países ainda tem a cultura que acredita na masculinidade como superior, de que se cuidar não é coisa de homem e não podem demonstrar sinais de fraqueza. “O homem chega a um média de expectativa de vida até cinco vezes menor do que a de mulheres”, destaca.

Ela acrescenta que há diferentes explicações para a baixa procura dos serviços de saúde pelos homens, principalmente na Atenção Primária. Ao envelhecer, por exemplo, é comum que o cuidado com a saúde aumente. Mas, se com as mulheres há típicas mudanças na questão dos hormônios com o passar dos anos, os homens não sentem esse padrão e, até por isso, podem continuar se sentindo jovens e não ver a necessidade de ir ao médico. Ele também lembra que o cuidado durante o envelhecer do homem leva em conta os cuidados que teve durante toda sua vida, por isso ter atenção a saúde também deve ocorrer na juventude.

Saiba mais no Saúde com Ciência

Os cuidados necessários com a saúde do homem, a relação entre a covid e o sexo masculino e tabus sobre a atenção a saúde dessa população estão em pauta no programa do Saúde com Ciência reprisado nesta semana.

O programa é produzido pelo Centro de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG e tem a proposta de informar e tirar dúvidas da população sobre temas da saúde. Ouça na Rádio UFMG Educativa (104,5 FM) de segunda a quinta-feira, às 5h, 8h e 18h. Também é possível ouvir o programa pelo serviço de streaming Spotify.