O uso da tecnologia na saúde pública no Brasil
Segundo pesquisa TIC Saúde de 2025, 18% dos estabelecimentos de saúde do país já fazem uso de inteligência artificial no atendimento.
23 de outubro de 2026 - inteligência artificial, saúde com ciência, SUS, Tecnologia
Através do Sistema Único de Saúde (SUS), a saúde pública brasileira tem sido destaque mundial em inovações de tecnologia digital. É o que afirma a professora do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina da UFMG e convidada do Saúde com Ciência, Zilma Reis.
“Para você ter uma ideia, a gente tem praticamente 98% das unidades de saúde no Brasil informatizadas, com uso do prontuário eletrônico. Então, esse canal de comunicação existe, e esse prontuário eletrônico é de dupla via”, explica a professora. De acordo com ela, o prontuário eletrônico do SUS é considerado hoje o maior do mundo, e um exemplo para muitos países.
“O Brasil e o SUS não ficam devendo em nada em relação à tecnologia digital. A inteligência artificial é um outro momento, ela está chegando agora. Nesse momento, para que eu consiga colocar um algoritmo que de fato funcione lá na ponta, as etapas são sucessivas e, quanto mais autonomia, quanto mais complexa a decisão a ser tomada, maiores são as exigências legais também da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para que o algoritmo entre”.
Professora Zilma Reis
Ela segue, detalhando que o SUS utiliza bases de dados coletadas no dia a dia do atendimento público em saúde por todo o país. Esses dados são utilizados para gerar conhecimento, apontamentos de gestão e monitoramento em saúde.
Dispositivo PreemieTech
A professora Zilma Reis é uma das responsáveis pelo desenvolvimento do dispositivo PreemieTest, incorporado ao SUS em março de 2026. “Esse desenvolvimento começou em 2015. Uma resposta à prematuridade. A prematuridade é a principal causa da mortalidade infantil no primeiro ano de vida no Brasil”, informa. Ainda de acordo com ela, o primeiro passo na prevenção dos óbitos e das sequelas é a identificação dos bebês prematuros.
“Nessa tecnologia, a gente reunião a física, a computação e a medicina, desenvolvendo um sensor que toca o pé do bebê com a luz, no calcanhar, e eu consigo obter ali sinais de maturidade associados em um algoritmo de inteligência artificial com alguns dados clínicos”, expõe a professora. A partir da medição feita com o sinal, é possível calcular a idade do bebê em semanas e dias, permitindo até mesmo prever se, nas próximas 48 horas, a criança precisará de uma UTI neonatal, se ela terá insuficiência respiratória por imaturidade e precisará fazer uso de respirador.
Foram sete anos de desenvolvimento, entre prova de conceito, protótipo e ensaios clínicos. Em 2026, a tecnologia foi aprovada pela Anvisa e incorporada à saúde pública do país. “Isso para nós é um grande orgulho, talvez a primeira tecnologia de inteligência artificial desenvolvida aqui no Brasil que de fato chegou à incorporação no SUS”, finaliza a professora
Ouça o podcast na íntegra:
Saúde com Ciência

No programa de rádio Saúde com Ciência desta semana, conversamos sobre o uso da IA na saúde. Discutiremos quais são as aplicações da inteligência artificial no atendimento e nos procedimentos de saúde, o processo de desenvolvimento dessas tecnologias, além de detalhar o quanto a IA está integrada ao Sistema Único de Saúde (SUS).
O Saúde com Ciência é produzido pelo Centro de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG e tem a proposta de informar e tirar dúvidas da população sobre temas da saúde. Ouça na Rádio UFMG Educativa (104,5 FM) de segunda a quinta-feira, às 7h15, no programa Bom Dia UFMG. Também é possível ouvir o programa pelas principais plataformas de podcasts.