{"id":1289,"date":"2016-11-25T19:34:25","date_gmt":"2016-11-25T19:34:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/?p=1289"},"modified":"2016-11-30T19:57:26","modified_gmt":"2016-11-30T19:57:26","slug":"o-acucar-e-tao-perigoso-quanto-o-tabaco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/o-acucar-e-tao-perigoso-quanto-o-tabaco\/","title":{"rendered":"O A\u00e7\u00facar \u00e9 t\u00e3o perigoso quanto o Tabaco"},"content":{"rendered":"<p>Em um artigo apresentado no dia 31 de outubro de 2016 no Medscape Pediatrics \u201cSugar Is the New Tobacco, so Let&#8217;s Treat It That Way\u201d por Aseem Malhotra, MBChB, MRCP destaca-se a urgente necessidade de se dar a devida import\u00e2ncia ao elevado consumo de a\u00e7ucar pela popula\u00e7\u00e3o mundial, em especial as crian\u00e7as, e estudar melhor os problemas de sa\u00fade relacionados a este elevado consumo.<\/p>\n<p>Evid\u00eancias mostram que o consumo excessivo de a\u00e7\u00facares, pode comprometer a qualidade da alimenta\u00e7\u00e3o impactando negativamente na sa\u00fade das pessoas. O a\u00e7\u00facar \u00e9 um carboidrato simples, por ser absorvido rapidamente pelo organismo, eleva os n\u00edveis de glicose de forma muito r\u00e1pida, al\u00e9m de prejudicar a absor\u00e7\u00e3o das vitaminas e minerais presentes em outros alimentos.<\/p>\n<p>Segundo o texto apresentado pelo autor uma an\u00e1lise econom\u00e9trica de 175 pa\u00edses revelou que, para cada 150 calorias de a\u00e7\u00facar dispon\u00edveis para consumo, houve um aumento de 11 vezes na preval\u00eancia de diabetes tipo 2 na popula\u00e7\u00e3o quando comparado com 150 calorias de outra fonte, como gordura ou prote\u00edna e independente do \u00edndice de massa corporal (IMC) e dos n\u00edveis de atividade f\u00edsica (1).<\/p>\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o brasileira, segundo dados da Embrapa, o Brasileiro consome, em m\u00e9dia, 55 Kg de a\u00e7\u00facar por ano. A quantidade \u00e9 5 vezes maior que a recomendada pela OMS que \u00e9 de 10 Kg\/ano. Principalmente nas \u00faltimas d\u00e9cadas houve um aumento importante da ingest\u00e3o de a\u00e7\u00facar que, consumido em excesso, pode causar preju\u00edzos equiparados ao \u00e1lcool e ao tabaco (2). Paralelamente, a evolu\u00e7\u00e3o dos padr\u00f5es de consumo alimentar nas \u00faltimas 3 d\u00e9cadas evidenciou aumento de 400% no consumo de produtos industrializados nas regi\u00f5es metropolitanas do Brasil (3). As tend\u00eancias de evolu\u00e7\u00e3o do padr\u00e3o alimentar da popula\u00e7\u00e3o brasileira nestas \u00faltimas d\u00e9cadas s\u00e3o consistentes com a participa\u00e7\u00e3o crescente de doen\u00e7as cr\u00f4nicas n\u00e3o transmiss\u00edveis no perfil de morbimortalidade e, particularmente, com o aumento da preval\u00eancia do sobrepeso e da obesidade no pa\u00eds, evidenciado desde os anos 80 (4,5). A obesidade est\u00e1 associada a\u00a0 problemas\u00a0 relevantes\u00a0 de sa\u00fade\u00a0 na\u00a0 popula\u00e7\u00e3o\u00a0 pedi\u00e1trica e\u00a0 constituiu-se\u00a0 fator\u00a0 de risco para muitas morbidades e mortalidade na vida adulta (6).<\/p>\n<p>Estudo de coorte realizado no Brasil, com tr\u00eas avalia\u00e7\u00f5es ao longo de 17 anos, que compreendia a inf\u00e2ncia at\u00e9 o in\u00edcio da fase adulta, constatou que as crian\u00e7as com IMC elevado em todas as fases do estudo, ou seja,\u00a0 permanentemente obesos, apresentaram na fase adulta maiores preval\u00eancias nas altera\u00e7\u00f5es de glicose, press\u00e3o arterial e HDL comparados ao grupo com IMC normal (p&lt;0,05) (7).<\/p>\n<p>Estrat\u00e9gias planejadas por alguns pa\u00edses como o Reino Unido de introduzir um imposto de 20% sobre as bebidas a\u00e7ucaradas a partir de 2017 s\u00e3o muito importantes. Esta a\u00e7\u00e3o \u00e9 bem condizente com os recentes apelos da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS) com o objetivo de conter as epidemias globais de obesidade e diabetes tipo 2. Interessante a abordagem do autor no sentido de que n\u00e3o devemos esquecer que o decl\u00ednio substancial do consumo de tabaco nas \u00faltimas tr\u00eas d\u00e9cadas, que foi o fator mais importante que levou a uma diminui\u00e7\u00e3o da mortalidade cardiovascular durante esse per\u00edodo, s\u00f3 aconteceu ap\u00f3s medidas legislativas que visavam a acessibilidade, disponibilidade e aceita\u00e7\u00e3o de Fumar (8).<\/p>\n<p>Al\u00e9m destas medidas muito importantes n\u00e3o se pode esquecer a relev\u00e2ncia negativa da m\u00eddia sobre o aumento deste consumo e a import\u00e2ncia de esclarecer os fatos envolvendo as grandes ind\u00fastrias como no caso do a\u00e7\u00facar (9,10). A partir do momento que se compreende a realidade dos fatos \u00e9 poss\u00edvel ter no\u00e7\u00e3o da gravidade da situa\u00e7\u00e3o e assim estabelecer metas que sejam mais adequadas para beneficiar a popula\u00e7\u00e3o. Na popula\u00e7\u00e3o brasileira, as pr\u00e1ticas alimentares v\u00eam se alterando nas \u00faltimas d\u00e9cadas sendo a publicidade um dos fatores que contribuem para esta situa\u00e7\u00e3o. Frente \u00e0 pol\u00eamica sobre crian\u00e7as e adolescentes serem alvos de an\u00fancios publicit\u00e1rios, alguns pa\u00edses da Europa j\u00e1 proibiram propagandas voltadas para este p\u00fablico (11). Essa iniciativa se deve ao fato de que as crian\u00e7as n\u00e3o possuem senso cr\u00edtico para compreender o conte\u00fado das propagandas, tendo em vista as estrat\u00e9gias cada vez mais persuasivas utilizadas pelos profissionais de marketing. Frequentemente elas confundem programa de televis\u00e3o com a mensagem publicit\u00e1ria, fato que se agrava ainda mais quando s\u00e3o utilizados personagens nos produtos comercializados (12,13).<\/p>\n<p>Neste sentido, fica evidente a import\u00e2ncia das Universidades no sentido de embasar a popula\u00e7\u00e3o com artigos cient\u00edficos que esclare\u00e7am os malef\u00edcios do a\u00e7\u00facar e sua rela\u00e7\u00e3o com as doen\u00e7as atuais. Somente com conhecimento e esclarecimento \u00e9 poss\u00edvel mobilizar e tamb\u00e9m contar com o apoio dos governantes para estabelecer estrat\u00e9gias p\u00fablicas que possam realmente beneficiar a popula\u00e7\u00e3o e n\u00e3o o interesse pessoal das grandes ind\u00fastrias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li>Basu S, Yoffe P, Hills N, et al. The relationship of sugar to population-level diabetes prevalence: an econometric analysis of repeated cross-sectional data. PLoS One. 2013;8:e57873.<\/li>\n<li>World Health Organization. Food and Agriculture Organization [WHO\/FAO]. Diet, nutrition and the prevention of chronic diseases. Geneva; 2003. [WHO &#8211; Technical Report Series, 916]<\/li>\n<li>Levy-Costa RB, Sichieri R, Pontes NS, Monteiro CA. Household food availability in Brazil: distribution and trends (1974-2003). Rev S Publ, 2005;39(4) 530-40.<\/li>\n<li>Monteiro CA, Benicio MHD&#8217;A, Conde WL, Popkin BM. Shifting obesity trends in Brazil. Eur J Clin Nutrit 2000;54:342-6.<\/li>\n<li>Sichieri R, Coitinho DC, Le\u00e3o MM, Recine E, Everhart JE. High temporal, geografic, and income variation in body mass index among adults in Brazil. Am J Public Health 1994;84(5):793-8.<\/li>\n<li>Weiss R, Dziura J, Burgert TS, Tamborlane WV, Taksali SE, Yeckel CW, et al. Obesity and the metabolic syndrome in children and adolescents. N Engl J Med. 2004; 350 (23): 2362-74.<\/li>\n<li>Fonseca FL, Brand\u00e3o AA, Pozzan R, Campana EMG, Pizz OL, Magalh\u00e3es MEC, et al. Overweight and cardiovascular risk in youth. 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Instituto de Nutri\u00e7\u00e3o Annes Dias. Propaganda de Alimentos para crian\u00e7as e adolescentes. Semana da Alimenta\u00e7\u00e3o Escolar. Prefeitura do Rio de Janeiro, 2007. www.saude.rio.gov.br\/semana_alimentacao_2007_layout.pdf<\/li>\n<li>HENRIQUES, Patr\u00edcia et al . Regulamenta\u00e7\u00e3o da propaganda de alimentos infantis como estrat\u00e9gia para a promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade. Ci\u00eanc. sa\u00fade coletiva, Rio de Janeiro , 17, n. 2, p. 481-490,\u00a0 Feb.\u00a0 2012 .\u00a0\u00a0 &lt;http:\/\/www.scielosp.org\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1413-81232012000200021&amp;lng=en&amp;nrm=iso&gt;. access on\u00a0 23\u00a0 Nov.\u00a0 2016.\u00a0 http:\/\/dx.doi.org\/10.1590\/S1413-81232012000200021.<\/li>\n<\/ol>\n<p><em><strong>Texto escrito por:<\/strong><\/em><br \/>\nCl\u00e9sio Gontijo do Amaral (Gontijo-Amaral, C)<br \/>\nProfessor Adjunto do Departamento de Pediatria da UFMG<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em um artigo apresentado no dia 31 de outubro de 2016 no Medscape Pediatrics \u201cSugar Is the New Tobacco, so&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":27,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10,255],"tags":[],"class_list":["post-1289","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias","category-resenhas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1289","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/users\/27"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1289"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1289\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1311,"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1289\/revisions\/1311"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1289"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1289"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1289"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}