{"id":1387,"date":"2017-03-13T13:17:02","date_gmt":"2017-03-13T13:17:02","guid":{"rendered":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/?p=1387"},"modified":"2017-03-13T13:19:08","modified_gmt":"2017-03-13T13:19:08","slug":"refletindo-sobre-anticoncepcao-e-protecao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/refletindo-sobre-anticoncepcao-e-protecao\/","title":{"rendered":"Refletindo sobre anticoncep\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Em 2016, ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o do artigo \u201cEfficacy and Safety of an Injectable Combination Hormonal Contraceptive for Men\u201d no \u201cThe journal of clinical endocrinology &amp; metabolism\u201d, uma nova forma de anticoncep\u00e7\u00e3o foi muito comentada: o contraceptivo hormonal masculino. Estudos foram realizados utilizando inje\u00e7\u00f5es intramusculares de testosterona sint\u00e9tica e enantato de noretisterona, que \u00e9 um derivado de progesterona e estrog\u00eanio, aplicadas a cada 8 semanas. No entanto, tal experimento foi interrompido devido aos in\u00fameros \u2013 e inesperados- efeitos colaterais, que foram desde aumento da libido e ocorr\u00eancia de acne at\u00e9 altera\u00e7\u00f5es no humor e comportamento.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos efeitos colaterais, \u00e9 importante levantar que alguns aspectos culturais da sociedade podem levar a certa resist\u00eancia por parte dos homens ao uso do anticoncepcional, com a falsa cren\u00e7a de que esse poderia levar \u00e0 impot\u00eancia ou infertilidade. Nesse ponto, \u00e9 fundamental esclarecer que todo medicamento novo passa por um processo meticuloso antes da aprova\u00e7\u00e3o, para garantir sua seguran\u00e7a e efic\u00e1cia bem como para estabelecer as indica\u00e7\u00f5es, os poss\u00edveis efeitos adversos e suas contraindica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Apesar da interrup\u00e7\u00e3o do estudo, \u00e9 prov\u00e1vel que em certo tempo o anticoncepcional masculino seja uma realidade no dia-a-dia da popula\u00e7\u00e3o, de forma a acrescentar mais uma op\u00e7\u00e3o para se evitar uma gravidez indesejada \u00e0s j\u00e1 existentes, como a camisinha e o contraceptivo hormonal feminino, seja a p\u00edlula ou adesivo transd\u00e9rmico, o dispositivo intrauterino (DIU) e o diafragma. Vale ressaltar que, desses m\u00e9todos, apenas o preservativo, seja ele masculino ou feminino, \u00e9 capaz de prevenir as doen\u00e7as sexualmente transmiss\u00edveis (DSTs).<\/p>\n<p>As DST\u2019s representam um quadro preocupante na atualidade pois, mesmo com toda propaganda informativa e o reconhecimento da necessidade de uso de camisinha, o Brasil apresenta uma epidemia de s\u00edfilis. Da mesma forma existe a preocupa\u00e7\u00e3o a AIDS, j\u00e1 que o n\u00famero de pessoas com o v\u00edrus do HIV que havia diminu\u00eddo, aumentou significativamente. Uma hip\u00f3tese que justifica o fato \u00e9 a de muitas pessoas se preocuparem com uma poss\u00edvel gravidez e negligenciarem todas as poss\u00edveis doen\u00e7as que permeiam a rela\u00e7\u00e3o sexual sem prote\u00e7\u00e3o, que v\u00e3o desde infec\u00e7\u00f5es simples at\u00e9 um est\u00e1gio de imunodefici\u00eancia sem cura ou tratamento.<\/p>\n<p>Entre as DST, a s\u00edfilis vem se destacando, pois seus n\u00fameros voltaram a crescer no Brasil. Sua transmiss\u00e3o se d\u00e1 atrav\u00e9s de contato sexual ou passada da m\u00e3e para o filho. Ao contr\u00e1rio do que se pensa, a s\u00edfilis afeta todas as camadas sociais, tendo como grande fator o comportamento sexual de risco, aquele sem uso de preservativo e com um grande n\u00famero de parceiros. \u00c0 exemplo disso, em 2015 no Brasil, dos 65.878 novos casos notificados de s\u00edfilis, a maioria ocorreu na regi\u00e3o Sudeste (56,2%) e afetando pessoas na idade entre 20 aos 39 anos (55%). Al\u00e9m desses dados,o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade indicou um aumento de 32,7%, entre 2014 e 2015, de casos de s\u00edfilis em adultos no Brasil.<\/p>\n<p>Como as doen\u00e7as sexualmente transmiss\u00edveis continuam a crescer no pa\u00eds, uma das formas de promover a preven\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 alertar sobre suas consequ\u00eancias. Dentre as consequ\u00eancias graves das DSTs est\u00e3o a infertilidade e o c\u00e2ncer, que podem acomete c\u00e9rvix, p\u00eanis e regial anal. Al\u00e9m disso, estudos mostram que pessoas que j\u00e1 apresentam alguma DST tem o risco aumentado de contrair o v\u00edrus HIV.<\/p>\n<p>O aumento de casos de DST\/HIV foi observado nos \u00faltimos anos com transmiss\u00e3o frequente entre os jovens e taxas crescentes entre as mulheres. Percebe-se uma maior vulnerabilidade entre os jovens pelo maior n\u00famero de parceiros sexuais quando comparado \u00e0s mulheres. Estas, s\u00e3o mais acometidas devido \u00e0 pr\u00f3pria anatomia, e em alguns casos, pelas dificuldades de di\u00e1logo com o parceiro, n\u00e3o conseguindo conciliar outros m\u00e9todos anticoncepcionais com o uso do preservativo.<\/p>\n<p>A possibilidade do anticoncepcional masculino, ainda que traga benef\u00edcios em rela\u00e7\u00e3o ao planejamento familiar, aumenta a preocupa\u00e7\u00e3o no que diz respeito \u00e0 um certo descaso quanto aos m\u00e9todos de barreira, que pode acarretar em uma falsa sensa\u00e7\u00e3o de prote\u00e7\u00e3o masculina. Com isso em mente, torna-se fundamental que a divulga\u00e7\u00e3o do m\u00e9todo contraceptivo masculino, caso seja aprovado, seja envolto por uma s\u00e9rie de campanhas de conscientiza\u00e7\u00e3o que reforcem a import\u00e2ncia do uso de preservativos e que deixem claro que os m\u00e9todos hormonais s\u00e3o ineficazes na prote\u00e7\u00e3o contra DSTs.<\/p>\n<p>Com o exposto, vale refor\u00e7ar: \u201c\u00e9 melhor prevenir que remediar\u201d, ou seja, deve-se fazer uso do preservativo independentemente de outro m\u00e9todo contraceptivo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #808080;\"><strong>Fontes:<\/strong> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #808080;\">\u201cHormonal, chemical and thermal inhibition of spermatogenesis: contribution of French teams to international data with the aim of developing malecontraception in France\u201d Soufir, Jean-Claude Basic and Clinical Andrology, 2017, Vol.27 <\/span><br \/>\n<span style=\"color: #808080;\">Minist\u00e9rio da Sa\u00fade (BR). Secretaria de Vigil\u00e2ncia em Sa\u00fade. Departamento de Vigil\u00e2ncia Epidemiol\u00f3gica. Guia de vigil\u00e2ncia epidemiol\u00f3gica. 7 ed. Bras\u00edlia: Minist\u00e9rio da Sa\u00fade; 2009. 813p. (S\u00e9rie A. Normas e Manuais T\u00e9cnicos).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #808080;\">Minist\u00e9rio da Sa\u00fade (BR). Secretaria de Vigil\u00e2ncia em Sa\u00fade. Programa Nacional de DST e Aids. Protocolo para preven\u00e7\u00e3o de transmiss\u00e3o vertical de HIV e s\u00edfilis: manual de bolso. Bras\u00edlia: Minist\u00e9rio da Sa\u00fade; 2007. 180p.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #808080;\">http:\/\/revistagalileu.globo.com\/Ciencia\/noticia\/2016\/11\/anticoncepcional-masculino-e-adiado-por-terreacoes-semelhantes-ao-feminino.html<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #808080;\">Ag\u00eancia Brasil, Paula Laboissi\u00e8re. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2016-11\/casos-de-sifilis-voltam-aumentar-no-brasil&gt;.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 2016, ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o do artigo \u201cEfficacy and Safety of an Injectable Combination Hormonal Contraceptive for Men\u201d no \u201cThe&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":33,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[33,5,10,255],"tags":[],"class_list":["post-1387","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-caderneta-de-saude-da-crianca","category-eixos","category-noticias","category-resenhas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1387","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/users\/33"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1387"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1387\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1390,"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1387\/revisions\/1390"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1387"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1387"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1387"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}