{"id":1393,"date":"2017-04-17T14:30:43","date_gmt":"2017-04-17T14:30:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/?p=1393"},"modified":"2017-04-17T14:30:43","modified_gmt":"2017-04-17T14:30:43","slug":"agravos-nao-intencionais-por-intoxicacoes-e-envenenamentos-em-criancas-e-adolescentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/agravos-nao-intencionais-por-intoxicacoes-e-envenenamentos-em-criancas-e-adolescentes\/","title":{"rendered":"Agravos N\u00e3o Intencionais por Intoxica\u00e7\u00f5es e Envenenamentos em Crian\u00e7as e Adolescentes"},"content":{"rendered":"<p>As causas externas, que incluem agravos intencionais e n\u00e3o intencionais, s\u00e3o a terceira causa de interna\u00e7\u00e3o hospitalar de crian\u00e7as e adolescentes no Brasil. Segundo o Datasus, em 2014, aproximadamente um ter\u00e7o (30%) das mortes em menores de 20 anos ocorridas no pa\u00eds foram devidas a causas externas; estas atingiram percentuais de 75,8% das mortes na faixa et\u00e1ria de 15 a 19 anos, 44,5% de 10 a 14 anos, 32,3% de cinco a nove anos, 22,3% de um a quatro anos e 2,6% em menores de um ano. No mundo, as principais causas de morte por agravos n\u00e3o intencionais em menores de 18 anos s\u00e3o pela ordem: acidentes de tr\u00e2nsito, afogamentos, queimaduras, quedas e envenenamentos.<\/p>\n<p>Considerando apenas os acidentes com produtos qu\u00edmicos, estima-se que em todo mundo, 45.000 crian\u00e7as morrem anualmente v\u00edtimas de envenenamentos. As crian\u00e7as com menos de cinco anos s\u00e3o as mais vulner\u00e1veis a esse tipo de acidente; isso ocorre, dentre outros fatores, pelo fato delas explorarem os ambientes com seus sentidos \u2013 olfato, paladar, tato, vis\u00e3o e audi\u00e7\u00e3o \u2013 e n\u00e3o possu\u00edrem a no\u00e7\u00e3o de risco. Devido \u00e0 menor estrutura corporal e ao metabolismo mais acelerado, a intoxica\u00e7\u00e3o em crian\u00e7as pode ter consequ\u00eancias mais s\u00e9rias quando comparada a de um adulto. Os medicamentos constituem uma das principais causas de intoxica\u00e7\u00e3o em qualquer idade, seguidos pelos produtos de uso domiciliar, tais como o hipoclorito de s\u00f3dio.<\/p>\n<p>Levantamento epidemiol\u00f3gico realizado na Unidade de Toxicologia do Hospital Jo\u00e3o XXlll CIAT-BH descreveu o atendimento de cerca de 13.293 pacientes no ano de 2015, estudo este liderado por Maria de F\u00e1tima Eyer Cabral Cardoso e D\u00e9lio Campolina, respectivamente bioqu\u00edmica e m\u00e9dico coordenador da unidade. Observou-se grande n\u00famero de crian\u00e7as e adolescentes (5.656) atendidos no Hospital, com a faixa et\u00e1ria de um a cinco anos sendo respons\u00e1vel por cerca de 22,5% de todos os atendimentos realizados pelo Servi\u00e7o de Toxicologia. Produtos qu\u00edmicos comumente encontrados no ambiente dom\u00e9stico, como hipoclorito de s\u00f3dio, representam 40% das intoxica\u00e7\u00f5es por agentes c\u00e1usticos, sendo a maioria destes acidentes (58,3%) descritos em crian\u00e7as at\u00e9 cinco anos de idade. Possivelmente o armazenamento dos produtos de limpeza dom\u00e9stica em locais impr\u00f3prios contribui para o grande n\u00famero de acidentes por produtos domissanit\u00e1rios, apontando para cuidados especiais com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 preven\u00e7\u00e3o desse tipo de acidente na inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Para evitar intoxica\u00e7\u00f5es e\/ou envenenamentos, recomenda-se:<\/strong><\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">\u2022 Estocar produtos qu\u00edmicos como medicamentos, inflam\u00e1veis, cosm\u00e9ticos, artigos de higiene e produtos de limpeza fora da vista e do alcance das crian\u00e7as. De prefer\u00eancia, trancados;<br \/>\n\u2022 Manter produtos qu\u00edmicos e materiais de limpeza em suas embalagens originais;<br \/>\n\u2022 Preferir produtos com tampas de seguran\u00e7a, dif\u00edceis de abrir;<br \/>\n\u2022 Guardar medicamentos de adultos e de crian\u00e7as em locais separados;<br \/>\n\u2022 Verificar sempre a validade dos medicamentos e dos produtos industrializados;<br \/>\n\u2022 N\u00e3o preparar rem\u00e9dios \u00e0 noite com a luz apagada;<br \/>\n\u2022 Explicar \u00e0s crian\u00e7as o risco de mexer com produtos perigosos;<br \/>\n\u2022 Pilhas e baterias esf\u00e9ricas devem ser descartadas em locais apropriados;<br \/>\n\u2022 N\u00e3o passar venenos ou pesticidas na cabe\u00e7a das crian\u00e7as para matar piolhos;<br \/>\n\u2022 N\u00e3o manter crian\u00e7as em locais onde est\u00e1 sendo usado ou foi recentemente aplicado agrot\u00f3xico;<br \/>\n\u2022 N\u00e3o aguardar embalagens inutiliz\u00e1veis;<br \/>\n\u2022 Evitar ter plantas t\u00f3xicas em casa ou nos arredores;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Em caso de intoxica\u00e7\u00f5es e\/ou envenenamentos, recomenda-se:<\/strong><\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">\u2022 Caso o veneno estiver no ar, manter o ambiente ventilado e retirar pessoas e animais do local contaminado. Ao prestar socorro \u00e0s v\u00edtimas, se proteger com m\u00e1scaras e luvas;<br \/>\n\u2022 Se houver contato com a pele, retirar roupas e cal\u00e7ados da v\u00edtima. Lavar a pele com \u00e1gua abundante, sem esfregar;<br \/>\n\u2022 Se houver contato com os olhos, lavar o local com bastante \u00e1gua corrente ou soro fisiol\u00f3gico e procurar um oftalmologista;<br \/>\n\u2022 Se houver ingest\u00e3o, n\u00e3o provocar v\u00f4mito quando a v\u00edtima estiver sonolenta ou inconsciente; se envolver v\u00edtima menor de dois anos de idade; se o produto for inseticida l\u00edquido, derivados do petr\u00f3leo, solventes, \u00e1cidos e bases. Levar o produto ou o nome do mesmo que causou intoxica\u00e7\u00e3o ao local onde o paciente ser\u00e1 atendido.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Todas as intoxica\u00e7\u00f5es e envenenamentos s\u00e3o potencialmente s\u00e9rios, portanto entre em contato com o Disque intoxica\u00e7\u00e3o 0800 7226 001 ou com o Centro de Informa\u00e7\u00e3o e Atendimento Toxicol\u00f3gico (CIAT) de refer\u00eancia. Em Minas Gerais, os telefones s\u00e3o: (31) 3224-4000; (31) 32399308 e (31) 3239-9390.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>CARDOSO, MFEC.; CAMPOLINA, D. <strong>Epidemiologia dos atendimentos realizados na Unidade de Toxicologia do HJXXXlll \/ CIAT-BH da FHEMIG no ano de 2015<\/strong>. Unidade de toxicologia do Hospital Jo\u00e3o XXlll \u2013 CIAT-BH. Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil. 2015.<\/li>\n<li>MENDON\u00c7A, ML.; ISHITANI, LH.; WAKSMAN, RD. Preven\u00e7\u00e3o de Acidentes na Inf\u00e2ncia e na Adolesc\u00eancia. In: LE\u00c3O, E.<strong> Pediatria Ambulatorial (et al)<\/strong>. Belo Horizonte: Coopmed, 2013. cap. 17, p. 269-290.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Autoria:<\/strong> Victor de Jesus Oliveira<br \/>\n<strong>Orienta\u00e7\u00e3o:<\/strong> Fabiana Maria Kakehasi, Adebal de Andrade Filho<\/p>\n<p><strong>Belo Horizonte, 05 de abril de 2017<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As causas externas, que incluem agravos intencionais e n\u00e3o intencionais, s\u00e3o a terceira causa de interna\u00e7\u00e3o hospitalar de crian\u00e7as e&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":33,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5,7,10,255],"tags":[],"class_list":["post-1393","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-eixos","category-eventos-adversos-e-seguranca-da-crianca-e-do-adolescente","category-noticias","category-resenhas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1393","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/users\/33"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1393"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1393\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1400,"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1393\/revisions\/1400"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1393"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1393"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1393"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}