{"id":237,"date":"2013-03-08T14:09:24","date_gmt":"2013-03-08T14:09:24","guid":{"rendered":"http:\/\/observaped.new\/2013\/03\/08\/toxoplasmosecogenita\/"},"modified":"2013-03-08T14:09:24","modified_gmt":"2013-03-08T14:09:24","slug":"toxoplasmosecogenita","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/toxoplasmosecogenita\/","title":{"rendered":"Toxoplasmose Cong\u00eanita: Por que e como prevenir"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">As infec\u00e7\u00f5es adquiridas intra-\u00fatero ou durante o parto representam importante causa de mortalidade<br \/>fetal e neonatal e contribuem para morbidade nos primeiros anos de vida. Dentre elas, tem importante<br \/>destaque a toxoplasmose, pelo impacto social da doen\u00e7a cong\u00eanita.<\/p>\n<p>A toxoplasmose \u00e9 uma antropozoonose causada pelo Toxoplasma gondii &#8211; parasita intracelular obrigat\u00f3rio<br \/>amplamente distribu\u00eddo no mundo e prevalente no Brasil. Em humanos, sua ocorr\u00eancia est\u00e1 associada \u00e0s<br \/>condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas da regi\u00e3o e h\u00e1bitos higi\u00eanicos, alimentares e culturais da popula\u00e7\u00e3o. As principais vias<br \/>de transmiss\u00e3o da infec\u00e7\u00e3o para o homem s\u00e3o a oral, pela ingest\u00e3o de carne crua ou mal cozida contendo<br \/>cistos do parasita ou ingest\u00e3o de oocistos presentes na terra, areia ou \u00e1gua contaminadas com fezes de<br \/>gatos infectados; e a transplacent\u00e1ria (vertical).<\/p>\n<p>Estudo epidemiol\u00f3gico com base populacional realizado recentemente em Minas Gerais evidenciou que,<br \/>ao contr\u00e1rio da Europa onde a principal fonte de infec\u00e7\u00e3o s\u00e3o as carnes mal cozidas, nas gestantes mineiras<br \/>predominaram as fontes ambientais associadas \u00e0 presen\u00e7a de oocistos.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-235\" src=\"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/sites\/37\/2013\/03\/MapaPed.png\" border=\"0\" width=\"706\" height=\"366\" \/><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><em>Figura 1: Preval\u00eancia mundial da toxoplasmose em gestantes.<br \/>Fonte: Pappas G. Int J Parasitol. 2009; 39(12):1385-94<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: left\">A toxoplasmose, uma vez adquirida, pode ser assintom\u00e1tica em at\u00e9 70% dos casos. Considerando-se que<br \/>em Minas Gerais cerca de 30 a 40% das mulheres em idade f\u00e9rtil s\u00e3o suscept\u00edveis a contrair a infec\u00e7\u00e3o,<br \/>destaca-se a import\u00e2ncia da triagem pr\u00e9-natal, utilizando testes sorol\u00f3gicos, para identifica\u00e7\u00e3o da infec\u00e7\u00e3o<br \/>aguda na gesta\u00e7\u00e3o. A gestante com toxoplasmose aguda transmite a infec\u00e7\u00e3o ao feto (transmiss\u00e3o vertical)<br \/>em cerca de 40 % dos casos e as conseq\u00fc\u00eancias podem ser o aborto ou seq\u00fcelas de intensidade vari\u00e1veis<\/p>\n<p>para o concepto, com d\u00e9ficit visual e atraso no desenvolvimento neuropsicomotor. Ao nascimento,<br \/>a maioria das crian\u00e7as infectadas (\u2248 80%) n\u00e3o apresenta sinais\/sintomas evidentes. Uma propor\u00e7\u00e3o<br \/>pequena delas pode apresentar manifesta\u00e7\u00f5es inespec\u00edficas como febre, eritema maculopapular,<br \/>hepatoesplenomegalia, microcefalia, convuls\u00f5es, trombocitopenia, ou a tr\u00edade cl\u00e1ssica: retinocoroidite,<br \/>hidrocefalia e calcifica\u00e7\u00f5es intracranianas. Mas, a maioria dessas crian\u00e7as assintom\u00e1ticas ao nascimento,<br \/>quando n\u00e3o tratadas no primeiro ano de vida, manifesta sinais da doen\u00e7a tardiamente, ainda na inf\u00e2ncia ou<br \/>at\u00e9 mesmo na vida adulta. As seq\u00fcelas s\u00e3o atraso no desenvolvimento neuropsicomotor, d\u00e9ficit auditivo,<br \/>calcifica\u00e7\u00f5es cranianas, convuls\u00f5es e, mais comumente, retinocoroidite, com conseq\u00fcente d\u00e9ficit visual<br \/>quando a m\u00e1cula \u00e9 acometida. O tratamento da toxoplasmose durante a gesta\u00e7\u00e3o \u00e9 baseado no uso de<br \/>Espiramicina ou Sulfadiazina, Pirimetamina e \u00c1cido Fol\u00ednico, sob crit\u00e9rio e indica\u00e7\u00e3o m\u00e9dica. As crian\u00e7as<br \/>com toxoplasmose cong\u00eanita devem ser tratadas com a associa\u00e7\u00e3o de sulfadiazina, pirimetamina e \u00e1cido<br \/>fol\u00ednico durante o primeiro ano de vida e ser avaliadas regularmente pelo pediatra ou infectologista,<br \/>oftalmologista, audiologista e neurologista.<\/p>\n<p>Como a toxoplasmose cong\u00eanita \u00e9 geralmente assintom\u00e1tica, apresenta repercuss\u00f5es que podem<br \/>ser graves para a crian\u00e7a e sua fam\u00edlia, conta com m\u00e9todos diagn\u00f3sticos sens\u00edveis e espec\u00edficos e seu<br \/>tratamento na gestante e no rec\u00e9m-nascido melhora o progn\u00f3stico das crian\u00e7as, imp\u00f5e-se sua preven\u00e7\u00e3o e<br \/>diagn\u00f3stico precoce. Tr\u00eas estrat\u00e9gias b\u00e1sicas est\u00e3o dispon\u00edveis para o controle da toxoplasmose.<\/p>\n<p>1. TRIAGEM PR\u00c9-NATAL: recomendada em pa\u00edses com elevada preval\u00eancia da toxoplasmose, onde<br \/>as gestantes est\u00e3o expostas a um maior risco de infec\u00e7\u00e3o, como \u00e9 o caso do Brasil. Essa estrat\u00e9gia<br \/>apresenta uma rela\u00e7\u00e3o custo-benef\u00edcio favor\u00e1vel e tem por objetivo:<br \/> a. Identificar mulheres suscet\u00edveis (IgM e IgG negativas) e limitar seu risco de infec\u00e7\u00e3o durante a<br \/>gesta\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da ado\u00e7\u00e3o de h\u00e1bitos de higiene.<br \/> b. Realizar a sorologia (detec\u00e7\u00e3o de anticorpos no sangue materno) sistem\u00e1tica para diagnosticar<br \/>e tratar, o mais precocemente poss\u00edvel, as gestantes agudamente infectadas (IgM positiva<br \/>isoladamente ou associada a IgG positiva de baixa avidez), com o objetivo de limitar a<br \/>transmiss\u00e3o de infec\u00e7\u00e3o ao feto e suas consequ\u00eancias.<br \/> c. Diagnosticar e tratar a infec\u00e7\u00e3o fetal intra-\u00fatero para minimizar as conseq\u00fc\u00eancias para o feto.<br \/> d. Diagnosticar e tratar os rec\u00e9m-nascidos infectados para diminuir o risco de complica\u00e7\u00f5es<br \/>tardias, especialmente as les\u00f5es oculares.<br \/>S\u00e3o fundamentais para o sucesso do programa de triagem pr\u00e9-natal a abrang\u00eancia do programa e<br \/>do tratamento institu\u00eddo e a efic\u00e1cia deste \u00faltimo. No Brasil, \u00e9 direito de toda gestante, devendo ser<br \/>solicitado pelo m\u00e9dico j\u00e1 na primeira consulta de pr\u00e9-natal.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">TRIAGEM NEONATAL: recomendada em regi\u00f5es com baixa preval\u00eancia da toxoplasmose, para o<br \/>diagn\u00f3stico e tratamento precoces da crian\u00e7a e redu\u00e7\u00e3o de danos. Baseia-se na identifica\u00e7\u00e3o de<br \/>IgM anti-T. gondii no sangue capilar de rec\u00e9m-nascidos absorvido em cart\u00f5es de papel filtro. \u00c9 uma<br \/>estrat\u00e9gia de baixo custo, pois \u00e9 realizada juntamente com a triagem<br \/>neonatal de outras doen\u00e7as &#8211; \u201dTeste do Pezinho\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">(<a href=\"http:\/\/ www.medicina.ufmg.br\/nupad\/triagem\/triagem_neonatal.html\">http:\/\/www.medicina.ufmg.br\/nupad\/triagem\/triagem_neonatal.html<\/a>).\u00a0 <br \/><img decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-236\" src=\"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/sites\/37\/2013\/03\/dedo_sangue.png\" border=\"0\" width=\"167\" height=\"85\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: left\">Os resultados positivos na triagem devem ser confirmados por meio de sorologia em sangue venoso,<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">ocasi\u00e3o em que deve ser investigada a infec\u00e7\u00e3o recente na m\u00e3e. Em Minas Gerais, o teste tem cobertura<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">pr\u00f3xima a 100%, sendo realizado gratuitamente em todos os munic\u00edpios do estado.<\/p>\n<p>3. PREVEN\u00c7\u00c3O PRIM\u00c1RIA: envolve uma s\u00e9rie de medidas voltadas para a profilaxia da transmiss\u00e3o do T.<br \/>gondii. Neste contexto, inclui-se a educa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o em geral, melhoria das condi\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias<br \/>e da \u00e1gua para consumo, cuidados quanto \u00e0 higiene de animais criados para abate, processamento<br \/>adequado dos alimentos e acesso das gestantes a informa\u00e7\u00f5es de qualidade acerca da preven\u00e7\u00e3o<br \/>da doen\u00e7a durante o pr\u00e9-natal. A redu\u00e7\u00e3o da exposi\u00e7\u00e3o materna \u00e0s fontes de infec\u00e7\u00e3o diminui a<br \/>vulnerabilidade \u00e0 toxoplasmose em gestantes suscet\u00edveis e \u00e9 a conduta mais eficiente para diminuir<br \/>a morbimortalidade decorrente da toxoplasmose cong\u00eanita. Os principais cuidados necess\u00e1rios para<br \/>este fim consistem em:<\/p>\n<p>\u2022\u00a0\u00a0 Cozinhar bem os alimentos;<br \/>\u2022\u00a0\u00a0 Lavar frutas, legumes e hortali\u00e7as em \u00e1gua corrente tratada;<br \/>\u2022 \u00a0 Lavar com sab\u00e3o e \u00e1gua corrente os utens\u00edlios de cozinha que por ventura tenham entrado em<br \/>contato com carnes cruas;<br \/>\u2022\u00a0\u00a0 Beber \u00e1gua tratada;<br \/>\u2022\u00a0\u00a0 Utilizar luvas e lavar bem as m\u00e3os ap\u00f3s o manuseio de terra ou areia e cuidados com o jardim;<br \/>\u2022\u00a0\u00a0 Evitar contato com fezes de felinos, devendo a limpeza dos dejetos do gato ficar sob a<br \/>responsabilidade de outra pessoa. Se for necess\u00e1rio que esse cuidado seja feito pela gestante, faze-lo<br \/>com luvas. A limpeza dos dejetos deve ser feita diariamente, uma vez que os oocistos do toxoplasma<br \/>se tornam infecciosos ap\u00f3s 24 horas.<\/p>\n<p>Em Minas Gerais, a Secretaria de Estado da Sa\u00fade em parceria com o NUPAD da Faculdade de Medicina<br \/>da UFMG iniciar\u00e1 em janeiro de 2013 o programa de triagem pr\u00e9-natal para toxoplasmose. Esse programa<br \/>ser\u00e1 oferecido a todas as gestantes do estado e consistir\u00e1 em material educativo e testes para identifica\u00e7\u00e3o<br \/>das gestantes em risco de adquirir ou que apresentarem toxoplasmose aguda. O sangue ser\u00e1 obtido por<br \/>pun\u00e7\u00e3o digital durante as consultas de pr\u00e9-natal realizadas na Unidade B\u00e1sica de Sa\u00fade e transportado em<br \/>papel filtro. Espera-se reduzir a incid\u00eancia de toxoplasmose cong\u00eanita e os danos para a crian\u00e7a infectada.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>REFER\u00caNCIAS BIBLIOGR\u00c1FICAS:<\/p>\n<p>&#8211; CARELLOS, Erika Viana Machado. Epidemiologia da toxoplasmose cong\u00eanita em Minas Gerais: um estudo populacional. 213 f., enc.: Tese (doutorado) &#8211; Universidade Federal de Minas Gerais, Faculdade de Medicina.<\/p>\n<p>&#8211; ANDRADE, Gl\u00e1ucia Manzan Queiroz de; GOULART, Eug\u00eanio Marcos Andrade; SIQUEIRA, Arminda L\u00facia<br \/>UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS. Triagem neonatal como estrat\u00e9gia para o diagn\u00f3stico e<br \/>tratamento precoces da toxoplasmose cong\u00eanita em Belo Horizonte, Minas Gerais. 2008 239 f., enc.: Tese<br \/>(doutorado) &#8211; Universidade Federal de Minas Gerais, Faculdade de Medicina.<\/p>\n<p>&#8211; SUCUPIRA, Ana Cecilia Silveira Lins. Pediatria em consult\u00f3rio. 5.ed. S\u00e3o Paulo: Sarvier, 2010.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>&#8211; Imagens retiradas de:<\/p>\n<p>\u2022\u00a0\u00a0 <a href=\"http:\/\/www.portaldaoftalmologia.com.br\/site\/site2010\/images\/stories\/toxoplasmose1.jpg\">http:\/\/www.portaldaoftalmologia.com.br\/site\/site2010\/images\/stories\/toxoplasmose1.jpg<\/a><br \/>\u2022\u00a0\u00a0<a href=\"http:\/\/www.anapolis.go.gov.br\/portal\/arquivos\/noticias\/testedopezinho-20120813- 120143.jpg\"> http:\/\/www.anapolis.go.gov.br\/portal\/arquivos\/noticias\/testedopezinho-20120813-<br \/>120143.jpg<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As infec\u00e7\u00f5es adquiridas intra-\u00fatero ou durante o parto representam importante causa de mortalidadefetal e neonatal e contribuem para morbidade nos&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":23,"featured_media":235,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[37],"tags":[],"class_list":["post-237","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-doencas-infecciosas-e-parasitarias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/237","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/users\/23"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=237"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/237\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=237"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=237"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=237"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}