{"id":275,"date":"2013-05-13T12:22:17","date_gmt":"2013-05-13T12:22:17","guid":{"rendered":"http:\/\/observaped.new\/2013\/05\/13\/hiv-no-periodo-neonatal-prevencao-e-conduta\/"},"modified":"2013-05-13T12:22:17","modified_gmt":"2013-05-13T12:22:17","slug":"hiv-no-periodo-neonatal-prevencao-e-conduta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/hiv-no-periodo-neonatal-prevencao-e-conduta\/","title":{"rendered":"HIV no per\u00edodo neonatal \u2013 preven\u00e7\u00e3o e conduta"},"content":{"rendered":"<p>O HIV, agente causador da AIDS, ataca as c\u00e9lulas do sistema imune, especialmente as marcadas com receptor de superf\u00edcie CD4 resultando na redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero e diminui\u00e7\u00e3o da fun\u00e7\u00e3o de linf\u00f3cito T helper respons\u00e1veis pela resposta imunol\u00f3gica adaptativa. <br \/>No Brasil e em todo o mundo a transmiss\u00e3o perinatal \u00e9 respons\u00e1vel pela vasta maioria de infec\u00e7\u00f5es entre a popula\u00e7\u00e3o infantil, sendo respons\u00e1vel por aproximadamente 87,2% dos casos de AIDS notificados at\u00e9 2012, no Brasil, entre menores de 13 anos. <br \/>O maior risco de transmiss\u00e3o vertical \u00e9 determinado por v\u00e1rios fatores: \u00a0<br \/> Subtipo viral e tropismo;<br \/> Est\u00e1gio cl\u00ednico da doen\u00e7a materna e os indicadores laboratoriais de progress\u00e3o da doen\u00e7a como alta carga viral, baixa contagem de linf\u00f3citos T CD4<br \/> Tipo e condi\u00e7\u00f5es do parto &#8211;\u00a0 parto cir\u00fargico de urg\u00eancia, ruptura prolongada de membranas amni\u00f3ticas<br \/> Procedimentos invasivos durante a gesta\u00e7\u00e3o ou ao parto<br \/> Prematuridade \/ Baixo Peso<br \/> Gemelaridade<br \/>Os momentos da transmiss\u00e3o perinatal do HIV s\u00e3o: <br \/> Intra-\u00fatero: 20 a 25% dos casos <br \/>Atrav\u00e9s passagem transplacent\u00e1ria do v\u00edrus para circula\u00e7\u00e3o fetal ou por c\u00e9lulas mononucleares maternas infectadas pelo HIV quando alcan\u00e7am diretamente a circula\u00e7\u00e3o fetal ou via infec\u00e7\u00e3o c\u00e9lula-a-c\u00e9lula de camadas placent\u00e1rias sucessivas a partir do contato no espa\u00e7o intravilosit\u00e1rio<br \/> Peri-parto: 60 a 75% dos casos <br \/>Mecanismos potenciais: \u201cquebras\u201d\u00a0 nas barreiras de prote\u00e7\u00e3o muco-cut\u00e2nea do RN e contato direto com secre\u00e7\u00f5es contaminadas no canal de parto ou ingest\u00e3o de fluidos contaminados; microtransfus\u00f5es no trabalho parto e infec\u00e7\u00e3o ascendente da vagina\/c\u00e9rvix para membranas fetais\/l\u00edquido amni\u00f3tico<br \/> P\u00f3s- natal: 14 a 29% <br \/>Via aleitamento materno dependendo do momento da infec\u00e7\u00e3o materna. <br \/>Estudos evidenciam que a taxa de transmiss\u00e3o vertical na Europa e nos Estados Unidos, na aus\u00eancia de quaisquer interven\u00e7\u00f5es, \u00e9 de15 a 25%. Entretanto j\u00e1 essa taxa reduz para 1% a 2% quando s\u00e3o feitas algumas interven\u00e7\u00f5es durante a gesta\u00e7\u00e3o, ao parto e ap\u00f3s o nascimento da crian\u00e7a:<br \/> Uso materno de antirretrovirais em esquema combinado de tr\u00eas medicamentos (\u201ccoquetel\u201d) durante a gravidez;<br \/> Uso materno de zidovudina por via venosa no momento do parto; <br \/> Avalia\u00e7\u00e3o da melhor via de parto considerando a viremia materna (carga viral) no 3\u00ba trimestre:\u00a0 parto ces\u00e1reo eletivo se viremia detect\u00e1vel;<br \/> Evitar monitoriza\u00e7\u00e3o invasiva durante o trabalho de parto;<br \/> Aleitamento artificial;<br \/> Uso de zidovudina nas primeiras 6 semanas de vida do rec\u00e9m-nascido.<br \/> Aspira\u00e7\u00e3o do l\u00edquido amini\u00f3tico e trocar campos;<br \/> Cuidados com o rec\u00e9m-nascido: lavar e sec\u00e1-lo ap\u00f3s o nascimento; aspirar delicadamente as vias a\u00e9reas; lavagem g\u00e1strica se necess\u00e1rio; monitorar toxicidade (hemograma; ALT e AST);<br \/>O uso de Zidovudina no RN deve ter in\u00edcio idealmente nas primeiras 2 horas \u2013 8 horas (o in\u00edcio ap\u00f3s 48 horas de vida n\u00e3o tem comprova\u00e7\u00e3o de benef\u00edcio) e seu uso deve ser feito at\u00e9 seis semanas de vida. A crian\u00e7a dever\u00e1 ser acompanhada por equipe m\u00e9dica, de prefer\u00eancia em unidades especializadas pelo menos at\u00e9 a defini\u00e7\u00e3o de seu diagn\u00f3stico. <br \/>O diagn\u00f3stico laboratorial da infec\u00e7\u00e3o pelo HIV em crian\u00e7as deve ser dividido de acordo com a faixa et\u00e1ria. <br \/>Crian\u00e7a com idade menor ou igual a 18 meses:<br \/> \u00c9 considerada infectada a crian\u00e7a com exame quantifica\u00e7\u00e3o do RNA viral plasm\u00e1tico \u2013 carga viral com resultado detect\u00e1vel em duas amostras obtidas em momentos diferentes; ou pela detec\u00e7\u00e3o do DNA pr\u00f3-viral. Estes testes dever\u00e3o ser realizados a partir do primeiro m\u00eas de vida.Caso a primeira quantifica\u00e7\u00e3o de RNA viral plasm\u00e1tica tenha um resultado detect\u00e1vel, deve-serepetir o exame imediatamente. Se a segunda carga viral tamb\u00e9m for detect\u00e1vel, deve-se considerar a crian\u00e7a infectada pelo HIV. <br \/> Considera-se n\u00e3o infectada a crian\u00e7a com idade menor que 18 meses, que tiver como resultado duas amostras abaixo do limite de detec\u00e7\u00e3o, por quantifica\u00e7\u00e3o do RNA viral plasm\u00e1tico &#8211; carga viral ou detec\u00e7\u00e3o do DNA pr\u00f3-viral e carga viral entre 1 e 6 meses, sendo uma delas ap\u00f3s o 4\u00ba m\u00eas de vida; e teste de detec\u00e7\u00e3o de anticorpos anti-HIV n\u00e3o reagente ap\u00f3s os 12 meses.<br \/>Crian\u00e7as com idade maior ou igual a 18 Meses:<br \/> Em crian\u00e7as com idade maior que 18 meses, o diagn\u00f3stico ser\u00e1 confirmado por meio da realiza\u00e7\u00e3o de um teste de triagem para detec\u00e7\u00e3o de anti-HIV 1 e anti-HIV-2 e pelo menos um teste confirmat\u00f3rio. Em caso de resultado positivo, nova amostra dever\u00e1 ser coletada para confirmar a positividade da primeira amostra. <br \/> Ela \u00e9 considerada n\u00e3o infectada quando houver uma amostra n\u00e3o reagente em testes de detec\u00e7\u00e3o para anticorpos anti-HIV ou uma amostra negativa em dois testes r\u00e1pidos. Em caso de resultados discordantes nos dois primeiros ensaios, realiza-se um terceiro teste r\u00e1pido. Quando este terceiro teste resultar negativo, considera-se a amostra \u201cnegativa para o HIV\u201d.<br \/>O acompanhamento do RN exposto ao HIV deve ser mensal nos primeiros 6 meses e, no m\u00ednimo, trimestral a partir do 2\u00ba semestre de vida. Em todas as consultas deve-se registrar o peso, o comprimento e os per\u00edmetros, em especial o per\u00edmetro cef\u00e1lico. A avalia\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica do crescimento e desenvolvimento \u00e9 extremamente importante, visto que as crian\u00e7as infectadas podem, j\u00e1 nos primeiros meses de vida, apresentar dificuldade de ganho de peso. No que concerne ao acompanhamento durante os dois primeiros anos de vida, \u00e9 importante destacar que as crian\u00e7as nascidas de m\u00e3es infectadas pelo HIV tamb\u00e9m podem ter maior risco de exposi\u00e7\u00e3o a outros agentes infecciosos durante o per\u00edodo intra-uterino e perinatal. Entre estes, destacam-se Treponema pallidum, v\u00edrus das Hepatites B e C, v\u00edrus HTLV-I, v\u00edrus do Herpes Simples, Citomegalov\u00edrus, Toxoplasma gondii e Mycobacterium tuberculosis. <br \/>Nesse sentido, a indica\u00e7\u00e3o de m\u00e9todos diagn\u00f3sticos espec\u00edficos para tais agentes deve ser analisada em conjunto com os dados de hist\u00f3ria e epidemiol\u00f3gicos que envolvem o n\u00facleo familiar, sobretudo aqueles referentes \u00e0 m\u00e3e biol\u00f3gica. O reconhecimento precoce e o tratamento de poss\u00edveis co-infec\u00e7\u00f5es devem ser considerados priorit\u00e1rios no atendimento dessas crian\u00e7as, devendo tal abordagem ser inclu\u00edda em suas primeiras consultas.<\/p>\n<p>Normal 0   21   false false false  PT-BR X-NONE X-NONE<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:center;text-indent:36.0pt;line-height:150%\" align=\"center\"><span style=\"font-family:\">Anexo 1: Fluxograma de seguimento do neonato filho de m\u00e3e HIV positivo<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-274\" src=\"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/sites\/37\/2013\/05\/fluxograma.jpg\" border=\"0\" width=\"688\" height=\"1124\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: left\">Refer\u00eancias:<\/p>\n<p> Brasil. Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Secretaria de Vigil\u00e2ncia em Sa\u00fade. Programa Nacional de DST e AIDS. Recomenda\u00e7\u00f5es para Terapia Antirretroviral em Crian\u00e7as e Adolescentes Infectados pelo HIV: manual de bolso\/ Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, Secretaria de Vigil\u00e2ncia em Sa\u00fade, Programa Nacional de DST e\u00a0 Aids. \u2013 Bras\u00edlia : Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, 2009. Dispon\u00edvel em http:\/\/www.aids.gov.br\/sites\/default\/files\/consenso_pediatrico.pdf . Acessado em mar\u00e7o de 2013.\u00a0 <br \/> Brasil. Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Secretaria de Vigil\u00e2ncia em Sa\u00fade. Programa Nacional de DST e AIDS. Boletim epidemiol\u00f3gico AIDS- DST Ano IX &#8211; n\u00ba 01 at\u00e9 semana epidemiol\u00f3gica 26\u00aa &#8211; junho de 2012 Dispon\u00edvel em http:\/\/www.aids.gov.br\/sites\/default\/files\/anexos\/publicacao\/2012\/52654\/boletim_jornalistas_pdf_22172.pdf . Acessado em mar\u00e7o de 2013. <br \/> Le\u00e3o, \u00cannio. Pediatria ambulatorial. 4. ed. Belo Horizonte: COOPMED\/UFMG, 2005.<br \/> Nelson, Waldo E.; Behrman, Richard E.; Kliegman, Robert M.; Jenson, Hal B.; Stanton, Bonita F. Nelson tratado de pediatria. 18.ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2009.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O HIV, agente causador da AIDS, ataca as c\u00e9lulas do sistema imune, especialmente as marcadas com receptor de superf\u00edcie CD4&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":23,"featured_media":274,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[37],"tags":[],"class_list":["post-275","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-doencas-infecciosas-e-parasitarias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/275","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/users\/23"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=275"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/275\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=275"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=275"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=275"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}