{"id":345,"date":"2013-08-02T17:32:22","date_gmt":"2013-08-02T17:32:22","guid":{"rendered":"http:\/\/observaped.new\/2013\/08\/02\/adolescentes-trabalham-em-situacoes-perigosas\/"},"modified":"2013-08-02T17:32:22","modified_gmt":"2013-08-02T17:32:22","slug":"adolescentes-trabalham-em-situacoes-perigosas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/adolescentes-trabalham-em-situacoes-perigosas\/","title":{"rendered":"Adolescentes trabalham em situa\u00e7\u00f5es perigosas"},"content":{"rendered":"<p>Cobran\u00e7a familiar, desejo de independ\u00eancia financeira e busca de m\u00e3o de obra barata levam \u00e0 entrada precoce dos jovens no mercado<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>O trabalho adolescente pressup\u00f5e a exist\u00eancia de condi\u00e7\u00f5es adequadas para sua execu\u00e7\u00e3o,como supervis\u00e3o e atividades que n\u00e3o sejam perigosas ou insalubres, conforme definido em lei. No entanto,tese de doutorado defendida na Faculdade de Medicina da UFMG aponta uma realidade bem diferente desse ideal. O estudo, realizado em Diamantina, na Regi\u00e3o Central de Minas Gerais, com 136 adolescentes entre 14 e 19 anos, encontrou 44% dos jovens envolvidos em alguma ocupa\u00e7\u00e3o perigosa.\u00a0 \u201cTodos se encontram em alguma situa\u00e7\u00e3o de risco. O risco \u00e9 inerente ao trabalho e pode ser minimizado, n\u00e3o anulado\u201d, explica Christiane Motta, autora do estudo.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" alignright size-full wp-image-344\" src=\"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/sites\/37\/2013\/08\/trabalho infantil.jpg\" border=\"0\" align=\"right\" style=\"float: right;margin: 10px\" width=\"300\" height=\"200\" \/>A pesquisadora, tamb\u00e9m professora de Enfermagem na Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFJVM), identificou uma separa\u00e7\u00e3o bem clara dos riscos entre os g\u00eaneros.\u201cOs meninos foram mais suscet\u00edveis aos riscos ergon\u00f4micos, como o uso constante de forma f\u00edsica e o trabalho repetitivo, enquanto as meninas sofreram mais com as caracter\u00edsticas do ambiente, como poeira e p\u00f3, ventila\u00e7\u00e3o, mudan\u00e7as de temperatura, umidade, barulho e contato com subst\u00e2ncias em alta temperatura\u201d, aponta.<\/p>\n<p>Essa separa\u00e7\u00e3o \u00e9 \u00e9 resultado do perfil de atividades desenvolvidas por cada g\u00eanero. Enquanto 37% dos meninos estavam empregados na constru\u00e7\u00e3o civil, ramo mais representativo na amostra para este g\u00eanero, as meninas estiveram mais associadas ao trabalho dom\u00e9stico 56%. Em ambos os sexos o com\u00e9rcio foi a segunda atividade com mais adolescentes empregados: 27% dos meninos e 25% das meninas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos riscos, a falta de supervis\u00e3o e at\u00e9 mesmo a inadequa\u00e7\u00e3o dos jovens para o tipo de servi\u00e7o s\u00e3o problemas comuns. \u201cAs atividades desenvolvidas na constru\u00e7\u00e3o civil apresentam risco ergon\u00f4mico elevado, al\u00e9m de serem perigosas, sendo proibidas por lei de serem realizadas por adolescentes\u201d, explica Christiane. \u201cJ\u00e1 o trabalho dom\u00e9stico inclui v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es que contribuem para o desenvolvimento de diversas doen\u00e7as ocupacionais e podem trazer risco de acidentes, como o contato com poeira e p\u00f3 e o manuseio de subst\u00e2ncias em altas temperaturas\u201d.<br \/><strong><br \/>Incentivo<\/strong><\/p>\n<p>Apesar dos riscos identificados, Christiane destaca que o trabalho adolescente \u00e9 incentivado pela sociedade. \u201cAl\u00e9m da necessidade, a cobran\u00e7a da fam\u00edlia e o desejo de terem mais independ\u00eancia financeira s\u00e3o fatores importantes para o jovem decidir entrar no mercado de trabalho\u201d, afirma. O fato de serem m\u00e3o de obra mais<br \/>barata tamb\u00e9m contribui para o desejo dos empregadores de contarem com estes trabalhadores.<\/p>\n<p>Segundo a pesquisadora, isso \u00e9 reflexo de uma cultura que entende o trabalho precoce como importante elemento na forma\u00e7\u00e3o da identidade, relacionando-se diretamente com um futuro promissor. \u201cA sociedade ainda est\u00e1 presa \u00e0 ideia de que se o adolescente come\u00e7ar a trabalhar cedo estar\u00e1 mais apto ao mercado de trabalho\u201d, comenta. \u201cPor outro lado, existem poucas iniciativas do governo que ofere\u00e7am alternativas,<br \/>contribuindo para uma forma\u00e7\u00e3o educacional de qualidade e a constru\u00e7\u00e3o de uma vis\u00e3o pol\u00edtica e social, cooperando com a forma\u00e7\u00e3o profissional dos jovens e a inser\u00e7\u00e3o destes de forma produtiva e consciente no mercado de trabalho\u201d.<\/p>\n<p><strong>Metodologia<\/strong><\/p>\n<p>A pesquisadora utilizou dados do cadastro familiar no Programa Sa\u00fade da Fam\u00edlia para identificar os adolescentes trabalhadores, tanto na zona urbana quanto na zona rural. Visitas domiciliares foram realizadas para a aceita\u00e7\u00e3o e autoriza\u00e7\u00e3o de pais e adolescentes para a aplica\u00e7\u00e3o do question\u00e1rio, o mesmo recomendado pelo programa de Aten\u00e7\u00e3o Integral \u00e0 Sa\u00fade de Crian\u00e7as e Adolescentes Economicamente Ativos do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/p>\n<p>Para este estudo, a autora dividiu as zonas urbana e rural de Diamantina em diferentes setores, de acordo com as equipes do programa Sa\u00fade da Fam\u00edlia dedicadas a eles, para delimitar a regi\u00e3o a ser trabalhada. Apenas dois setores, escolhidos por sorteio, foram visitados \u2013 um na zona urbana, outro na zona rural.<\/p>\n<p>De acordo com Christiane, apesar deste estudo ter se concentrado na quest\u00e3o dos riscos a que estes adolescentes est\u00e3o submetidos, o banco de dados montado inclui tamb\u00e9m informa\u00e7\u00f5es que podem servir<br \/>de base para v\u00e1rios outros estudos na \u00e1rea. \u201cO question\u00e1rio aplicado \u00e9 bem abrangente, compreendendo<br \/>dados sociodemogr\u00e1ficos, hist\u00f3rico ocupacional, caracter\u00edsticas do ambiente de trabalho e o hist\u00f3rico de<br \/>sa\u00fade ocupacional\u201d, destaca.<\/p>\n<p><strong>Servi\u00e7o<br \/><\/strong><\/p>\n<p><strong>T\u00edtulo:<\/strong> Caracteriza\u00e7\u00e3o dos riscos laborais em popula\u00e7\u00f5es de adolescentes trabalhadores<\/p>\n<p><strong>N\u00edvel:<\/strong> Doutorado<\/p>\n<p><strong>Programa:<\/strong> Sa\u00fade da Crian\u00e7a e do Adolescente<\/p>\n<p><strong>Autora: <\/strong>Christiane Motta Ara\u00fajo dos Santos<\/p>\n<p><strong>Orientador:<\/strong> Alysson Massote Carvalho (Instituto Presbiteriano Gamon \u2013 Lavras\/MG)<\/p>\n<p><strong>Coorientador: <\/strong>Tarc\u00edsio M\u00e1rcio Magalh\u00e3es Pinheiro<\/p>\n<p><strong>Defesa:<\/strong> 17\/05\/2013<\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><a href=\"..\/noticias\/?p=35450\" target=\"_blank\">Assessoria de Comunica\u00e7\u00e3o Social da Faculdade de Medicina da UFMG<br \/>jornalismo@medicina.ufmg.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cobran\u00e7a familiar, desejo de independ\u00eancia financeira e busca de m\u00e3o de obra barata levam \u00e0 entrada precoce dos jovens no&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":23,"featured_media":344,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[36],"tags":[],"class_list":["post-345","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-diversos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/345","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/users\/23"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=345"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/345\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=345"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=345"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=345"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}