{"id":349,"date":"2013-08-21T17:15:46","date_gmt":"2013-08-21T17:15:46","guid":{"rendered":"http:\/\/observaped.new\/2013\/08\/21\/autismo-se-instala-nos-3-primeiros-anos-de-vida-conheca-possiveis-sinais-do-transtorno\/"},"modified":"2016-02-03T18:55:40","modified_gmt":"2016-02-03T18:55:40","slug":"autismo-se-instala-nos-3-primeiros-anos-de-vida-conheca-possiveis-sinais-do-transtorno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/autismo-se-instala-nos-3-primeiros-anos-de-vida-conheca-possiveis-sinais-do-transtorno\/","title":{"rendered":"Autismo se instala nos 3 primeiros anos de vida; conhe\u00e7a poss\u00edveis sinais do transtorno"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\">\n<p>Como e quando o autismo se manifesta? Quais os primeiros sintomas? E por que \u00e9 t\u00e3o importante come\u00e7ar o tratamento o mais cedo poss\u00edvel?<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>Transtornos do espectro Autista<\/strong><\/p>\n<p>A preval\u00eancia dos transtornos do espectro autista (TEA), segundo dados atuais Centers for Disease Control and Prevetion (CDC), \u00e9 de cerca de 1 em 88 crian\u00e7as, em suas diferentes intensidades. Ocorre em todo o mundo, independente da etnia e ra\u00e7a, em todas as classes s\u00f3cio-econ\u00f4micas. Por volta\u00a0 de 10% dos transtornos do espectro autista apresenta altera\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas e cromoss\u00f4micas como S\u00edndrome de Down, esclerose tuberosa e S\u00edndrome de X fr\u00e1gil, entre outros.<\/p>\n<p>Pesquisas\u00a0 mostram\u00a0 que os cuidadores de crian\u00e7as com TEA s\u00e3o capazes de relatar altera\u00e7\u00e3o no desenvolvimento j\u00e1 no primeiro ano de vida, principalmente ap\u00f3s 6 meses, em rela\u00e7\u00e3o ao desenvolvimento de linguagem (pr\u00e9-verbal e verbal), habilidades comunicativas e\u00a0 motricidade fina. Segundo pesquisas, especialistas s\u00e3o capazes de diagnosticar os TEA por volta dos 2 anos de forma confi\u00e1vel e v\u00e1lida.<\/p>\n<p>Em nosso pa\u00eds, n\u00e3o existem estat\u00edsticas espec\u00edficas, por\u00e9m a nossa realidade \u00e9 de diagn\u00f3sticos e encaminhamento tardios destas crian\u00e7as e suas fam\u00edlias. A reabilita\u00e7\u00e3o precoce e educa\u00e7\u00e3o familiar s\u00e3o essenciais para que se promova um melhor progn\u00f3stico para estas crian\u00e7as. Assim a reportagem sobre autismo no Fant\u00e1stico tem excelente\u00a0 interesse social na educa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o sobre o tema&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Prof. Cl\u00e1udia Machado Siqueira<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Autismo se instala nos 3 primeiros anos de vida; conhe\u00e7a poss\u00edveis sinais do transtorno<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nO autismo se instala nos tr\u00eas primeiros anos de vida, quando os neur\u00f4nios que cordenam a comunica\u00e7\u00e3o e os relacionamentos sociais deixam de formar as conex\u00f5es necess\u00e1rias. Embora o transtorno seja incur\u00e1vel, quando demora para ser reconhecido, esses neur\u00f4nios n\u00e3o s\u00e3o estimulados na hora certa e a crian\u00e7a perde a chance de aprender.<\/p>\n<p>Estudo mostrou que, enquanto nos Estados Unidos o diagn\u00f3stico \u00e9 feito antes dos 3 anos de idade, no Brasil o transtorno s\u00f3 \u00e9 identificado quando a crian\u00e7a j\u00e1 tem de 5 a 7 anos. Esse atraso agrava as defici\u00eancias do autismo e traz mais sofrimento para as fam\u00edlias.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/fantastico\/quadros\/autismo-universo-particular\/noticia\/2013\/08\/questionario-identifica-possiveis-sinais-de-autismo.html\" target=\"_blank\"><strong>Question\u00e1rio ajuda a identificar poss\u00edveis sinais de autismo<\/strong><\/a><br \/>\n<strong><br \/>\nO caso de Kevin<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 seis anos, Vera e Reginaldo procuram um diagn\u00f3stico que os ajude a compreender os males que afligem o filho Kevin. <a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/fantastico\/quadros\/autismo-universo-particular\/noticia\/2013\/08\/especialistas-afirmam-que-existe-uma-pessoa-com-autismo-para-cada-92.html\" target=\"_blank\">Voc\u00ea conheceu o Kevin no domingo passado.<\/a> Vimos que ele se levanta diversas vezes, de madrugada, pra tomar banho. Desde pequeno, o menino come\u00e7ou a apresentar comportamentos peculiares.<\/p>\n<p>Quando percebe que est\u00e1 chegando o momento de comer, Kevin fica agressivo. O som do liquidificador \u00e9 especialmente irritante no autismo. Kevin se alimenta de papinha, ele recusa alimentos s\u00f3lidos.<\/p>\n<p>\u201cA gente j\u00e1 foi em neuro, psiquiatra, psic\u00f3logo, pediatra, cl\u00ednico, tudo quanto \u00e9 m\u00e9dico a gente j\u00e1 foi. Uns falam que \u00e9 retardo mental grave, outros falam que n\u00e3o. Tem m\u00e9dico que fala que ele n\u00e3o tem nada, que pode ser uma birra, uma manha\u201d, diz a m\u00e3e.<\/p>\n<p>O neuropediatra Salom\u00e3o Schwartzman analisou v\u00eddeos de quando Kevin era beb\u00ea. Aos quatro meses, ele se comportava como qualquer crian\u00e7a. Mas com um ano idade, ele j\u00e1 apresentava pequenos sinais de autismo.<br \/>\n\u201cFica olhando sempre na mesma dire\u00e7\u00e3o. Ele n\u00e3o explora mais o ambiente. E uma face sem muita express\u00e3o\u201d, analisa o m\u00e9dico.<\/p>\n<p>Foi somente no m\u00eas passado que a peregrina\u00e7\u00e3o terminou. Kevin recebeu o diagn\u00f3stico de autismo &#8211; um diagn\u00f3stico tardio. A demora em identificar o transtorno dificulta o tratamento. Depois de seis anos, a fam\u00edlia de Kevin p\u00f4de, finalmente, procurar ajuda especializada.<\/p>\n<p>Kevin perdeu a oportunidade de receber tratamento nas fases iniciais de seu desenvolvimento. Agora, ser\u00e1 preciso muito trabalho para correr atr\u00e1s dos preju\u00edzos.<\/p>\n<p>\u201cA gente sempre fala que a gente n\u00e3o vai ficar assim pro resto da vida, como que ser\u00e1 que vai ser ele sozinho? Quem vai querer cuidar dele? Como ser\u00e1 que vai ser a vida do Kevin? A gente se preocupa j\u00e1 com isso. &#8216;E complicado, n\u00e9?\u201d, diz a m\u00e3e de Kevin.<\/p>\n<p><strong>Sinais de autismo<\/strong><\/p>\n<p>Quais s\u00e3o os sinais t\u00edpicos do autismo? Algumas caracter\u00edsticas podem ajudar voc\u00ea a desconfiar quando a crian\u00e7a tem autismo. Desconfiar porque quem vai fazer o diagn\u00f3stico \u00e9 o especialista.<\/p>\n<p>Um dos sintomas mais comuns \u00e9 quando a crian\u00e7a n\u00e3o responde ao ser chamada pelo nome.\u00a0 A crian\u00e7a parece surda. Voc\u00ea chama pelo nome, ela n\u00e3o responde.<\/p>\n<p>Na presen\u00e7a de outras crian\u00e7as, ela se isola. N\u00e3o participa de brincadeiras coletivas. Ela evita o contato f\u00edsico. Voc\u00ea vai fazer um carinho e ela se afasta. Parece que tomou um choque. \u00c9 hiperativo. Anda pra l\u00e1 e pra c\u00e1, mexe em tudo, n\u00e3o para um minuto.<\/p>\n<p>Mais uma caracter\u00edstica marcante: n\u00e3o apontar com o dedo para o objeto que quer alcan\u00e7ar.<br \/>\nEla pega no seu bra\u00e7o e leva at\u00e9 ele, como se usasse a sua m\u00e3o como uma ferramenta.<\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o com os objetos &#8211; brinquedos, por exemplo &#8211; \u00e9 diferente do esperado. Ela usa os objetos de uma forma muito particular. Ela pega um carrinho, vira ao contr\u00e1rio e \u00e9 capaz de passar horas girando a rodinha.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o sabemos por que, mas pessoas com autismo parecem ter uma sensibilidade alterada. Podem cair no choro por causa de um simples toque. Mas, \u00e0s vezes, se machucam feio e n\u00e3o demonstram sentir dor. Mesmo em dias muito frios, n\u00e3o se preocupam em se agasalhar.<\/p>\n<p>A crian\u00e7a com autismo foge do contato visual. \u201cMesmo \u00e0s vezes na primeira mamada. E \u00e9 o momento em que seguramente o beb\u00ea olha nos olhos da m\u00e3e j\u00e1 com horas de vida. Algumas vezes voc\u00ea consegue detectar a falta desse contato\u201d, explica Salom\u00e3o.<\/p>\n<p>Hoje, testes cl\u00ednicos permitem entender melhor essa dificuldade.<\/p>\n<p><strong>O caso Gabriel<\/strong><\/p>\n<p>\u201cO diagn\u00f3stico do Gabriel tem uns quatro anos mais ou menos. Porque at\u00e9 ent\u00e3o eu n\u00e3o sabia. Sabia que o Gabriel era um menino especial\u201d, conta a m\u00e3e do que menino que tem hoje 16 anos.<\/p>\n<p>N\u00f3s fomos com ele fazer um teste. O programa de computador registra para que ponto a pessoa est\u00e1 olhando quando v\u00ea uma figura na tela.<\/p>\n<p>\u201cQuando voc\u00ea mostra numa tela um beb\u00ea e um rel\u00f3gio, normalmente eles olham muito mais pro rel\u00f3gio. Eles n\u00e3o t\u00eam tanto interesse pra olhar pro beb\u00ea. Quando voc\u00ea mostra um rosto, um de n\u00f3s deve olhar pros olhos &#8211; como eu estou olhando pro teu agora. Eles em geral olham pra outra parte do corpo\u201d, explica Salom\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao ver uma foto, Gabriel mostrou que \u00e9 capaz de olhar nos olhos de uma pessoa. Mas revelou outro sintoma comum no autismo. \u00c0s vezes, ele n\u00e3o consegue interpretar corretamente o contexto de uma cena.<\/p>\n<p>No autismo, pode existir uma dificuldade em interpretar figuras. \u201cO que a gente imagina? Que provavelmente ele observa o mundo de forma fragmentada. Se voc\u00ea somar essa dificuldade de visualizar o contexto, mais as dificuldades que eles t\u00eam de linguagem, voc\u00ea come\u00e7a a perceber que o mundo deles \u00e9 muito diferente do nosso\u201d, observa Salom\u00e3o.<\/p>\n<p>De volta ao consult\u00f3rio, mais um teste com Gabriel.\u00a0 Desta vez, para detectar se Gabriel \u00e9 capaz de reconhecer express\u00f5es faciais. Gabriel diz que est\u00e1 vendo uma pessoa de boca aberta.<\/p>\n<p>Para a maioria das pessoas, o reconhecimento \u00e9 intuitivo. Mas Gabriel demora, procurando pistas que o ajudem a entender o que est\u00e1 vendo.<br \/>\n<strong><br \/>\nO caso Ana Beatriz<\/strong><\/p>\n<p>Drauzio Varella foi at\u00e9 Santo Andr\u00e9, na grande S\u00e3o Paulo, para conhecer a Ana Beatriz, de 4 anos. \u201cEu fiz sete fertiliza\u00e7\u00f5es pra ter ela. Gra\u00e7as a Deus ela veio. Eu tive ela com 46 anos\u201d, conta a m\u00e3e, Marin\u00eas C\u00e2mera.<\/p>\n<p>A m\u00e3e conta que Ana Beatriz nasceu prematura e se desenvolveu normalmente at\u00e9 os 2 anos. Mas quando entrou na escola, a m\u00e3e percebeu que tinha algo estranho, com 2 anos ela n\u00e3o falava.<\/p>\n<p>Alguns beb\u00eas com autismo nem chegam a falar, \u00e9 bastante comum. Outros come\u00e7am a pronunciar as primeiras palavras, mas de uma hora para a outra regridem. Um choque para a fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Apesar de n\u00e3o falar, Ana Beatriz \u00e9 uma crian\u00e7a cheia de habilidades &#8211; esperta mesmo.<br \/>\nQuando Drauzio Varella esteve em sua casa, ela mostrou que \u00e9 capaz de entender n\u00fameros e organizar os brinquedos.<\/p>\n<p>\u201cSe voc\u00ea colocar fora da ordem, por exemplo, ela vai l\u00e1, empurra tudo, e ela coloca na ordem\u201d, explica a m\u00e3e.<\/p>\n<p>Marin\u00eas sabe que a filha tem autismo, mas est\u00e1 cheia de d\u00favidas quanto ao grau do transtorno.<\/p>\n<p>\u201cEla entrou no consult\u00f3rio e me ignorou totalmente. Isso j\u00e1 \u00e9 uma coisa que chama um pouquinho a aten\u00e7\u00e3o, porque n\u00e3o \u00e9 esperado numa crian\u00e7a com desenvolvimento social t\u00edpico\u201d, aponta Salom\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao ganhar uma caixa de brinquedos, Ana Beatriz reage de forma inesperada. Em vez de brincar com os trenzinhos, ela come\u00e7a a organiz\u00e1-los em fileira, cada um por tamanho e cor, todos voltados para a mesma dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 um brincar l\u00fadico. Isso \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o, \u00e9 uma coisa sistem\u00e1tica. Eles s\u00e3o extremamente sistem\u00e1ticos. O mundo da crian\u00e7a com autismo \u00e9 um mundo que ela tenta classificar, organizar, sistematizar\u201d, diz Salom\u00e3o.<\/p>\n<p>A avalia\u00e7\u00e3o, feita a nosso pedido, foi at\u00e9 certo ponto tranquilizadora. \u201cEla n\u00e3o \u00e9 um caso de autismo severo. Porque ela n\u00e3o demonstra at\u00e9 agora uma defici\u00eancia intelectual. Ela demonstra claramente que ela sabe o que quer fazer, identifica corretamente, organiza de forma absolutamente racional\u201d, explica Salom\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Reda\u00e7\u00e3o: <\/strong><a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/fantastico\/quadros\/autismo-universo-particular\/noticia\/2013\/08\/autismo-se-instala-nos-3-primeiros-anos-de-vida-conheca-possiveis-sinais-transtorno.html\" target=\"_blank\">http:\/\/g1.globo.com\/fantastico\/quadros\/autismo-universo-particular\/noticia\/2013\/08\/autismo-se-instala-nos-3-primeiros-anos-de-vida-conheca-possiveis-sinais-transtorno.html<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como e quando o autismo se manifesta? Quais os primeiros sintomas? 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