{"id":413,"date":"2014-01-06T14:55:12","date_gmt":"2014-01-06T14:55:12","guid":{"rendered":"http:\/\/observaped.new\/2014\/01\/06\/doenca-celiaca-acomete-10\/"},"modified":"2014-01-06T14:55:12","modified_gmt":"2014-01-06T14:55:12","slug":"doenca-celiaca-acomete-10","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/doenca-celiaca-acomete-10\/","title":{"rendered":"Doen\u00e7a cel\u00edaca acomete 10%"},"content":{"rendered":"<p>Alimentos com trigo e malte, por exemplo, t\u00eam que ser riscados do card\u00e1pio<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A doen\u00e7a cel\u00edaca (DC) \u00e9 uma enteropatia caracterizada pela intoler\u00e2ncia permanente ao gl\u00faten, fra\u00e7\u00e3o proteica encontrada no trigo, cevada e centeio. \u00c9 desencadeada por mecanismos autoimune nos indiv\u00edduos geneticamente predispostos. A DC com seu quadro cl\u00ednico t\u00edpico e principalmente suas manifesta\u00e7\u00f5es at\u00edpicas tem se mostrado mais frequente do que se imaginava. Rastreamentos sorol\u00f3gicos na popula\u00e7\u00e3o da Europa, Am\u00e9rica do Sul, Austr\u00e1lia e Estados Unidos mostram uma incid\u00eancia de aproximadamente 0,5 a 1% (Walker et al 2011). Existe tamb\u00e9m uma preval\u00eancia aumentada de DC entre familiares de cel\u00edacos. A incid\u00eancia varia de acordo com o grau de parentesco sendo 70% em g\u00eameos monozig\u00f3ticos, 10% em familiares de primeiro grau e 2,5% nos de segundo grau. As manifesta\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas t\u00edpicas de DC incluem sintomas gastrointestinais de m\u00e1 absor\u00e7\u00e3o como diarreia, esteatorreia, distens\u00e3o abdominal, diminui\u00e7\u00e3o da musculatura gl\u00fatea, perda de peso e defici\u00eancia de nutrientes ou vitaminas.\u00a0 As formas at\u00edpicas incluem as manifesta\u00e7\u00f5es extra-intestinais, como dermatite herpetiforme, defeitos no esmalte dent\u00e1rio, osteoporose, baixa estatura, atraso puberal, infertilidade, anemia por defici\u00eancia de ferro\u00a0 efrat\u00e1ria a tratamento, defici\u00eancia n\u00e3o explicada de \u00e1cido f\u00f3lico, B12, doen\u00e7as neurol\u00f3gicas ou altera\u00e7\u00f5es comportamentais, atrite e doen\u00e7as hep\u00e1ticas. O diagn\u00f3stico da DC \u00e9 baseado na suspeita cl\u00ednica, exames sorol\u00f3gicos e a bi\u00f3psia intestinal. Avan\u00e7os nos exames sorol\u00f3gicos t\u00eam auxiliado no diagn\u00f3stico. A identifica\u00e7\u00e3o do autoant\u00edgeno transglutaminase tecidual (tTG) relacionado \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o diet\u00e9tica ao gl\u00faten tem sido um marcador sorol\u00f3gico importante. Os exames de biologia molecular (HLA DQ 2 e DQ8) tamb\u00e9m t\u00eam sido utilizados e s\u00e3o uma importante ferramenta para a exclus\u00e3o da DC ou tornar o diagn\u00f3stico pouco prov\u00e1vel quando ambos s\u00e3o negativos. A bi\u00f3psia intestinal \u00e9 feita ap\u00f3s suspeita cl\u00ednica e sorologia alterada. De acordo com as novas ecomenda\u00e7\u00f5es da ESPGHAN (Sociedade Europeia de Gastroenetologia, Hepatologia e Nutri\u00e7\u00e3o Pedi\u00e1trica), a bi\u00f3psia poder\u00e1 ser dispensada em caso de suspeita cl\u00ednica em que os anticorpos anti-tTG da classe IgA tiverem t\u00edtulos muito elevados (maior que dez vezes o limite superior). <strong>O \u00fanico tratamento dispon\u00edvel at\u00e9 o momento para DC \u00e9 a dieta isenta de gl\u00faten, ou seja, dever\u00e3o ser exclu\u00eddos de forma permanente e defintiva os alimentos que contenham trigo, centeio e cevada.<\/strong> A exclus\u00e3o da aveia, que pode estar contaminada, dever\u00e1 ser avaliada. O desenvolvimento de enzimas (endoprotease) com capacidade para clivar a gliadina antes da sua absor\u00e7\u00e3o no intestino t\u00eam sido avaliado em estudos. A sua real fun\u00e7\u00e3o e sua resist\u00eancia \u00e0 passagem, sem ser inativada, no meio gastrointestinal ainda n\u00e3o \u00e9 conhecida.\u00a0 Por\u00e9m, poder\u00e1 ser uma forma promissora de tratamento no futuro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><strong>Professoras do Departamento de Pediatria da UFMG Maria do Carmo Barros de Melo, Magda Bahia e Paula Valadares Povoa Guerra<\/strong>.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Doen\u00e7a cel\u00edaca acomete 10% <\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>O p\u00e3ozinho com manteiga \u00e9 o que costuma estar na mesa de caf\u00e9 da manh\u00e3 dos brasileiros. Por\u00e9m, esse mesmo item pode ser a origem dos problemas de cerca de 10% das crian\u00e7as do Brasil, que t\u00eam intoler\u00e2ncia ao gl\u00faten \u2013 ou doen\u00e7a cel\u00edaca \u2013, segundo dados do projeto social Brasil Sem Alergia.<\/p>\n<p>O gl\u00faten \u00e9 uma prote\u00edna que est\u00e1 presente em alguns cereais, como o trigo, a cevada, o centeio e o malte, e tamb\u00e9m em todos os alimentos preparados com esses ingredientes ou seus derivados. \u00c9 uma subst\u00e2ncia fibrosa e pegajosa, respons\u00e1vel, por exemplo, pelo crescimento das massas de p\u00e3es e bolos.<\/p>\n<p>\u201cA pessoa que tem doen\u00e7a cel\u00edaca vai ser intolerante ao gl\u00faten pelo resto da vida, e ela n\u00e3o pode ingerir nem em pequenas <img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" alignright size-full wp-image-412\" src=\"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/sites\/37\/2014\/01\/doena clica.jpg\" border=\"0\" width=\"189\" height=\"290\" align=\"right\" style=\"float: right;margin: 10px\" \/>quantidades\u201d, atesta o gastroenterologista e endoscopista Gustavo Miranda Martins, membro da equipe de gastroenterologia da Santa Casa de Belo Horizonte. \u201cSe a pessoa n\u00e3o sabe da doen\u00e7a e ingere alimentos com gl\u00faten, eles provocam altera\u00e7\u00f5es no intestino, fazendo surgir uma s\u00e9rie de manifesta\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas muito variadas\u201d, completa.<\/p>\n<p>Sintomas. Segundo o m\u00e9dico, algumas pessoas \u2013 principalmente as crian\u00e7as \u2013 desenvolvem a forma cl\u00e1ssica da doen\u00e7a, apresentando diarreia, dor abdominal, emagrecimento e extens\u00e3o abdominal por gases.<\/p>\n<p>Era assim com a estudante Marcele Almeida, 16, que descobriu a doen\u00e7a cel\u00edaca aos 11 anos. \u201cComecei a passar mal com alguns alimentos. Sentia que meu corpo queria expulsar aquilo de qualquer forma. Eu tinha muitos gases, diarreias, vomitava muito\u201d, conta. At\u00e9 o diagn\u00f3stico, ela enfrentou um processo penoso: 44 exames de sangue e seis bi\u00f3psias em um intervalo de seis meses.<\/p>\n<p>J\u00e1 nos adultos \u00e9 diferente. \u201cAtualmente, a maioria dos casos diagnosticados em adultos t\u00eam forma at\u00edpica. Nesses casos, os pacientes podem desenvolver infertilidade, baixa estatura, incha\u00e7o nas pernas, aftas, falta de coordena\u00e7\u00e3o, irritabilidade, osteoporose precoce e anemia\u201d, relata Martins. A doen\u00e7a, quando n\u00e3o tratada, tamb\u00e9m est\u00e1 relacionada a alguns c\u00e2nceres.<\/p>\n<p>Tratamento. \u201cA pedra fundamental para o tratamento \u00e9 uma dieta isenta de gl\u00faten para o resto da vida. O paciente n\u00e3o poder\u00e1 comer mais trigo, cevada, nem centeio. A aveia \u00e9 liberada em quantidades menores\u201d, conta o m\u00e9dico.<\/p>\n<p>Triste com as restri\u00e7\u00f5es no in\u00edcio, Marcele agora aprendeu a lidar bem com sua dieta. \u201cAntigamente, eu achava meio chato. Mas, agora, fico feliz, porque a cada dia descubro novos alimentos que eu posso comer. E nunca mais passei mal\u201d, conta a adolescente.<\/p>\n<p>Os portadores da intoler\u00e2ncia devem ficar constantemente atentos aos r\u00f3tulos dos alimentos que compram e aos ingredientes do que comem fora de casa, pois o gl\u00faten est\u00e1 presente em uma infinidade de produtos. \u201cO trigo \u00e9 usado como espessante, ent\u00e3o achocolatado em p\u00f3, cappuccino em p\u00f3, maionese e molhos prontos, sorvete, chicletes, tudo isso cont\u00e9m trigo \u2013 e, consequentemente, gl\u00faten\u201d, alerta Martins.<\/p>\n<p><strong>Gen\u00e9tica<\/strong><\/p>\n<p>Hereditariedade. Pais com a doen\u00e7a cel\u00edaca t\u00eam 20% de chance de ter filhos cel\u00edacos. Assim, crian\u00e7as que tenham familiares de primeiro grau com a doen\u00e7a devem ser investigadas.<\/p>\n<p><strong>Pode e n\u00e3o pode<br \/><\/strong><br \/>Cel\u00edacos podem comer:<\/p>\n<p>Biscoitos e bolos \u00e0 base de tapioca, f\u00e9cula de batata, polvilho, milho.<\/p>\n<p>Frutas e verduras \u00e0 vontade.<\/p>\n<p>Arroz branco ou integral e farinha de arroz<\/p>\n<p>Mandioca e derivados<\/p>\n<p>Leite e derivados<\/p>\n<p>Ovos e carnes magras<\/p>\n<p>Gelatina, doces de frutas, pudim de arroz<\/p>\n<p>\u00d3leos de oliva, canola, milho, soja ou girassol<\/p>\n<p>Soja e derivados<\/p>\n<p>l\u00edacos n\u00e3o podem comer:<\/p>\n<p>Produtos que contenham em sua composi\u00e7\u00e3o aveia, centeio, cevada e trigo<\/p>\n<p>Sacarose ou doces concentrados em excesso<\/p>\n<p>Chocolate em barra e achocolatados em p\u00f3<\/p>\n<p>Carnes enlatadas e frios com farinha<\/p>\n<p>Molhos prontos<\/p>\n<p>Pizzas<\/p>\n<p>Molhos brancos<\/p>\n<p>Granola<\/p>\n<p>Empanados<\/p>\n<p>Cerveja<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><a href=\"http:\/\/www.otempo.com.br\/interessa\/doen%C3%A7a-cel%C3%ADaca-acomete-10-1.761099\" target=\"_self\"><strong>Fonte: Jornal O Tempo<\/strong><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alimentos com trigo e malte, por exemplo, t\u00eam que ser riscados do card\u00e1pio \u00a0<\/p>\n","protected":false},"author":23,"featured_media":412,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[44],"tags":[],"class_list":["post-413","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-instituicao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/413","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/users\/23"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=413"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/413\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=413"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=413"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=413"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}