{"id":423,"date":"2014-01-30T14:20:41","date_gmt":"2014-01-30T14:20:41","guid":{"rendered":"http:\/\/observaped.new\/2014\/01\/30\/jovens-ingressam-no-trafico-em-busca-de-respeito\/"},"modified":"2014-01-30T14:20:41","modified_gmt":"2014-01-30T14:20:41","slug":"jovens-ingressam-no-trafico-em-busca-de-respeito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/jovens-ingressam-no-trafico-em-busca-de-respeito\/","title":{"rendered":"Jovens ingressam no tr\u00e1fico em busca de respeito"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"line-height: 1.3em\">Estudo da Faculdade de Medicina da UFMG relaciona desejo de reconhecimento social com entrada de adolescentes no tr\u00e1fico de drogas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"line-height: 1.3em\"> <\/span><\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>O que leva um adolescente a ingressar e a sair do tr\u00e1fico de drogas? Estas motiva\u00e7\u00f5es foram objeto de estudo da psic\u00f3loga M\u00f4nica Brand\u00e3o e Souza, autora de disserta\u00e7\u00e3o de mestrado defendida junto ao Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Promo\u00e7\u00e3o da Sa\u00fade e Preven\u00e7\u00e3o da Viol\u00eancia da Faculdade de Medicina da UFMG.<\/p>\n<p><span style=\"line-height: 1.3em\">A necessidade de autoafirma\u00e7\u00e3o foi a principal justificativa dos jovens entrevistados, que cumpriam medida socioeducativa. \u201cOs jovens declararam existir uma necessidade material que os impulsiona para a atividade, mas em suas falas sempre aparece o tr\u00e1fico como uma chance de \u2018brilhar\u2019, construir o seu lugar de respeito no mundo\u201d, explica M\u00f4nica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"line-height: 1.3em\">\u201cMuitos deles n\u00e3o querem seguir as profiss\u00f5es subservientes que seus pais sustentaram na vida. Eles querem outra coisa, romperam com essa l\u00f3gica\u201d, afirma. A partir dessa constata\u00e7\u00e3o, a pesquisadora defende a necessidade das institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas se reposicionarem em rela\u00e7\u00e3o a esse jovem.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"line-height: 1.3em\">Afastar esses jovens do crime, portanto, vai al\u00e9m da oferta de educa\u00e7\u00e3o e emprego em n\u00edveis b\u00e1sicos. Acesso ao ensino superior e qualifica\u00e7\u00e3o profissional s\u00e3o iniciativas importantes para convenc\u00ea-los da possibilidade de uma vida digna fora do tr\u00e1fico. \u201cPara esses adolescentes, n\u00e3o se trata apenas da gera\u00e7\u00e3o de renda. Trata-se de construir um lugar na sociedade, um lugar de apre\u00e7o\u201d, refor\u00e7a M\u00f4nica.<\/span><\/p>\n<p><strong style=\"line-height: 1.3em\">Ilus\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Integrante da equipe do Servi\u00e7o de Prote\u00e7\u00e3o Social ao Adolescente em Cumprimento de Medidas Socioeducativas da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte desde 1998, M\u00f4nica notou o crescimento no n\u00famero de jovens encaminhados para o cumprimento destas medidas implicados com o tr\u00e1fico de drogas. \u00a0De acordo com dados do Tribunal de Justi\u00e7a de Minas Gerais, 24,5% das infra\u00e7\u00f5es registradas no per\u00edodo de\u00a0<span style=\"line-height: 1.3em\">2009 a 2011 eram relacionadas a essa atividade, com aumento superior a 7% nos anos de 2010 e 2011. Cerca de 1,5 mil adolescentes s\u00e3o acompanhados por m\u00eas nesse servi\u00e7o.<\/span><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" alignright size-full wp-image-422\" src=\"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/sites\/37\/2014\/01\/jovens com delitos.jpg\" border=\"0\" align=\"right\" style=\"float: left;margin: 10px\" width=\"328\" height=\"234\" \/><\/p>\n<p><span style=\"line-height: 1.3em\">O pr\u00f3prio mundo do tr\u00e1fico, no entanto, acaba afastando muitos desses adolescentes. Conviv\u00eancia com perdas, conflitos que surgem entre amigos e circula\u00e7\u00e3o restrita na cidade s\u00e3o alguns fatores que provocam desgaste na rela\u00e7\u00e3o destes jovens com a atividade. O envolvimento com essa pr\u00e1tica produz efeitos devastadores para a sa\u00fade e qualidade de vida dos mais jovens e muitos adolescentes, em raz\u00e3o desse envolvimento, acabam sendo v\u00edtimas de homic\u00eddio.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"line-height: 1.3em\">\u201c\u00c9 um trabalho extremamente prec\u00e1rio, desgastante, e os adolescentes aos poucos come\u00e7am a perceber que a realidade n\u00e3o est\u00e1 exatamente de acordo com o que pensavam antes de entrarem\u201d, afirma M\u00f4nica. \u201c\u00c9 o que costumam chamar de ilus\u00e3o do tr\u00e1fico: a chance de brilhar revela-se bem diferente do imagin\u00e1rio constru\u00eddo, pois entrar no tr\u00e1fico de drogas \u00e9 entrar em uma guerra\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"line-height: 1.3em\">Sair do tr\u00e1fico, por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 uma decis\u00e3o f\u00e1cil, e alguns fatores acabam sendo fundamentais para isso. Paternidade, experi\u00eancia amorosa mais forte, pagamento de d\u00edvidas, amea\u00e7a \u00e0 pr\u00f3pria vida, perda de amigos ou parentes, a presen\u00e7a de algu\u00e9m que os ajudasse, como m\u00e3e ou av\u00f3 e oportunidades que se abriram a partir do cumprimento da medida socioeducativa foram alguns dos motivos que se destacaram na pesquisa. \u201cPercebemos que n\u00e3o h\u00e1 um \u00fanico grande motivo que provoca a sa\u00edda desses adolescentes, mas uma variedade de situa\u00e7\u00f5es que colaboram para que o jovem decida por isso\u201d, analisa M\u00f4nica.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Medidas socioeducativas<\/strong><\/p>\n<p>As san\u00e7\u00f5es impostas a esses adolescentes est\u00e3o previstas no Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente, podendo ir da advert\u00eancia \u00e0 priva\u00e7\u00e3o de liberdade. Para M\u00f4nica, por\u00e9m, uma das medidas previstas se destaca: a liberdade assistida. \u201cEsse tipo de trabalho permite mais contato com o adolescente e conta com a participa\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia e da comunidade\u201d, explica.<\/p>\n<p><span style=\"line-height: 1.3em\">A liberdade assistida consiste em uma s\u00e9rie de obriga\u00e7\u00f5es do jovem infrator, como frequ\u00eancia \u00e0 escola e conviv\u00eancia familiar, al\u00e9m do acompanhamento semanal com psic\u00f3logos e assistentes sociais. \u201cOs adolescentes s\u00e3o contundentes em dizer do valor de ter algu\u00e9m que sustente uma presen\u00e7a nesse momento em que est\u00e3o embara\u00e7ados com a lei\u201d, aponta a pesquisadora. Al\u00e9m de possibilitar esse di\u00e1logo, que visa levar os adolescentes a se responsabilizarem pelo ato infracional cometido, o profissional pode viabilizar o acesso desses jovens a oportunidades de emprego, educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade que por acaso necessitem.<\/span><\/p>\n<p><strong style=\"line-height: 1.3em\">Projetos<\/strong><\/p>\n<p>M\u00f4nica Brand\u00e3o pretende desenvolver um trabalho de extens\u00e3o em interface com a pesquisa que atue junto aos profissionais da sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, assist\u00eancia social e seguran\u00e7a p\u00fablica que atendem \u00a0esses adolescentes. \u201cSabemos que a incid\u00eancia dessas medidas \u00e9 pontual, e que \u00e9 preciso um permanente trabalho das redes de aten\u00e7\u00e3o e promo\u00e7\u00e3o para que o jovem sustente a sua escolha e n\u00e3o insista em trilhar o caminho do tr\u00e1fico\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Com essa proposta, a pesquisadora contribui para a constru\u00e7\u00e3o de um corpo te\u00f3rico sobre o tema ao mesmo tempo em que auxilia na socioeduca\u00e7\u00e3o desses adolescentes. \u201cCumprir uma medida socioeducativa \u00e9 produzir uma resposta nova \u00e0 sociedade\u201d, observa M\u00f4nica. \u201cMas \u00e9 tamb\u00e9m um momento em que a sociedade \u00e9 chamada a dar uma resposta nova frente a esses adolescentes\u201d, conclui.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Servi\u00e7o<\/strong><\/p>\n<p><strong>T\u00edtulo:<\/strong> Adolescentes em conflito com a lei: um estudo sobre os adolescentes no tr\u00e1fico de drogas e o alcance das medidas socioeducativas em meio aberto<\/p>\n<p><strong>N\u00edvel: <\/strong>Mestrado Profissional<\/p>\n<p><strong>Autora:<\/strong> M\u00f4nica Brand\u00e3o e Souza<\/p>\n<p><strong>Orientador:<\/strong> Cristiane de Freitas Cunha Grillo<\/p>\n<p><strong>Programa: <\/strong>Promo\u00e7\u00e3o de Sa\u00fade e Preven\u00e7\u00e3o da Viol\u00eancia<\/p>\n<p><strong>Defesa:<\/strong> 1\u00ba de julho de 2013<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><a href=\"..\/noticias\/?p=6\" style=\"color: #65a03a;font-family: Verdana;line-height: normal;text-align: -webkit-right\">Assessoria de Comunica\u00e7\u00e3o Social da Faculdade de Medicina da UFMG<\/a><br style=\"font-family: Verdana;line-height: normal;text-align: -webkit-right\" \/><a href=\"mailto:jornalismo@medicina.ufmg.br\" style=\"color: #65a03a;font-family: Verdana;line-height: normal;text-align: -webkit-right\">jornalismo@medicina.ufmg.br<\/a><br style=\"font-family: Verdana;line-height: normal;text-align: -webkit-right\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo da Faculdade de Medicina da UFMG relaciona desejo de reconhecimento social com entrada de adolescentes no tr\u00e1fico de drogas.<\/p>\n","protected":false},"author":23,"featured_media":422,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[36],"tags":[],"class_list":["post-423","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-diversos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/423","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/users\/23"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=423"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/423\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=423"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=423"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=423"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}