{"id":498,"date":"2014-06-25T17:40:06","date_gmt":"2014-06-25T17:40:06","guid":{"rendered":"http:\/\/observaped.new\/2014\/06\/25\/estrongiloidiase\/"},"modified":"2015-12-22T14:51:07","modified_gmt":"2015-12-22T14:51:07","slug":"estrongiloidiase","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/estrongiloidiase\/","title":{"rendered":"Estrongiloid\u00edase"},"content":{"rendered":"<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A estrongiloid\u00edase humana \u00e9 um tipo de helmintose causada por duas esp\u00e9cies de nematoides intestinais pertencentes ao g\u00eanero Strongyloides, que s\u00e3o geohelmintos da fam\u00edlia Rhabdiasidae. A esp\u00e9cie Strongyloides stercoralis \u00e9 a de maior import\u00e2ncia cl\u00ednica para o homem, por ser a mais prevalente e ter uma distribui\u00e7\u00e3o mais ampla, com mais de 600 milh\u00f5es de pessoas infectadas no mundo. A outra esp\u00e9cie, Strongyloides fuelleborni, \u00e9 encontrada esporadicamente na \u00c1frica e na Nova Guin\u00e9.<br \/>\nA infec\u00e7\u00e3o do hospedeiro ocorre por meio da penetra\u00e7\u00e3o de larvas infectantes pelo tegumento, as quais realizam um ciclo cardiopulmonar. A transmiss\u00e3o oral e a auto-infec\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m podem ocorrer em alguns casos. A forma adulta parasit\u00e1ria \u00e9 a f\u00eamea partenogen\u00e9tica que mede de 1,7 a 2,5 mm de comprimento.<br \/>\nModo de Transmiss\u00e3o<\/p>\n<p>As larvas infectantes (filarioides), presentes no solo, penetram atrav\u00e9s da pele e chegam aos pulm\u00f5es, traqueia e epiglote. Ap\u00f3s serem deglutidas atingem o trato digestivo onde se transformam em verme adulto. A f\u00eamea libera os ovos larvados que eclodem ainda no intestino, liberando larvas rabditoides (n\u00e3o infectantes), que saem pelas fezes. No meio externo, as larvas rabditoides podem evoluir para a larva filarioide (forma infectante) ou para adultos de vida livre que ao se acasalarem geram novas formas infectantes.<\/p>\n<p>Outra forma de infec\u00e7\u00e3o \u00e9 por meio da transmiss\u00e3o fecal-oral, com a ingest\u00e3o de \u00e1gua ou alimentos contaminados com larvas infectantes. Al\u00e9m disso, \u00e9 poss\u00edvel ter a autoinfec\u00e7\u00e3o externa e interna. A autoinfec\u00e7\u00e3o externa ocorre quando as larvas presentes em res\u00edduos de fezes na regi\u00e3o anal e perianal penetram no indiv\u00edduo pela mucosa retal. J\u00e1 a autoinfec\u00e7\u00e3o interna ocorre no pr\u00f3prio intestino do indiv\u00edduo infectado, quando fatores intestinais propiciam a transforma\u00e7\u00e3o das larvas e permitem a invas\u00e3o direta da mucosa, e esse fator pode cronificar a doen\u00e7a em v\u00e1rios meses e anos.<\/p>\n<p>O per\u00edodo de incuba\u00e7\u00e3o entre a penetra\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s do tegumento e o surgimento de larvas n\u00e3o infectantes nas fezes ocorre no prazo de 14 a 28 dias. J\u00e1 o tempo para a manifesta\u00e7\u00e3o dos primeiros sintomas varia de pessoa para pessoa.<\/p>\n<p><strong>Manifesta\u00e7\u00f5es Cl\u00ednicas<\/strong><\/p>\n<p>Essa parasitose intestinal, na grande maioria dos casos, \u00e9 assintom\u00e1tica ou oligossintom\u00e1tica. As formas sintom\u00e1ticas podem cursar com manifesta\u00e7\u00f5es dermatol\u00f3gicas, pulmonares, e\/ou intestinais.<\/p>\n<p>As les\u00f5es dermatol\u00f3gicas podem ser urticariformes, maculopapulares, serpiginosas ou linear pruriginosa migrat\u00f3ria, e s\u00e3o secund\u00e1rias \u00e0 penetra\u00e7\u00e3o das larvas no tegumento. Dentre as altera\u00e7\u00f5es pulmonares, \u00e9 poss\u00edvel ter tosse seca, dispneia ou broncoespasmo e edema pulmonar (s\u00edndrome de Loefler), que cursa com eosinofilia sangu\u00ednea elevada. A sintomatologia intestinal pode ser de m\u00e9dia ou grande intensidade, como por exemplo: distens\u00e3o abdominal, flatul\u00eancia, dor em c\u00f3lica ou em queima\u00e7\u00e3o em epig\u00e1strio, anorexia, n\u00e1usea, v\u00f4mitos, diarreia secretora ou esteatorreia, e desnutri\u00e7\u00e3o proteico-cal\u00f3rica.<\/p>\n<p>Nos casos de hiperinfec\u00e7\u00e3o, pode-se observar quadro grave manifestado por febre, dor abdominal, anorexia, n\u00e1useas, v\u00f4mitos e diarreia, al\u00e9m das manifesta\u00e7\u00f5es pulmonares j\u00e1 citadas, podendo inclusive em alguns casos cursar com hemoptise e ang\u00fastia respirat\u00f3ria.<\/p>\n<p>Nos pacientes com imunossupress\u00e3o, a doen\u00e7a pode atingir altos \u00edndices de mortalidade em virtude da dissemina\u00e7\u00e3o do parasito para m\u00faltiplos \u00f3rg\u00e3os e sepse secund\u00e1ria \u00e0 bact\u00e9rias intestinais.<\/p>\n<p><strong>Diagn\u00f3stico Laboratorial<\/strong><\/p>\n<p>O diagn\u00f3stico dessa helmintose se d\u00e1 pela identifica\u00e7\u00e3o das larvas nas amostras fecais. Entretanto, como na maioria dos casos o n\u00famero de larvas \u00e9 pequeno e a elimina\u00e7\u00e3o delas \u00e9 baixa e irregular, o diagn\u00f3stico da estrongiloid\u00edase por exames parasitol\u00f3gicos torna-se muito limitado.<\/p>\n<p>Dependendo do n\u00famero de amostras de fezes a sensibilidade do exame parasitol\u00f3gico varia de 30%, 50%, at\u00e9 100%, respectivamente quando analisadas uma, tr\u00eas ou sete amostras.<\/p>\n<p>As principais t\u00e9cnicas para realiza\u00e7\u00e3o do exame parasitol\u00f3gico s\u00e3o o exame direto utilizando solu\u00e7\u00e3o salina e lugol, os m\u00e9todos de concentra\u00e7\u00e3o de larvas como o Baermann-Moraes e o de sedimenta\u00e7\u00e3o, a cultura em placa de Agar, e o m\u00e9todo de Harada-Mori.<\/p>\n<p>Nos quadros de estrongiloid\u00edase disseminada, \u00e9 poss\u00edvel encontrar as larvas em flu\u00eddos corp\u00f3reos, como em lavados broncoalveolares, escarro, fluido c\u00e9rebro-espinhal e aspirados duodenais.<\/p>\n<p><strong>Diagn\u00f3stico diferencial<\/strong><\/p>\n<p>Dependendo da fase cl\u00ednica da infec\u00e7\u00e3o, as principais doen\u00e7as que comp\u00f5em o diagn\u00f3stico diferencial s\u00e3o outras parasitoses como a ascarid\u00edase, giard\u00edase e ancilostom\u00edase; ou outras doen\u00e7as como a pneumonia, urtic\u00e1ria, colecistite, pancreatite e eosinofilia pulmonar tropical.<\/p>\n<p><strong>Tratamento<\/strong><\/p>\n<p>O tratamento pode ser feito com as seguintes drogas:<\/p>\n<p>Tiabendazol, Ivermectina ou Albendazol.<\/p>\n<p>O tiabendazol \u00e9 a droga mais utilizada no tratamento dessa helmintose e sua efic\u00e1cia \u00e9 superior a 90%. Os efeitos colaterais s\u00e3o: sonol\u00eancia, cefaleia, n\u00e1useas, v\u00f4mitos, diarreia, tonturas e erup\u00e7\u00f5es cut\u00e2neas que desaparecem com a suspens\u00e3o do tratamento.<\/p>\n<p>J\u00e1 a ivermectina tem uma efic\u00e1cia acima de 80%. Os efeitos colaterais mais frequentes s\u00e3o: diarreia, anorexia e prurido. Recomenda-se o uso da ivermectina para as crian\u00e7as acima de 5 anos ou peso superior a 15kg.<\/p>\n<p>Pacientes que ser\u00e3o submetidos a tratamento imunossupressor devem ser submetidos \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o de exame parasitol\u00f3gico de fezes ou tratamento pr\u00e9vio visando os parasitas de ciclo pulmonar.<\/p>\n<p><strong>Profilaxia<\/strong><\/p>\n<p>A estrongiloid\u00edase n\u00e3o \u00e9 uma parasitose de notifica\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria. A redu\u00e7\u00e3o da transmiss\u00e3o pode ser alcan\u00e7ada por meio do tratamento sanit\u00e1rio das fezes e por medidas de prote\u00e7\u00e3o individual como o uso de cal\u00e7ados.<\/p>\n<p><strong>Bibliografia<\/strong><\/p>\n<p>1.SUDR\u00c9,A.P.; MACEDO, H.W.; PERALTA, R.H.S.; PERALTA, J.M. Diagn\u00f3stico da Estrongiloid\u00edase Humana: Import\u00e2ncia e T\u00e9cnicas. Revista de Patologia Tropical. Vol.35,n.3,p. 173-184;2006.<\/p>\n<p>2.MELO, M.C.B.; KLEM, V.G.Q.; MOTA, J.A.C.; PENNA, F. J. Parasitoses Intestinais Revista M\u00e9dica de Minas Gerais. Vol.14, (1 Supl. 1),p. S3-S12; 2004.<\/p>\n<p>3.ANDRADE, E. C.; LEITE, I.C.G.; RODRIGUES, V. O.; CESCA; M.G. Parasitoses Intestinais: Uma Revis\u00e3o Sobre Seus Aspectos Sociais. Epidemiol\u00f3gicos, Cl\u00ednicos e Terap\u00eauticos Revista APS, Juiz de Fora.Vol.13,n. 2, p. 231-240; 2010.<\/p>\n<p>4.American Academy of Pediatrics. Varicela-zoster Infections. In: Peter G, editor. Red Book: Report of the Committee on Infections Diseases. XXth ed. Elk Grove Village: Ed American Academy of Pediatrics; 2012.<\/p>\n<p>5.Minist\u00e9rio da S\u00e1ude. Guia de Bolso de Doen\u00e7as Infecciosas e Parasit\u00e1rias 8\u00aa Ed. Distrito Federal; 2010.<\/p>\n<p>6.NEVES, D. P. Parasitologia Humana. 12\u00aa Ed. Rio de Janeiro: Atheneu Rio, 2011.<\/p>\n<p>7.Atlas de Parasitologia Cl\u00ednica e Doen\u00e7as Infecciosas Associadas ao Sistema Digestivo. Dispon\u00edvel em: .Acesso em: 15 fev. 2014, 16:38.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Introdu\u00e7\u00e3o A estrongiloid\u00edase humana \u00e9 um tipo de helmintose causada por duas esp\u00e9cies de nematoides intestinais pertencentes ao g\u00eanero Strongyloides,&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":23,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[37],"tags":[],"class_list":["post-498","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-doencas-infecciosas-e-parasitarias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/498","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/users\/23"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=498"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/498\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":852,"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/498\/revisions\/852"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=498"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=498"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/observaped\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=498"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}