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Pandemia ressalta necessidade de prevenção e tratamento da obesidade

No mês que marca o Dia Mundial da Obesidade, programa de rádio Saúde com Ciência esclarece a gravidade dessa doença e possíveis soluções


15 de março de 2021 - , ,


*Maria Beatriz Aquino

Prevenir e tratar a obesidade se tornou um desafio urgente na pandemia. Isso porque pessoas com essa doença crônica correm maior risco de complicações ao contraírem o coronavírus. Para se ter uma ideia, relatório publicado pela Federação Mundial de Obesidade mostra que o risco de morte pelo novo coronavírus é 10 vezes maior em países onde a maioria da população está acima do peso ou com obesidade. E durante o isolamento social, mais pessoas podem se encontrar nessa condição, devido a fatores como maior sedentarismo, ansiedade e aumento do preço de alimentos que são mais nutritivos. Para quem já está com obesidade, saiba que é possível contornar a situação, mas isso requer cuidados e acompanhamento médico.

No Brasil, uma em cada quatro pessoas de 18 anos ou mais anos de idade estava obesa em 2019, o equivalente a 41 milhões de pessoas, segundo pesquisa Pesquisa Nacional de Saúde. Por ser uma doença inflamatória, a obesidade pode desenvolver sérias complicações no sistema respiratório na presença do coronavírus. Além da relação com a Covid-19, a obesidade favorece o desenvolvimento de doenças como diabetes, hipertensão, tumores malignos, doenças do coração e problemas de limitação de movimentos.

Cuidado com a circunferência

O peso medido pelo Índice de Massa Corporal (IMC) é apenas uma das formas de se avaliar a doença, mas a preocupação maior é com o acúmulo de gordura visceral, na circunferência abdominal. O fator genético é uma das principais responsáveis por esse acúmulo, além de que questões hormonais, fisiológicas, emocionais, sociais e culturais.

“Inicialmente é genético, uma tendência em acumular gordura nessa região, mas tem outros componentes: mulheres que têm problemas como ovários policísticos, a mulheres depois de 50 anos na menopausa ou que ganham peso exagerado na gestação”, exemplifica o professor do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina, Josemar de Almeida Moura, especialista em endocrinologia e metabologia.

Índice de Massa Corporal: Número calculado a partir do peso dividido pela altura ao quadrado. Quando o IMC é de 25,0 até 29,9 kg/m² é considerado sobrepeso. Acima de 30 kg/m² é obesidade.

Cérebro contra

Sair da obesidade é possível e passa por mudanças de hábitos de vida. Mas pessoas que estão com excesso de peso podem ter mais dificuldade.

“Quando adquire obesidade por qualquer razão, o cérebro continua comandando, ele nunca quer que a gente perca peso, por isso pode ser mais difícil”, explica Josemar de Almeida.

O professor alerta ainda que é preciso adequar o cérebro às novas rotinas, pois apenas com a prática de exercícios físicos, os comandos cerebrais detectam aumento de apetite e geram ansiedade no indivíduo, como um gatilho que lhe faz comer mais.

O paciente precisa entender as perspectivas e o que precisa, de fato, fazer para perder peso e continuar sem ele. O objetivo não pode ser passar fome”, aponta Josemar de Almeida.

Por isso, o professor ressalta que a preocupação de mudança de hábito deve ser uma constante na vida das pessoas que tem uma tendência a ganhar peso. De acordo com ele, o ideal é que este incentivo comece na primeira fase da vida infantil e continue ao longo da adolescência, juventude e vida adulta.  

Emagrecimento rápido não é a solução

Os remédios milagrosos utilizados para o rápido emagrecimento do paciente podem resultar em efeitos ainda piores do que o desejado, uma vez que o peso perdido anteriormente pode ser duplamente recuperado. Por isso, é importante definir um estilo de vida saudável: com aumento da atividade física e adequação alimentar, buscando sempre limitar as calorias e os horários das refeições, o que já contribui de 70 a 80% para a perda de peso.

A disponibilidade de tratamentos com medicamentos eficazes para obesidade no longo prazo, praticamente, não existe. Ou seja, nós não temos nenhum medicamento seguro que possa ser usado no longo  prazo  ou  que garanta que o indivíduo que perde peso não volte a ganhar quando parar de tomar”, afirma.

Na prática

Mas como proceder com o tratamento e combater a obesidade? É possível identificar essa tendência à obesidade e tratá-la de forma preventiva? Quais práticas podem ser adotadas no dia a dia para regular o peso? Essas e outras dicas estão no programa Saúde com Ciência desta semana.

Saúde com Ciência é produzido pelo Centro de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG e tem a proposta de informar e tirar dúvidas da população sobre temas da saúde. Ouça na Rádio UFMG Educativa (104,5 FM) de segunda a quinta-feira, às 5h, 8h e 18h. Também é possível ouvir o programa pelo serviço de streaming Spotify


*Maria Beatriz Aquino: estagiária de Jornalismo
edição: Karla Scarmigliat