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Pesquisa mostra impacto da pandemia nas hospitalizações por doenças cardiovasculares

Levantamento de grupo da UFMG observou queda no número de internados e de mortes; medo de contrair covid-19 é apontado como causa.


24 de novembro de 2021 - ,


Doenças cardiovasculares são responsáveis por altas taxas de hospitalização no SUS
Doenças cardiovasculares são responsáveis por altas taxas de hospitalização no SUS. Foto: Ascom | Hospital Risoleta Tolentino Neves

Em artigo recém-publicado, pesquisadores do Observatório de Doenças e Agravos Não Transmissíveis da Escola de Enfermagem da UFMG e da Faculdade de Medicina da UFMG revelam efeitos da pandemia de covid-19 em pessoas admitidas por doenças cardiovasculares (DCV) em hospitais públicos de Belo Horizonte e concluem que as internações foram 16,3% menores do que o esperado.
 
Os dados do estudo mostraram que houve 6.517 hospitalizações por doenças cardiovasculares de março a dezembro de 2020 e que o número de cuidados intensivos durante as internações por DCV reduziu-se 24,1% em relação a períodos anteriores. Além disso, caiu 17,4% o número de mortes e diminuíram as internações e o tempo de internação por DCV. 
 
A redução desses números pode ser explicada pelo fato de que muitas pessoas deixaram de procurar os hospitais com medo de se infectarem pelo novo coronavírus. Edmar Geraldo Ribeiro, um dos autores do artigo coordenado pelas professoras Deborah Carvalho Malta, da Escola de Enfermagem, e Luísa Caldeira Brant, da Faculdade de Medicina da UFMG, explica que a pesquisa lançou mão de análise de série temporal, utilizando dados administrativos do SIH-Datasus de 2010 a fevereiro de 2020 para chegar à quantidade esperada de internações por DCV por mês durante a pandemia no ano passado.

“Para as doenças cardiovasculares, o estudo comparou o número esperado de internações hospitalares, o uso de terapia intensiva, as mortes durante internação e o tempo médio de permanência com o número observado no período”, explica.
 
A professora Luisa Caldeira Brant, cardiologista do Hospital das Clínicas da UFMG, destaca que, em relação ao número de hospitalizações por DCV, um declínio significativo foi observado em todos os subgrupos, exceto para homens com menos de 60 anos de idade. “Em relação às internações em terapia intensiva, vale ressaltar que a redução foi significativa para doenças cardiovasculares, insuficiência cardíaca e síndromes coronárias agudas apenas para adultos mais velhos”, explicita. 

Principal causa de morte no mundo

Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) revelam que as doenças cardiovasculares são as principais causas de morte em todo o mundo, respondendo por 17,9 milhões de vidas perdidas a cada ano. Informações do Sistema Único de Saúde (SUS) também mostram que as DCV são responsáveis por considerável morbidade, altas taxas de hospitalização e custos elevados para o sistema. 

Segundo dados do SIH-Datasus, as DCV que resultaram no maior número de internações no Brasil nos últimos 10 anos foram a insuficiência cardíaca, o acidente vascular encefálico e as síndromes coronárias agudas. 

Para diminuir os impactos dessas doenças, destaca a professora Deborah Malta, é fundamental que campanhas públicas informem como as pessoas devem proceder. “A atenção imediata e urgente é essencial para diminuir os efeitos indiretos da pandemia sobre essas doenças. É necessário o esclarecimento sobre novos fluxos de saúde e a retomada de medidas de promoção da saúde e de controle dos fatores de risco cardiovascular”, ela diz.

Artigo: Impact of the covid-19 pandemic on hospital admissions for cardiovascular diseases in a large Brazilian urban center
Autores: Edmar Geraldo Ribeiro, Pedro Cisalpino Pinheiro, Bruno Ramos Nascimento, João Pedro Pereira Cacique, Renato Azeredo Teixeira, Jamil de Souza Nascimento, Tulio Batista Franco, Luisa Campos Caldeira Brant e Deborah Carvalho Malta

Confira o artigo


Centro de Comunicação da UFMG com Assessoria de Comunicação da Escola de Enfermagem da UFMG