Projeto premiado pela Finep aposta em diagnóstico da Doença de Alzheimer por exame dos olhos
Com participação do Centro de Tecnologia em Medicina Molecular da UFMG, iniciativa integra especialistas de várias áreas e avança em tecnologia para diagnóstico precoce de doenças degenerativas
23 de março de 2026 - Alzheimer, CTMM, doenças degenerativas, Neurologia

Um projeto de cientistas mineiros foi um dos grandes vencedores da cerimônia de entrega dos troféus da etapa nacional do Prêmio Finep de Inovação 2025, na categoria “Infraestrutura de P&D em ICTs”. A entrega dos troféus ocorreu no Palácio do Itamaraty, em março.
Liderado pelo professor associado do Departamento de Física da UFMG Luiz Gustavo Cançado, diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação da Fapemig, o prêmio, na categoria “Infraestrutura de P&D em ICTs”, propõe o uso de um aparelho usado para exames oculares, o oftalmoscópio, para o diagnóstico precoce da Doença de Alzheimer.
A iniciativa tem participação do Centro de Tecnologia em Medicina Molecular, da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais, e se conecta a redes de pesquisa como o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Neurotecnologia Responsável (INCT NeuroTec-R).
Segundo a Finep, a premiação acaba de retornar, depois de uma década, com o objetivo de dar destaque a iniciativas em áreas estratégicas para o desenvolvimento do Brasil, como saúde, transformação digital e pesquisa e desenvolvimento, com foco em impacto científico e tecnológico.
O projeto
A proposta envolve o desenvolvimento de protocolos médicos para uso do equipamento na detecção de alterações na retina, região do olho responsável pela formação de imagens e que atua como uma extensão do sistema nervoso central.
Atualmente, o diagnóstico da Doença de Alzheimer é predominantemente clínico e, em muitos casos, depende de testes de biomarcadores que são invasivos e de alto custo. No entanto, na última década, pesquisas têm avançado na compreensão da doença e no papel do “olho como ferramenta de diagnóstico para a doença de Alzheimer”.
Se tudo se confirmar, o diagnóstico antes do surgimento de sintomas clínicos mais evidentes deixaria de depender exclusivamente de exames complexos e passaria a considerar métodos mais acessíveis e escaláveis.
Formação de profissionais e impacto social
“Temos trabalhado com diferentes abordagens, incluindo o uso de PET CT, para aprimorar a detecção precoce de doenças neurodegenerativas e ampliar as possibilidades de intervenção clínica”, afirma o professor Marco Aurélio Romano-Silva, coordenador do Centro de Tecnologia em Medicina Molecular da Faculdade de Medicina da UFMG e do INCT NeuroTec-R.
Além disso, a iniciativa dialoga com o conceito de Pesquisa e Inovação Responsáveis (PIR), adotado pelo Centro. O PIR propõe alinhar o desenvolvimento científico às demandas reais da sociedade, com máxima atenção aos aspectos éticos e aos impactos públicos. Neurotecnologias exigem cuidados éticos, valores e crenças internacionais.
Ao integrar pesquisa, desenvolvimento e aplicação, a iniciativa cria um ambiente que também contribui para a formação de profissionais qualificados em áreas estratégicas e tão distintas quanto em ciências biológicas, inteligência artificial, engenharia, física e outras.
Reconhecimento nacional da inovação
O prêmio, por sua vez, é organizado pela Finep, que é vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Foram selecionados 40 projetos finalistas, de diferentes regiões do país. Foram cinco etapas regionais, realizadas entre setembro e novembro de 2025. Ao todo, 116 iniciativas receberam prêmios nas fases regionais.
Segundo a Finep, a premiação, que retornou depois de uma década, tem o objetivo de destacar iniciativas em áreas estratégicas para o desenvolvimento do Brasil, agroindústria sustentável, bioeconomia, saúde, defesa nacional, transformação digital, infraestrutura, Deep Techs, pesquisa e desenvolvimento, com foco em impacto científico e tecnológico.
Texto: Marcus Vinicius dos Santos – jornalista CTMM Medicina UFMG