{"id":19,"date":"2019-04-11T16:02:10","date_gmt":"2019-04-11T19:02:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/qualimed\/?page_id=19"},"modified":"2019-04-12T15:45:52","modified_gmt":"2019-04-12T18:45:52","slug":"sobre","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.medicina.ufmg.br\/qualimed\/sobre\/","title":{"rendered":"Sobre"},"content":{"rendered":"\n<p> O Semin\u00e1rio de Pesquisa Qualimed: Condi\u00e7\u00f5es de Sa\u00fade e Qualidade de Vida de Estudantes acontecer\u00e1 entre os dias 08 e 09 de Maio de 2019 no Sal\u00e3o Nobre da Faculdade de Medicina da UFMG. <\/p>\n\n\n\n<p>Tem como objetivo\napresentar os resultados da primeira fase da pesquisa para a comunidade\nacad\u00eamica e promover o debate sobre alguns temas relevantes em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade\ndos estudantes de medicina e \u00e0s possibilidades de interven\u00e7\u00e3o e manejo.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, o\nSemin\u00e1rio ter\u00e1 um componente relativo \u00e0 forma\u00e7\u00e3o dos alunos. Ser\u00e3o realizadas\noficinas com temas voltados para estrat\u00e9gias de enfrentamento e\/ou manejo de\nproblemas relacionados aos estudantes, tais como T\u00e9cnicas de estudo e\ngerenciamento de tempo; comunica\u00e7\u00e3o de m\u00e1s not\u00edcias entre outras.<\/p>\n\n\n\n<p>O evento ser\u00e1 aberto ao p\u00fablico acad\u00eamico em geral, incluindo estudantes e professores internos e externos \u00e0 UFMG, com um total de 400 vagas. Ao t\u00e9rmino das palestras ser\u00e1 feita uma discuss\u00e3o com os participantes sobre os t\u00f3picos abordados.<\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Resumo estendido da pesquisa \u2013 Qualimed<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 consenso na literatura que o trabalho, e as formas como este \u00e9\nrealizado, pode impactar na sa\u00fade dos indiv\u00edduos: ao mesmo tempo em que pode\nser fonte geradora de sa\u00fade, pode tamb\u00e9m provocar doen\u00e7as ou agravar doen\u00e7as\npr\u00e9-existentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Algumas profiss\u00f5es acabam sendo mais suscept\u00edveis a causar agravos que\noutras, pela forma ou condi\u00e7\u00f5es em que o trabalho \u00e9 realizado, como \u00e9 o caso da\nmedicina. Um extenso estudo realizado na d\u00e9cada de 90 por Machado (1997) sobre\na profiss\u00e3o m\u00e9dica e o exerc\u00edcio da medicina mostrou que 80% dos m\u00e9dicos\nconsideram a atividade m\u00e9dica desgastante nutrindo sentimentos de incerteza e\npessimismo quanto ao futuro da profiss\u00e3o. Entre os principais fatores de\ndesgaste est\u00e3o o excesso de trabalho\/multiemprego (trabalham 15 horas por\nsemana a mais que outros profissionais), baixa remunera\u00e7\u00e3o, m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es de\ntrabalho, responsabilidade profissional, \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o\/especialidade, rela\u00e7\u00e3o\nm\u00e9dico-paciente, conflito\/cobran\u00e7a da popula\u00e7\u00e3o e perda da autonomia (Machado,\n1997).<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m destes aspectos, a pr\u00e1tica m\u00e9dica exp\u00f5e o profissional a intensos\nest\u00edmulos emocionais que acompanham o adoecer: o contato \u00edntimo e frequente com\na dor e o sofrimento; ter que lidar com a intimidade corporal e emocional;\natendimento a pacientes terminais; lidar com pacientes dif\u00edceis (queixosos,\nhostis, n\u00e3o aderentes ao tratamento, autodestrutivos, cronicamente deprimidos);\nlidar com as incertezas e limita\u00e7\u00f5es do conhecimento m\u00e9dico e do sistema\nassistencial que se contrap\u00f5em \u00e0s demandas e expectativas dos pacientes e\nfamiliares que desejam certezas e garantias (Pitta, 1991).<\/p>\n\n\n\n<p>Todo este cen\u00e1rio em que o trabalho m\u00e9dico \u00e9 realizado tem produzido nos\nprofissionais m\u00e9dicos transtornos mentais que, em maior ou menor medida, os\nincapacita para o exerc\u00edcio da profiss\u00e3o impactando tamb\u00e9m, sua qualidade de\nvida.<\/p>\n\n\n\n<p>Cabe ressaltar que este perfil de adoecimento do profissional m\u00e9dico pode\nter suas origens no curso de gradua\u00e7\u00e3o e, por n\u00e3o ter sido tratado e\/ou\ndiagnosticado, se estender para os anos subsequentes de pr\u00e1tica m\u00e9dica.<\/p>\n\n\n\n<p>Um recente estudo de revis\u00e3o de literatura realizado por Pacheco et al\n(2017) sobre preval\u00eancia de problemas de sa\u00fade mental em estudantes de medicina\nbrasileiros apontou altas preval\u00eancias de depress\u00e3o (30,6%), transtornos\nmentais comuns (31,5%), <em>burnout<\/em>\n(13,1%), uso abusivo de \u00e1lcool (32,9%), estresse (49,9%), baixa qualidade do\nsono (51,5%), sonol\u00eancia di\u00e1ria excessiva (46,1%) e ansiedade (32,9%)\ncomparadas a outros estudantes de gradua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 preocupante pensar, por exemplo, que estudantes de medicina brasileiros\nest\u00e3o mais deprimidos que os demais estudantes de medicina pelo mundo.\nRotenstein et al (2016), ao avaliar 195 estudos realizados em 47 pa\u00edses,\nidentificou uma preval\u00eancia de depress\u00e3o de 27,2%, entre os quais, apenas 15,7%\nfazia tratamento. Al\u00e9m da depress\u00e3o, este estudo identificou idea\u00e7\u00e3o suicida\ndurante o curso m\u00e9dico em 11,1% dos estudantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante a resid\u00eancia m\u00e9dica, a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 muito diferente. Estudo\nrealizado com residentes (Mata et al, 2015) encontrou preval\u00eancia de depress\u00e3o\nde 28,8%, valor muito pr\u00f3ximo do encontrado com os estudantes (27,2%). Estes\nachados corroboram com a teoria de que a depress\u00e3o e outros transtornos mentais\npodem ocorrer mais cedo na vida do m\u00e9dico e n\u00e3o apenas no exerc\u00edcio de sua\nprofiss\u00e3o, impactando na sua sa\u00fade ao longo do tempo e na qualidade do cuidado\nofertado ao paciente.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de mais deprimidos e estressados, estudantes de medicina apresentam\nbaixo bem estar social quando comparados a seus pares da mesma idade e\nsignificativa queda da empatia com o passar dos anos (Magalh\u00e3es et al, 2011;\nPagnin e Queiroz, 2015; Rotenstein et al, 2016).<\/p>\n\n\n\n<p>A empatia, entendida como a resposta de um indiv\u00edduo \u00e0s experi\u00eancias\nvivenciadas pelos outros (Formiga et al, 2011), tem um papel fundamental na\nqualidade do cuidado ofertado ao paciente. Al\u00e9m de contribuir para um melhor\nengajamento do paciente ao tratamento, a empatia pode auxiliar o m\u00e9dico em\nforma\u00e7\u00e3o em suas rela\u00e7\u00f5es sociais com os colegas, aspecto muito associado a uma\nmelhor sa\u00fade mental e qualidade de vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Na literatura, encontramos muitas descri\u00e7\u00f5es de agravos ligados \u00e0s\natividades profissionais dos m\u00e9dicos que s\u00e3o observados tamb\u00e9m nos estudantes\nde medicina. Podemos citar a s\u00edndrome de \u201c<em>burnout<\/em>\u201d\nou s\u00edndrome do estresse profissional, que envolve sintomas som\u00e1ticos (exaust\u00e3o,\nfadiga, cefal\u00e9ia, dist\u00farbios gastrointestinais, ins\u00f4nia e dispneia)\npsicol\u00f3gicos (humor depressivo, irritabilidade, ansiedade, rigidez,\nnegativismo, ceticismo e desinteresse) e comportamentais (fazer consultas\nr\u00e1pidas, colocar r\u00f3tulos depreciativos, evitar os pacientes e o contato\nvisual); uso de drogas e subst\u00e2ncias psicoativas, dist\u00farbios conjugais, al\u00e9m de\nalta preval\u00eancia de suic\u00eddio e depress\u00e3o como j\u00e1 dito anteriormente (Machado,\n1997; Martins 1990).<\/p>\n\n\n\n<p>O que estaria na g\u00eanese deste conjunto de problemas vivenciados pelos\nestudantes ainda n\u00e3o est\u00e1 muito claro. Existe uma corrente de estudiosos que\napontam que o curso m\u00e9dico favorece o aparecimento destas\ndoen\u00e7as\/comportamentos enquanto outros afirmam que os problemas s\u00e3o de\npersonalidade dos candidatos ao curso m\u00e9dico, sendo, portanto, anterior \u00e0\nentrada no curso. Entre os fatores associados ao adoecimento mental dos\nestudantes est\u00e3o: ambiente altamente estressante, carga de trabalho e competitividade\nexcessivas, priva\u00e7\u00e3o de sono, press\u00e3o dos pares, fatores curriculares e\ninstitucionais al\u00e9m de fatores pessoais e afetivos (Pacheco et al, 2017).<\/p>\n\n\n\n<p>Associado a isso, os estudantes de medicina no Brasil encaram o desafio\nde conciliar o curr\u00edculo m\u00e9dico voltado ao Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) com\nsuas pr\u00f3prias necessidades psicossociais num espa\u00e7o de tempo de seis anos\ndivididos em tr\u00eas ciclos: 1) b\u00e1sico ou pr\u00e9-cl\u00ednico, 2) cl\u00ednico-te\u00f3rico e 3)\npr\u00e1tico (internato).<\/p>\n\n\n\n<p>Sendo assim, torna-se importante compreender como estes fatores (pessoais\ne relacionados ao curr\u00edculo m\u00e9dico) se associam \u00e0 preval\u00eancia e\/ou incid\u00eancia\nde problemas de sa\u00fade mental nos estudantes de medicina.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Objetivo da pesquisa Qualimed<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Investigar\nas condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade e a qualidade de vida de estudantes de gradua\u00e7\u00e3o em\nmedicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e verificar os fatores\nassociados.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sobre a pesquisa<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O estudo foi\ndividido em duas etapas: <\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\"><li>Estudo transversal: Todos os alunos matriculados no\ncurso de medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) foram\nconvidados a participar do estudo, independente do per\u00edodo que se encontravam\nno curso. Um total de 1470 alunos participou desta etapa.<\/li><li>Estudo\nde coorte prospectivo com as quatro \u00faltimas turmas de alunos matriculados\n(ingressantes em 2017 e 2018). Aproximadamente 600 alunos ser\u00e3o acompanhados\ndurante os seis anos do curso m\u00e9dico e suas condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade mental e\nqualidade de vida ser\u00e3o analisadas.<\/li><\/ol>\n\n\n\n<p>Os estudantes\nresponderam a um question\u00e1rio composto predominantemente por quest\u00f5es fechadas\ncontendo informa\u00e7\u00f5es sobre dados socioecon\u00f4micos, informa\u00e7\u00f5es sobre o curso,\nqualidade de vida, redes de apoio (confidentes, amigos e outros), empatia, uso\nde subst\u00e2ncias, viol\u00eancia, comportamentos e problemas de sa\u00fade geral e mental\n(depress\u00e3o, <em>burnout, <\/em>ansiedade) e uma\nquest\u00e3o aberta ao final do question\u00e1rio. Todos os instrumentos inclu\u00eddos no\nquestion\u00e1rio s\u00e3o validados para o Brasil ou est\u00e3o em fase de valida\u00e7\u00e3o pela pr\u00f3pria\npesquisa Qualimed.<\/p>\n\n\n\n<p>O Qualimed est\u00e1\ninscrito no Comit\u00e9 de \u00c9tica em Pesquisa da Universidade Federal de Minas\nGerais. A participa\u00e7\u00e3o foi volunt\u00e1ria e todos os estudantes que participaram do\nestudo assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Semin\u00e1rio de Pesquisa Qualimed: Condi\u00e7\u00f5es de Sa\u00fade e Qualidade de Vida de Estudantes acontecer\u00e1 entre os dias 08 e 09 de Maio de 2019 no Sal\u00e3o Nobre da Faculdade de Medicina da UFMG. 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