Quem tem mais risco de desenvolver pedra na vesícula?
Hormônios, obesidade e dietas radicais podem favorecer o surgimento das pedras.
08 de maio de 2026 - bile, biliar, cirurgia, saúde com ciência, vesícula

* Deise Amaral
A pedra na vesícula — ou colelitíase — é o resultado de formações sólidas localizadas na vesícula biliar, órgão que armazena a bile, líquido que atua na digestão de gorduras no intestino. É na composição da bile que está, entre outras substâncias, o colesterol, responsável pela imensa maioria da formação de cálculos (pedras) que podem causar inflamação local e outras complicações. É o que afirma o professor do Departamento de Cirurgia da Faculdade de Medicina da UFMG e convidado do Saúde Com Ciência, Cristiano Xavier.
De acordo com ele, algumas condições podem favorecer o surgimento das pedras vesiculares. Pessoas com obesidade apresentam com mais frequência distúrbios de colesterol, o que dificulta sua dissolução na vesícula. Dizer que somente pessoas com sobrepeso desenvolvem pedra na vesícula é um mito comum, mas infundado. Mudanças extremas na alimentação, como por exemplo em processos de emagrecimento rápido e não saudável também desestabilizam a bile e podem formar cálculos da mesma forma, pontua o professor.
“Porque são uma série de distúrbios e da forma como o ser humano vive com o passar do tempo que, pelo menos em algum momento da vida dele, ele está diante de uma mudança. Ocorre essa mudança da constituição da bile dele, e essa pedra pode começar a formar a primeira areia. Mesmo que, depois de certo tempo, essa desregulação da bile se conserte, ela já formou a primeira pedra, e uma das características da pedra na vesícula é que ela não se desfaz automaticamente, como alguns outros tipos de doenças”.
Professor Cristiano Xavier
Além disso, alterações no estrogênio e na progesterona desregulam e dificultam o funcionamento da vesícula. Por isso, o professor afirma que algumas situações comuns na vida das mulheres podem colocá-las sob maior risco, como o uso prolongado de anticoncepcionais ou de terapia hormonal. Ele destaca ainda que, na gravidez, os riscos são ainda maiores, pois há o aumento dos dois hormônios ao mesmo tempo.
Confira a seguir outros mitos e verdades acerca da pedra na vesícula:
Existem diferentes formas de tratamento além da retirada da vesícula.
Mito. O único tratamento para colelitíase é a retirada da vesícula biliar, porque o problema não são somente os cálculos, mas a própria vesícula, que apresenta disfunção.
O procedimento é feito por videolaparoscopia, técnica pouco invasiva e totalmente segura.
É possível viver com a pedra na vesícula quando não há sintomas.
Mito. Assim que diagnosticada, a pedra na vesícula precisa de tratamento adequado, que consiste em remover a vesícula biliar. O planejamento cirúrgico pode ser especializado para alguns grupos, como idosos e pessoas com complicações graves.
Após o tratamento, não é preciso fazer alterações no modo de vida.
Verdade. A vesícula não é um órgão essencial; portanto, sem ela, o corpo continua funcionando tranquilamente. A única diferença é que a bile vai do fígado ao intestino sem precisar de um intermédio.
Todas as pessoas que possuem pedra na vesícula apresentam sintomas.
Mito. Cerca de 80% das pessoas afetadas pela colelitíase não apresentam sintomas. O diagnóstico, na imensa maioria dos casos, acontece por acaso, através do ultrassom.
Ouça o podcast na íntegra:
Saúde com Ciência

No programa de rádio Saúde com Ciência desta semana, conversamos sobre a pedra na vesícula. Abordaremos como os cálculos são formados, os principais sintomas e como é feito o diagnóstico da condição. Além disso, também explicaremos se são necessárias adaptações após a cirurgia de remoção.
O Saúde com Ciência é produzido pelo Centro de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG e tem a proposta de informar e tirar dúvidas da população sobre temas da saúde. Ouça na Rádio UFMG Educativa (104,5 FM) de segunda a quinta-feira, às 7h15, no programa Bom Dia UFMG. Também é possível ouvir o programa pelas principais plataformas de podcasts.
* Deise Amaral – estagiária do Centro de Comunicação
Edição: Alexandre Bueno