Setembro Amarelo ajuda mesmo na prevenção ao suicídio?

Dar visibilidade ao tema é importante, mas exige mais do que campanhas.


11 de setembro de 2026 - , , , , ,


* Deise Amaral

Durante a campanha do Setembro Amarelo, é comum encontrar mensagens de valorização da vida e de prevenção ao suicídio. Nesse período, milhares de pessoas têm acesso mais amplo a informações sobre o tema, o que pode contribuir para ampliar o debate, despertar empatia e combater o estigma que ainda envolve o sofrimento emocional e o suicídio. É o que afirma o professor do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da UFMG e convidado do Saúde com Ciência, Humberto Corrêa.

Falar sobre suicídio durante muito tempo foi considerado um tabu. Por isso, dar visibilidade ao assunto pode ser importante para estimular a sociedade a reconhecer o sofrimento emocional e compreender possíveis sinais de alerta. No entanto, essa abordagem precisa ser feita com responsabilidade e informação. “Não é um assunto da religião, não é um assunto do demônio, é um assunto de saúde”, esclarece o professor.

A existência de uma campanha de conscientização, porém, não significa, por si só, que ela seja capaz de reduzir as taxas de suicídio. O Setembro Amarelo pode contribuir para ampliar o conhecimento da população e reduzir o estigma, mas a prevenção depende também de políticas públicas, serviços de saúde preparados e profissionais capacitados para acolher pessoas em sofrimento.

“O Setembro Amarelo não tem, nunca teve, nenhum objetivo de prevenir suicídio. É uma campanha de esclarecimento da sociedade. Qual o objetivo? Educar a sociedade em relação à importância desse assunto, para que a sociedade sensibilizada e educada pressione o poder público a fazer aquilo que dele se espera”.

Professor Humberto Corrêa

Um estudo publicado em 2024 no Journal of Affective Disorders identificou uma aceleração no crescimento das taxas de suicídio no Brasil a partir de 2015. O dado, no entanto, não permite estabelecer uma relação direta entre esse aumento e o início da campanha nacional.

A evolução das taxas é influenciada por diferentes fatores sociais, econômicos, culturais e de saúde, o que reforça o caráter complexo e multifatorial do fenômeno. Para Humberto Corrêa, o principal objetivo do Setembro Amarelo é justamente ampliar o conhecimento da sociedade e estimular a cobrança por ações efetivas do poder público.

Ouça o podcast na íntegra:

Saúde com Ciência

No programa de rádio Saúde com Ciência desta semana, respondemos: por que é tão difícil alcançar a cura do HIV? Conversaremos sobre a diferença entre o vírus e a doença, os avanços da ciência na prevenção da infecção e a possibilidade de cura.

Saúde com Ciência é produzido pelo Centro de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG e tem a proposta de informar e tirar dúvidas da população sobre temas da saúde. Ouça na Rádio UFMG Educativa (104,5 FM) de segunda a quinta-feira, às 7h15, no programa Bom Dia UFMG. Também é possível ouvir o programa pelas principais plataformas de podcasts.

* Deise Amaral – estagiária do Centro de Comunicação

Edição: Alexandre Bueno