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Simpósio online da UFMG debate pandemia e isolamento social

Evento será nesta quarta-feira e é aberto à participação da comunidade acadêmica, que poderá encaminhar perguntas por escrito


28 de abril de 2020 - , , , ,


Micrografia eletrônica de varredura colorida de uma célula apoptótica fortemente infectada com partículas do vírus SARS-COV-2, isoladas de uma amostra de paciente.Fotos Públicas/CC BY-NC 2.0

O Comitê de Enfrentamento do Novo Coronavírus da UFMG promove nesta quarta-feira, dia 29, a partir das 13h30, o web simpósio A pandemia de Covid-19 e o isolamento social – reflexões e contribuições da UFMG. 

A proposta é avaliar as medidas de contenção do novo coronavírus adotadas a partir da segunda quinzena de março em diversos setores e seus desdobramentos imediatos e futuros.

A reunião será transmitida pelo canal da Coordenadoria de Assuntos Comunitários (CAC/UFMG) no Youtube, e o link estará disponível no horário agendado. Não há necessidade de inscrição prévia.

Em duas mesas-redondas, especialistas de diversas áreas vão discutir as evidências científicas para o isolamento social, a realidade na capital mineira e os efeitos sociais dessas medidas e o comportamento das curvas de acompanhamento e transmissão da pandemia.

“O novo coronavirus, Sars-CoV-2, se espalhou rapidamente e sua propagação explosiva superou a capacidade dos sistemas de saúde, até mesmo dos mais organizados do mundo. De maneira geral, 20% dos casos são graves ou críticos, com uma taxa de letalidade acima de 3%, aumentando com a idade para aproximadamente 15% ou mais em pacientes acima de 80 anos”, explica o comitê em texto que descreve o contexto da pandemia.

Citando a Organização Mundial de Saúde (OMS), o comitê lembra, no documento, que os países vivem diferentes estágios de surtos nacionais e subnacionais.

“Medidas de distanciamento físico e restrições de movimento, o chamado isolamento social, podem retardar a transmissão da covid-19. Países que conseguiram reduzir a velocidade de transmissão mantiveram a capacidade de prestar atendimento de qualidade e minimizar a mortalidade”

Comitê de Enfrentamento do Novo Coronavírus da UFMG

Evidências, impactos e projeções

Cada expositor terá até 15 minutos para abordar o seu tema. Perguntas da comunidade deverão ser encaminhadas ao moderador de cada mesa – por meio do chat do próprio canal da CAC no YouTube –, que as colocará em debate.

O encontro será aberto às 13h30 pela reitora Sandra Regina Goulart Almeida. Na sequência, haverá exposições dos professores Flávio Fonseca (ICB), sobre o novo coronavírus, e Unaí Tupinambás (Faculdade de Medicina), que abordará as evidências científicas sobre o isolamento social e a realidade de Belo Horizonte. Alexandre Ferreira, do Hospital das Clínicas da UFMG, vai discorrer sobre o sistema de saúde em Minas Gerais e Belo Horizonte. 

No encerramento da primeira parte do simpósio, haverá discussões sobre os desafios do isolamento sob as perspectivas psíquica e social (Cláudia Mayorga, pró-reitora de Extensão), econômica (Hugo Cerqueira, diretor da Face), educacional (Benigna Oliveira, pró-reitora de Graduação) e das relações internacionais (Dawisson Belém Lopes, diretor adjunto de Relações Internacionais).

Depois de debate e um breve intervalo, o simpósio será retomado às 16h, com uma série de análises sobre as curvas de acompanhamento e projeção da pandemia. O professor Ricardo Takahashi (ICEX) falará sobre a projeção da covid-19 em Belo Horizonte, Flávio Figueiredo, do Departamento de Ciência da Computação (DCC), tratará da evolução da transmissão do coronavírus em estados e capitais brasileiras,

Já Leonardo Costa Ribeiro (Cedeplar) discorrerá sobre a subnotificação dos casos da doença. Mônica Viegas, também do Cedeplar, e pesquisadores do Nescon e do Departamento de Engenharia de Produção da UFMG abordarão a previsão de necessidade e capacidade instalada dos hospitais.

A segunda parte do evento também será concluída com uma rodada de debates. Leia mais sobre o evento no site especial do coronavírus.

‘Paradoxo da prevenção’

Um mês depois da decisão do poder público de implantar o distanciamento social em Minas Gerais, Belo Horizonte apresenta índices de infecção e mortes pelo Sars-CoV-2 bem menores do que os de cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, o que pode levar a uma compreensão ilusória de que é possível desmobilizar o isolamento na capital mineira. 

No artigo A falsa polêmica entre a “bolsa” e a vida: sobre o isolamento social em Belo Horizonte, os professores Unaí Tupinambás, Cristina Alvim e Benigna Oliveira, que integram o Comitê de Enfrentamento ao Coronavírus na UFMG, argumentam que a situação relativamente favorável em Minas é reflexo do que chamam de “o grande paradoxo da prevenção”:

“O sucesso de medidas adequadamente implementadas é invisível (ninguém leva em conta quantos estão vivos e sãos). Em Belo Horizonte e em todo o estado de Minas Gerais, há evidências do efeito positivo do isolamento social: o número de mortes é bem inferior ao de outras capitais e estados, não há notícias de filas de macas aguardando vagas nos CTIs, covas conjuntas ou mortes nos domicílios e asilos”

Situação da covid-19 nos quatro estados do Sudeste do Brasil. Fonte: Ministério da Saúde. Clique para ampliar

No entanto, essa situação, argumentam os autores, pode provocar uma desmobilização precipitada com a retomada de atividades comerciais não essenciais, mesmo com a insuficiência dos testes diagnósticos aplicados em larga escala. Os pesquisadores advertem, ainda, que o pico da epidemia em Belo Horizonte ainda não foi alcançado, embora a chamada curva epidêmica tenha sido achatada.

“A maioria das pessoas é suscetível, portanto há grande possibilidade de infecção. Todo o esforço coletivo para o isolamento social almeja abrandar o crescimento exponencial do número de ocorrências e evitar que os casos graves se concentrem em um curto período de tempo. Desse modo, nosso Sistema Único de Saúde (SUS) conseguirá manter o cuidado adequado para cada um que vier a adoecer”, sustentam os autores do artigo, também publicado no site especial da UFMG sobre o coronavírus.

Ao fim do texto, o trio alerta que “o retorno às atividades normais tende a demorar meses e deverá ser lento e progressivo” e que “precisaremos mais do que nunca de paciência, solidariedade e cooperação de todos. Precisaremos também, como afirmou Carolin Emcke, filósofa alemã, que o Estado não se afaste infinitamente de sua responsabilidade e que reconheça definitivamente a urgência de investimentos em ciência, educação, infraestrutura pública, bens públicos e orientação para o bem comum”.


(Centro de Comunicação da UFMG)