Telemedicina amplia diagnóstico do diabetes e ajuda a prevenir cegueira

Retinopatia diabética afeta entre 24% e 39% dos diabéticos no Brasil. Diagnóstico precoce é a melhor forma de prevenir a cegueira.


26 de janeiro de 2026 - , , ,


A retinopatia diabética é uma das principais causas da perda de visão no Brasil. Segundo o Ministério da Saúde, ela afeta entre 24 e 39% dos mais de 16 milhões de pacientes de diabetes no país.

De acordo com o professor do Departamento de Oftalmologia e Otorrinolaringologia da Faculdade de Medicina da UFMG e convidado do Saúde com Ciência, Daniel Vitor de Vasconcelos, o uso da telemedicina tem potencializado o diagnóstico não só da retinopatia, como do próprio diabetes. Além disso, a tecnologia oferece melhor capilaridade do diagnóstico, alcançando áreas mais remotas e afastadas dos grandes centros urbanos.

“A gente tem trabalhado com isso há mais de dez anos. O estudo inicialmente foi patrocinado pela Fapemig, para avaliar a efetividade do rastreamento e a economia proporcionada pelo rastreamento da retinopatia pela telemedicina”, explica o professor. O projeto do Hospital das Clínicas da UFMG oferece a experiência dos especialistas para auxiliar no diagnóstico colhido por profissionais de saúde em outras regiões de Minas.

“Simplificando, o que a gente faz é treinar técnicos no interior do estado, em municípios muitas vezes remotos. Nesses locais, a gente tem câmeras, chamadas retinógrafos. No início, a gente utilizava retinógrafos convencionais, que são de mesa. Hoje, mais recentemente, a gente tem disponível os retinógrafos portáteis, que podem ser levados para a zona rural, para a residência do paciente, em caso de problemas de deslocamento. E aí, esses técnicos são treinados, fazem o exame, a captura das imagens da retina. Essas imagens são transmitidas por meio de um sistema para os centros de telesaúde aqui do Hospital das Clínicas da UFMG, e os oftalmologistas recebem essas imagens e fazem o laudo, a descrição do que eles encontraram”.

Professor Daniel Vitor de Vasconcelos

O professor segue, afirmando que, ao longo dos últimos dez anos do projeto, os resultados foram proveitosos. “Esse tipo de estratégia, de utilizar a telemedicina para rastrear a retinopatia diabética reduz em até 90% o custo do rastreamento e traz capilaridade para esse rastreamento”, afirma Daniel.

Ele explica que essa redução de custos está presente principalmente no fato de o paciente não precisar mais se deslocar para um grande centro urbano para procurar o atendimento oftalmológico e realizar o exame. Hoje, nas unidades de saúde dos pequenos centros e municípios remotos é possível encontrar um retinógrafo e realizar o exame, que é processado e diagnosticado pelos profissionais do Hospital das Clínicas.

“Esse tipo de tecnologia já está implementado em outras áreas da telemedicina, como a telecardiologia, com o tele-eletrocardiograma, ou a tele-espirometria. E é também muito bem-sucedida para o rastreamento da retinopatia diabética”, finaliza.

Ouça o podcast na íntegra:

Saúde com Ciência

No programa de rádio Saúde com Ciência desta semana, conversamos sobre a retinopatia diabética. Explicamos os riscos associados à doença, as estratégias de prevenção e tratamento, e como o uso da telemedicina tem potencializado e capilarizado o diagnóstico da retinopatia e do diabetes pelo Brasil.

O Saúde com Ciência é produzido pelo Centro de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG e tem a proposta de informar e tirar dúvidas da população sobre temas da saúde. Ouça na Rádio UFMG Educativa (104,5 FM) de segunda a quinta-feira, às 7h15, no programa Bom Dia UFMG. Também é possível ouvir o programa pelas principais plataformas de podcasts.