Teste molecular para HPV ultrapassa 90% de precisão em resultados
Tecnologia permite identificar o vírus antes do surgimento de lesões e amplia as possibilidades de acompanhamento do câncer do colo do útero.
16 de outubro de 2026 - câncer do colo do útero, Departamento de Ginecologia e Obstetrícia, HPV, saúde com ciência, Saúde da Mulher

* Deise Amaral
O Sistema Único de Saúde (SUS) começou a implementar o novo teste molecular para detecção do HPV. Devido à alta precisão dos resultados, o novo exame permite ampliar de três para cinco anos o intervalo entre os exames, oferecendo mais segurança e flexibilidade às mulheres. É o que afirma a professora do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina da UFMG e convidada do Saúde com Ciência, Júnea Chagas.
Por meio da genotipagem, o teste molecular consegue identificar o HPV antes que ele provoque lesões no colo do útero, ampliando as possibilidades de prevenção e acompanhamento da doença. Essa é uma das principais diferenças em relação ao Papanicolau, tradicional exame preventivo que analisa as células cervicais para identificar alterações.
Outra novidade do teste molecular é a identificação do tipo de HPV presente, o que permite direcionar o acompanhamento de acordo com o risco associado à infecção, explica a professora.
“É uma forma muito mais inteligente de acompanhar as mulheres. Se eu tenho vírus de alto grau, eles são mais graves, eles têm um potencial maior de induzir o câncer, essas mulheres precisam de mais testes diagnósticos, como é o caso da colposcopia, um exame com microscópio que gente amplia o colo do útero para buscar uma lesão para câncer. Se eu tenho um tipo de vírus um pouco mais tranquilo, então ali no semáforo, em vez de ser vermelho, ele é um vírus verde, eu posso continuar no acompanhamento anual”.
Professora Júnea Chagas
A professora também ressalta que o Papanicolau não foi abandonado. A análise das células continua sendo utilizada para orientar algumas condutas, mas o teste molecular acrescenta novas possibilidades de investigação e acompanhamento.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 80% das pessoas sexualmente ativas terão contato com algum tipo de HPV ao longo da vida. Entretanto, em 90% dos casos, o próprio organismo consegue eliminar o vírus.
A vacinação é uma importante aliada na prevenção da infecção e é recomendada principalmente para adolescentes de 9 a 14 anos, antes do início da vida sexual. No entanto, como a vacina não protege contra todos os tipos de HPV, o exame preventivo continua sendo essencial. Assim, a combinação entre vacinação e rastreamento permite ampliar a proteção contra o HPV e reduzir o risco de desenvolvimento do câncer do colo do útero.
Ouça o podcast na íntegra:
Saúde com Ciência

No programa de rádio Saúde com Ciência desta semana, conversaremos sobre o rastreio do HPV por meio do DNA. Abordaremos o que é o HPV e o câncer do colo do útero, bem como seu diagnóstico e opções de tratamento. Além disso, falaremos também sobre quais são os sinais de alerta.
O Saúde com Ciência é produzido pelo Centro de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG e tem a proposta de informar e tirar dúvidas da população sobre temas da saúde. Ouça na Rádio UFMG Educativa (104,5 FM) de segunda a quinta-feira, às 7h15, no programa Bom Dia UFMG. Também é possível ouvir o programa pelas principais plataformas de podcasts.
* Deise Amaral – estagiária do Centro de Comunicação
Edição: Alexandre Bueno