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Transtornos alimentares crescem entre os jovens

Compulsão alimentar, bulimia e anorexia são os transtornos mais comuns.


15 de outubro de 2021 - ,


Já se sabe que as mudanças na rotina causadas pela pandemia trouxeram diversos impactos na saúde mental, com aumento de casos de depressão e ansiedade neste período. Mas o que ainda é pouco comentado são os efeitos secundários de uma saúde mental mais fragilizada na maneira como nos relacionamos com a alimentação. De acordo com estudo recente, publicado na revista Pediatrics, a hospitalização de adolescentes nos Estados Unidos por transtornos alimentares mais que dobrou nos primeiros 12 meses de pandemia quando comparado aos últimos três anos antes da covid-19.

Apesar de os transtornos alimentares afetarem qualquer pessoa, os jovens, especialmente as mulheres, se encontram mais vulneráveis a desenvolve-los. Isso porque, por questões culturais e sociais, também estão mais propensos a maior baixa autoestima e a perseguir padrões de beleza, muitas vezes inalcançáveis. Para se ter uma ideia, transtornos como compulsão alimentar, bulimia e anorexia afetam cerca de 4,7% da população em geral, mas podem chegar a 10% entre a população mais jovem, segundo o Ministério da Saúde.

Além disso, houve impacto significativo da pandemia na saúde mental de jovens e adolescentes. De acordo com relatório do Fundo de Emergência Internacional das Nações Unidas para a Infância  (Unicef), 22% dos brasileiros nessa faixa etária se sentem deprimidos ou têm pouco interesse em fazer coisas.

A psiquiatra e professora do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da UFMG, Ana Maria Lopes, explica que a situação da pandemia impôs um novo contexto, com o aumento da convivência dentro do lares e até novas formas de organização de hábitos alimentares. Esse somatório de fatores levou ao crescimento do sofrimento psíquico em todas as faixas etárias.


“Então, vamos ter manifestações a partir de série de sintomas, e um que é mais comum é o transtorno alimentar”, reforça a professora.

Os transtornos mais frequentes são a anorexia, bulimia e anorexia. Apesar de serem multifatoriais, a redução de fatores protetivos como a prática de atividade física e a convivência nas escolas potencializam as chances do desenvolvimento desses quadros.

”O nosso organismo tem vias de satisfação. Quando você se encontra em qualquer situação de desequilíbrio, como a ansiedade e a angustia, você pode tanto responder com recusa alimentar ou com compulsão alimentar, numa tentativa de compensar aquilo que não esta bem”, esclarece a especialista.

Por isso, Ana Maria reforça que é importante que a escola, amigos e familiares observem quem está ao redor, busquem acolher as pessoas em seus sofrimentos e, quando necessário, ajudem na busca por um tratamento. 

Saiba mais

O programa desta semana explica os principais tipos de transtornos alimentares entre os jovens, como identificá-los e preveni-los, bem como a relação desses transtornos com a pandemia. Confira!

progama é produzido pelo Centro de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG e tem a proposta de informar e tirar dúvidas da população sobre temas da saúde. Ouça na Rádio UFMG Educativa (104,5 FM) de segunda a quinta-feira, às 5h, 8h e 18h. Também é possível ouvir o programa pelo serviço de streaming Spotify