UFMG celebra 99 anos e reafirma compromisso com o conhecimento, com a democracia e com o futuro
O reitor Alessandro Fernandes Moreira e a professora Ana Lúcia Gazzolla defenderam a autonomia universitária, a responsabilidade pública e o papel transformador da instituição
09 de setembro de 2026 - 99 anos, Aniversário, aniversário da UFMG, Evento
Em contagem regressiva para o seu primeiro centenário, a UFMG realizou na noite desta terça-feira, dia 8, uma cerimônia em comemoração aos seus 99 anos de fundação, completados no dia anterior, 7 de setembro. A data foi marcada pela conferência UFMG: uma universidade de todos os tempos, ministrada pela professora Ana Lúcia Gazzola, reitora da gestão 2002-2006, e abertura da exposição UFMG centenária: um século em pessoas. A cerimônia foi foi transmitida pelo canal da UFMG no YouTube e continua disponível.
Em seu pronunciamento, Ana Lúcia Gazzola recuperou sua trajetória de mais de cinco décadas ligada à UFMG — desde que ingressou como aluna do Colégio de Aplicação — e refletiu sobre o papel das universidades públicas diante das desigualdades brasileiras e das transformações sociais e tecnológicas. Para a dirigente, a instituição deve preservar sua capacidade de formar pessoas, produzir conhecimento e intervir na sociedade sem perder de vista as demandas do futuro.
A defesa da autonomia universitária atravessou sua conferência. Ana Lúcia associou diretamente a liberdade institucional às condições necessárias para a produção científica e para o exercício do pensamento crítico. “Sempre defendemos a autonomia universitária, não por capricho ou corporativismo, mas porque o conhecimento só pode ser produzido em liberdade”, afirmou.

Ana Lúcia também abordou os desafios estruturais da educação brasileira, como desigualdade, exclusão, evasão e dificuldades de acesso ao ensino superior, em um cenário no qual as universidades precisam responder simultaneamente às carências históricas do país e às mudanças provocadas pelas novas tecnologias. Para ela, as demandas contemporâneas exigem que a instituição seja capaz de se transformar sem abandonar sua missão pública.
Nesse processo, propôs a professora, inovação e responsabilidade social devem caminhar juntas. Ana Lúcia defendeu uma concepção ampla de inovação, que não se restrinja às áreas tecnológicas nem à produção de produtos e processos, mas alcance práticas educacionais, sociais e institucionais. A universidade, argumentou, deve mobilizar os conhecimentos que produz para responder às necessidades da sociedade e contribuir para o desenvolvimento do país.
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Centro de Comunicação da UFMG