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UFMG participa de diagnóstico inédito de saúde mental nas universidades brasileiras

Pesquisa envolve estudantes e servidores de 50 instituições públicas de ensino superior de todo o país; segunda etapa vai investigar população de fora das universidades


19 de maio de 2026 - , , , ,


Ilustração de dois estudantes em frente a um monumento
Pesquisa deve ouvir 15 mil estudantes de todo o BrasilImagem: Divulgação Renasam

A UFMG é uma das 50 instituições de ensino superior brasileiras que participarão do 1° Estudo Nacional de Saúde Mental nas Universidades (Enasam-U), responsável pelo mapeamento das condições de saúde de seus estudantes e servidores, com idades entre 18 e 75 anos.

A pesquisa busca compreender os efeitos e os desafios de saúde mental enfrentados nas universidades para direcionar esforços na construção de ambientes mais acolhedores e inclusivos. Para isso, os pesquisadores vão coletar informações detalhadas em dois momentos: primeiro, com o envio de um questionário on-line para estudantes e servidores selecionados por sorteio aleatório; em uma segunda etapa, serão realizadas entrevistas diagnósticas por telessaúde para avaliação da saúde mental dos participantes.

A pesquisa integra a campanha Rede brasileira em saúde mental: um inquérito sobre a saúde mental na população brasileira e nas universidades públicas, coordenada por especialistas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Na UFMG, o estudo é conduzido pelo professor Humberto Corrêa da Silva Filho, do Departamento de Saúde Mental da Faculdade de Medicina.

Corrêa explica que os convites para participação no inquérito serão enviados a cerca de 3 mil pessoas da comunidade universitária da UFMG a partir desta semana. Na primeira parte do estudo, espera-se a participação de 15 mil voluntários de todo o Brasil. O professor afirma que o levantamento segue todos os critérios éticos e assegura a privacidade e a confidencialidade dos participantes, tendo o seu início em cada instituição condicionado à aprovação do comitê local de ética em pesquisa.

“Nessa primeira etapa, a comunidade acadêmica receberá um convite por e-mail, com termo de consentimento e convite para participar. Aceitando integrar o estudo, o participante vai responder a um questionário com 60 perguntas. Posteriormente, entre os participantes que responderem ao questionário, haverá um sorteio de 60 pessoas em cada universidade (30 homens e 30 mulheres), sendo 10 discentes, 10 docentes e 10 técnicos-administrativos. Esses 60 sorteados farão, então, uma entrevista on-line conduzida por um psiquiatra ou psicólogo”, detalha o professor.

Diagnóstico ampliado fora das universidades
Após a pesquisa dentro das 50 universidades públicas brasileiras, o estudo se estenderá para a população geral por meio do Enasam. Humberto Corrêa explica que a intenção é finalizar a coleta de questionários e entrevistas nas universidades em 2027. Em seguida, terá início a etapa de censo nacional, que deve ser concluída em 2029. 

“Essa vertente com a população geral, fora das universidades, vai levar em conta uma amostra da população dos 47 maiores municípios brasileiros, além de alguns municípios com mais de cinco mil habitantes. Ao todo,  participarão cerca de 10 mil pessoas, o que é uma amostra representativa dos brasileiros com idade entre 18 e 75 anos”, avalia Corrêa.

Nessa fase do estudo, os participantes serão visitados em seu domicílio por um profissional de saúde mental integrante do grupo de pesquisa. “Os dados dessa etapa, somados aos obtidos anteriormente nas universidades públicas, nos ajudarão a conhecer a realidade da prevalência de doenças mentais na população brasileira. A maioria dos estudos que temos e usamos quando falamos de doenças mentais são de prevalência internacional, realizados na Europa e nos Estados Unidos. Portanto, a pesquisa nos permitirá conhecer a nossa realidade”, projeta o professor.

Humberto Corrêa acrescenta que o conhecimento produzido por meio do inquérito será essencial para a elaboração de políticas públicas regionalizadas para o diagnóstico, prevenção e tratamento de doenças mentais. “A pandemia ajudou na percepção de que a saúde mental é muito importante. Há populações mais vulneráveis quando se fala em doença mental? Ao terminarmos o projeto, teremos um verdadeiro diagnóstico da saúde mental da população brasileira, e isso é de extrema relevância. Além disso, durante a realização das entrevistas, se for percebida a necessidade de atendimento, os participantes serão informados e encaminhados para o atendimento junto ao Sistema Único de Saúde (SUS).”

O coordenador da pesquisa na UFMG acrescenta que o estudo possibilita, ainda, a consolidação da Rede Nacional de Saúde Mental (Renasam), que tem o papel de articular grupos de pesquisa para o desenvolvimento e inovação em saúde mental, além de conduzir estudos inovadores e disseminar informações atualizadas para aumentar a conscientização sobre o tema e romper o estigma associado a tais problemas. A Renasam foi criada em 2024 e conta com 50 pesquisadores de todas as regiões do país. “A Rede também vai nos possibilitar ter pesquisadores treinados em todas elas”, conclui o professor Corrêa, antevendo outro legado do estudo.

A pesquisa tem, na coordenação nacional, o pró-reitor de Pesquisa da UFRGS, Flávio Kapczinski, e conta com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Na região Sudeste, além da UFMG, participarão outras 13 universidades públicas: Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal Fluminense (UFF), Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp), Universidade Estadual Paulista (Unesp), Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg), Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) e Universidade Federal de Itajubá (Unifei).


Centro de Comunicação da UFMG (Cedecom)