O desafio de curar o HIV

Mesmo sob controle do tratamento, o HIV pode permanecer no organismo e voltar a se multiplicar.


31 de agosto de 2026 - , , ,


* Deise Amaral

O tratamento do HIV avançou nas últimas décadas e transformou a aids em uma condição crônica controlável. A terapia antirretroviral impede a multiplicação do vírus e pode reduzir sua quantidade no sangue a níveis indetectáveis. Ainda assim, quando o tratamento é interrompido, o HIV pode voltar a se multiplicar. É o que explica o professor do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da UFMG e convidado do Saúde com Ciência, Jorge Andrade.

Isso acontece porque parte do HIV consegue permanecer dentro de células do sistema de defesa do organismo. Algumas delas ficam “escondidas”: não produzem o vírus, mas continuam a carregar seu material genético. Esse conjunto de células é chamado de reservatório viral.

Para eliminar o HIV definitivamente, seria necessário encontrar essas células e retirar o vírus sem comprometer o funcionamento do organismo. “É diferente de infecções que são completamente controladas pelo sistema imune”, explica o professor.

Alguns casos, no entanto, mostram que a remissão prolongada do HIV é possível. Estudos reunidos pela Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos acompanharam pessoas que viviam com o vírus e precisaram passar por transplante de células-tronco da medula óssea para tratar cânceres no sangue.

Após a cirurgia, elas permaneceram sem sinais detectáveis do HIV mesmo depois de interromperem o tratamento. Em parte desses casos, os doadores apresentavam uma alteração genética rara, que dificulta a entrada do vírus nas células.

O procedimento é complexo, envolve riscos importantes e só é realizado nesses casos porque o paciente já precisa tratar uma doença grave, como uma leucemia. Além disso, a alteração genética que pode conferir resistência ao HIV é rara, o que dificulta encontrar doadores compatíveis.

“O nosso desafio é achar uma solução que seja aplicável em larga escala, que seja segura, que seja acessível, com preço acessível, e que possa realmente representar a erradicação do HIV nas próximas gerações. Eu acho que isso dá a dimensão do desafio que nós temos pela frente. Mas é assim que a ciência anda”.

Professor Jorge Andrade

Ouça o podcast na íntegra:

Saúde com Ciência

No programa de rádio Saúde com Ciência desta semana, respondemos: por que é tão difícil alcançar a cura do HIV? Conversaremos sobre a diferença entre o vírus e a doença, os avanços da ciência na prevenção da infecção e a possibilidade de cura.

Saúde com Ciência é produzido pelo Centro de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG e tem a proposta de informar e tirar dúvidas da população sobre temas da saúde. Ouça na Rádio UFMG Educativa (104,5 FM) de segunda a quinta-feira, às 7h15, no programa Bom Dia UFMG. Também é possível ouvir o programa pelas principais plataformas de podcasts.

* Deise Amaral – estagiária do Centro de Comunicação

Edição: Alexandre Bueno